Anúncios que nos dão música

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Pode saltar o texto. Não presta! Mas os vídeos são excelentes.

Gosto do ensaio como forma de raciocínio e escrita. Gosto de discorrer sobre temas maiores, essenciais, a partir de temas menores, relativos (Lukacs, Georg, 1974,  L’âme et les formes, Paris, Gallimard, 1ª ed. 1911; Goldmann, Lucien, 1955, Le Dieu Caché, Paris, Gallimard). Abuso, deste jeito, do verbo “lembrar”: memória inquieta que não se senta no tempo. A publicidade presta-se ao ensaio. A publicidade é omnívora, não há assunto que lhe escape. Mais, aborda tudo de qualquer prisma, técnica ou recurso, desde que funcione. Lembra o anarquismo metodológico de Paul Feyerabend (Against Method,1975, London/New York, Verso). Para nós, hoje, flechas tensas no arco de Ulisses, atingir um objectivo é mais heróico do passar o cabo Bojador. Assemelha-se a tocar na santíssima trindade. Enfim, assim como o ensaio discorre sobre temas maiores a partir de temas menores, a publicidade contempla o que bem entende para alcançar o que muito pretende. A publicidade pode nem sequer falar do que interessa. Escrever sobre publicidade pode relevar de uma construção de segundo grau. Em termo de inspiração para o ensaio, apenas a arte rivaliza com a publicidade.

Vem esta leveza de espírito a propósito da comunicação de Júlia Durand, intitulada O elefante na sala de pós-produção: a library music em criações audiovisuais, dedicada aos repositórios musicais procurados para bandas sonoras de filmes, anúncios, vídeos institucionais… Estes reportórios estão categorizados por temas, conteúdos, contextos, emoções, mensagens, estilos… Limito-me a registar a ideia, que não me convence, de que existem pontes claras entre trechos musicais e emoções. Não obstante, acodem-me alguns anúncios em que a marca, a música e a emoção dançam na perfeição.

Marca: BMW. Título: Aesthetics. Agência: Ireland/Davenport, Johannesburg. Direcção: Adrian de Sa Garces. República da África do Sul, Novembro 2006.
Marca: Audi A5. Título: A Rythm of Lines. Agência: BBH, London. Reino Unido, 2007. Música: Prelude 2, de Dustin O’Halloran.

Marca: BMW. Título: See How It Feels. Agência: WCRS, London. Direção: Warren Du Preez & Nick Thornton Jones. Reino Unido, Fevereiro de 2007. Música: UNKLE.

Marca: Nescafé. Título: Sunrise. Direcção: Derek Coutts. UK, 1988. Música: Johnny Nash.

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Sociólogo.

One response to “Anúncios que nos dão música”

  1. Beatriz Martins says :

    E, parei de escrever para cá vir espreitar.Como gostava de com pequenos traços, dar música nos meus textos 🙂 . Soberbos, mas o do Nescafé… Quantas vezes dei comigo a cantá-lo, e nunca tive um Volkswagen carocha! 🙂

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