Investidores
A Polónia precisa, declaradamente, de investidores. Será que, por cá, não sobra nenhum? Que tal uns profissionais qualificados? E iluminados, não precisam? Poupava-se em óculos de sol… Não deixa de ser curioso como neste anúncio se procede à distinção entre o investidor e o marialva. Reminiscências puritanas? Quem se dedica em demasia a si próprio e quem se distrai com prazeres descura os negócios… Mas nós, que tantas voltas demos ao mundo, podemos sussurrar um segredo aos polacos: investidores bons, mesmo bons, são os financeiros, os gigantes com tiques monopolistas e os ases da importação e da exportação. Há séculos que os governos nos ensinam isso. Os outros, as P.M.E., sem carimbo alfandegário nem assento na bolsa, essas que se “insolvam” e espalhem o empreendedorismo lusitano por toda a parte, incluindo a Polónia.
Marca: Malopolska. Título: The Winner. Agência: Rockandreel production advertising agency . Direção: Suzan Gizynska. Polónia, Abril 2013.
Fatal
Nos últimos dias, não houve tempo para publicar artigos. Chama-se a isso uma bolha de trabalho. Em consonância, escolhi um anúncio que não dá vontade de rir. Uma excelente paródia de um certo tipo de cinema: estranho com suspense. O final é surpreendente: o mal desconhecido é apetitoso.
Marca: Fatburger. Título: The Last Great Stand. Agência: Pablo Escargot. Direção: Brian Charles Lehrer. EUA, Abril 2013.
Criatividade nos Açores
Os Açores, além das furnas e das lagoas, também tem os graffiti e os letreiros.
Américo Cunha. Graffiti nos Açores. 2013
Catequese pela imagem: a origem da vergonha
Esta iluminura dos irmãos Limbourg, A Queda e a Expulsão do Paraíso, de 1415-16, proporciona um excelente exemplo de catequese pela imagem. Ilustra, passo a passo, a mudança de estatuto da nudez, da inocência à vergonha, passando pelo pecado. Primeiro e segundo episódios: Eva colhe a maçã e entrega-a Adão, ambos despreocupadamente nus. Terceiro: Deus expulsa Adão e Eva do Paraíso, ambos cobrem os órgãos genitais com as mãos. Quarto: Adão e Eva saem do Paraíso tapando, agora, as vergonhas com folhas de figueira.
Irmãos Limbourg. A Queda e a Expulsão do Paraíso. 1415-16 (Alta resolução).
Sobre o tema da nudez na religião e na arte:
“Não foi a modéstia da Contra-Reforma, mas o zelo dos pintores do Renascimento do Norte quem vulgarizou o encobrimento dos órgãos genitais com folhas de plantas. Para além dos ressuscitados no Juízo Final e dos condenados ao inferno, não há nudez mais incontornável do que a de Adão e Eva no paraíso. Pintores como Albrecht Dürer, Jan Gossaert, Hans Baldung, Jan van Scorel e Lucas Cranch respaldam-se na própria palavra bíblica para justificar a utilização das folhas virtuosas.
Mal Adão e Eva acabaram de comer o fruto da árvore que se erguia no meio do jardim celeste, “os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si” (Genesis, 3. 7). As folhas de figueira são mencionadas no Genesis como forma de ocultar a nudez vergonhosa dos primeiros pecadores. Recorde-se que, no paraíso, antes do pecado, a nudez não era vergonhosa e dispensava, portanto, a folha de figueira: “O homem e a mulher estavam nus, e não se envergonhavam” (Genesis, 2. 25)“ (http://tendimag.com/?s=vestir+os+nus).
Tão rápido quanto impossível
A paródia tem lugar cativo na publicidade. Faz vibrar os cristais do nosso imaginário. Será que “o homem mais rápido do que ele próprio” consegue ser mais rápido do que a sombra? Estará Lucky Luke ultrapassado? Com a 4G, nunca se sabe… A velocidade é uma das sete obsessões da modernidade. Lembra-se do anúncio em que um Nissan Murano consegue chegar antes do próprio lugar para onde se dirige? Mas nenhuma dessas proezas se compara à descolagem de um caracol turbo…
Marca: Omnitel. Título: Duel. Agência: Milk. Direção: Ricardo Maldonado. Lituânia, Abril 2013.
Marca: Nissan. Título: Catch Up. Agência: TBWA\Chiat\Day, Los Angeles . Direção: Bram Van Riet . EUA, 2009.
Spontaneous. Spontaneous Snail. http://www.spon.com/montage.
Mulheres da Raia: O Contrabando no feminino
Tenho um carinho especial pelo documentário Mulleres da Raia. Revela uma sensibilidade humana e estética rara. Tem sequências que são autênticas pérolas. Por exemplo, quando a mulher da imagem seguinte conta o motivo por que aprendeu a ler. Uma investigação social com câmara de filmar e mulheres de ambos os lados. Tive a honra de apresentar Mulleres da Raia em Monção e Melgaço. Recentemente, moderei uma mesa redonda com quatro mulheres que integram o documentário. Um momento feliz! Recomendo vivamente este documentário. No que me respeita, vou revê-lo com interesse e prazer no dia 9 de Abril, às 19 horas, no Auditório do Instituto de Educação, com a presença da realizadora Diana Gonçalves. Uma iniciativa do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.



