Tag Archive | Vangelis

Top of the pops com rugas 5. Michel Colombier, Vangelis e Francis Lai

Insisto em recordar e publicar músicas, agora, instrumentais. Paisagens sonoras dos anos sessenta e setenta especialmente apropriadas para ouvir depois da penitência da fisioterapia.

Michel Colombier. Wings (Emmanuel). 1971.
Vangelis. La petite fille de la mer. L’apocalypse des animaux .1973.
Francis Lai. Générique (de “Bilitis”). 1977.

Os avatares do Tendências do Imaginário

Tetramorfo. Símbolos dos quatro evangelistas – humano, S. Mateus; leão, S. Marcos; touro, S. Lucas; águia, S. João. Livro de Kells, por volta de 800.

“Car je est un autre” (Arthur Rimbaud, carta a Paul Demeny datada de 15 de maio de 1871).

Tenho três avatares: o Dionísio, o mais trágico e cínico; o Porfírio, o mais prometeico e entusiasta; e o Amâncio, o mais poético e sensível. Cada um é responsável pelo que assina e todos me fazem companhia. Seguem três exemplos de assinaturas:

– Uma máxima do Dionísio:

                “Nunca desvalorizar os seres humanos, mas descrer sempre deles”.

– Um anúncio que convence o Porfírio:

Marca: Ariston Aqualtis. Título: Underwater World. Agência: Leo Burnett Italia, Milan. Direção: Dario Piana. Produção: FilmMaster, Milan. Pós-produção: BUF, Paris. 2006. Prémios: Gold Lion at the Cannes Lions International Advertising Festival in 2006; Grand Clio Award in 2007.

– E um vídeo musical que comove o Amâncio:

Vangelis. Ask the mountains. Pulse. Voices. 1995. Fonte: Akeldama חקל דמא.

Até amanhã!

Georges de La Tour. Rapaz a apagar uma lâmpada. Cerca de 1649.

Curado o corpo, falta a alma. Como a aranha tece a teia. Com tranquilidade reflexiva. Coxo, sem asas e sem convívio, visionar, ouvir música, escrever e fumar é uma forma de vida. Hoje é um novo dia. Até amanhã!

Vangelis. La petite fille de la mer. L’Apocalypse des animaux. 1973. 2003 Re-master.
Don McLean. Till Tomorrow. American Pie. 1971.

A ave e os nus

Ando muito entretido a tentar interpretar duas esculturas estranhas que acolhem os crentes no portal da fachada principal da igreja de São João Baptista em Lamas de Mouro, Melgaço. Quando tal acontece, nada mais existe!

A abertura do documentário de Ricardo Costa dedicado a Castro Laboreiro, publicado pela RTP em 1979, (https://tendimag.com/2022/05/12/castro-laboreiro-o-fantasma-de-tarkovsky/) teve a arte de me lembrar um dos meus discos de eleição, e menos conhecido, do Vangelis, Heaven and Hell, lançado em 1975. Segue a parte I (lado A: 22:06). A parte II, minha preferida, já a coloquei mais do que uma vez (ver https://tendimag.com/2019/05/31/divertimento/). Não desistam a meio que não merece!

Vangelis. Heaven and Hell. Parte I. 1975.

Regresso

Uma  coisa é escrever sobre a morte, outra privar com ela. Durante um ano, fui vítima de intoxicação severa não diagnosticada. Uma degradação galopante interminável. Para fumar, tinham que me segurar no cigarro. Sobrevivente do desespero. Acabei internado, uma semana nos cuidados intensivos. Cruzei-me com a morte e não dei por ela. Nem sombra de memória. Espero estar de volta. Obrigado!

Vangelis. Alpha. 1976.

O cantar do galo

Egon Schiele. Death And The Maiden. 1915-1916

O galo anda à solta e de crista levantada. Canta fora de horas, e guia as almas na última viagem. Perdi, nestes dias, quatro pessoas queridas, uma hoje. Mas o galo não se cansa. Continua a rondar. Os tempos não estão para aleluias, mas para dúvidas e epitáfios.

Vangelis. Ask the Mountains. Voices. 1995.
King Crimson. Epitaph. In The Court Of King Crimson. 1969.

Lamentação. Críticas do Grilo Falante.

Existem muitas músicas da desgraça e da lamentação. Também existem muitas desgraças. No ciclo de músicas da desgraça, gostava de contemplar Vangelis, a meu ver, um mestre em músicas de lamentação. Retive três obras para acertar em duas.

O meu grilo falante quer dizer-me alguma coisa:
Grilo Falante: Não estás a colocar demasiada música? Ademais, triste. Duvido que seja da música que as pessoas gostam mais no teu blogue.
Ego: Que me recomendas fazer?
Grilo Falante: Coloca anúncios que emocionem, anúncios bem dispostos. São mais fáceis de encontrar do que essas pieguices enterradas na história.
Ego: Eu não decido em função do que as pessoas gostam, mas daquilo que eu gosto
Grilo Falante: Isso é o que acreditas e, imprudentemente, confessas aos outros.
Ego: Dou aos outros o que gosto, não aquilo de que gostam. Quando dou, dou uma parte de mim, não uma parte do outro. Por exemplo, a música 12 O’Clock, não sendo minha, é uma parte de mim. É uma dádiva, não é tiro ao alvo.
Grilo Falante: Parole, parole, parole, parole parole soltanto parole. Pelas músicas que escolhes, não danças há muito tempo.

Vangelis. Chant (Alternate). Alexander. 2004.
Vangelis. Rachel’s Song. Blade Runner. 1983.
Vangelis. Heaven and Hell Part II (12 O’ Clock). Heaven and Hell. 1975.

Divertimento

Figura 1. Codex Donaueschingen 113 ,Des Teufels Netz, Bodenseeraum, 1441

Interessar-se pela música do inferno é próprio de tolos desocupados. Pior ainda descobrir na terra músicos passíveis de tocar no inferno. A banda de demónios da figura 01 quer sair da porta do inferno. Prefere o interior com ar quente e cheiro a enxofre.

Há músicos com perfil para tocar no inferno: Rolling Stones (Sympathy for the devil), Deep Purple (Demon’s eye), Chris Rea (The road to hell), Uriah Heep (Demons and Wizards), Black Sabbath (Heaven and hell), AC/DC (Highway to hell), Pink Floyd (Run like hell)… Retive dois candidatos. O álbum Heaven and Hell (1975) do Vangelis inspira-se, em vários troços, no inferno. Parco em melodias e ritmos compassados, alguns sons são do outro mundo e muitas passagens incómodas. Mas o álbum de Vangelis é, do princípio ao fim, límpido e afinado. O que desagrada aos diabos, propensos a confusões, cacofonias e charivaris. Sobra, nestas condições, Marilyn Manson, exímio em animar os demónios e torturar as almas penadas.

Vangelis. Heaven and Hell. 1975. Excerto.
Marilyn Manson. mOBSCENE. The Golden Age of Grotesque. 2003.

Os condenados da terra

Starvation in Africa. httpswww.religiousforums.comthreadsafrica-as-americans-are-getting-fatter.207830

Starvation in Africa. httpswww.religiousforums.comthreadsafrica-as-americans-are-getting-fatter.207830

“Não faz muito tempo a terra tinha dois biliões de habitantes, isto é, quinhentos milhões de homens e um bilião e quinhentos milhões de indígenas. Os primeiros dispunham do Verbo, os outros pediam-no emprestado” (Jean-Paul Sartre, Prefácio, Franz Fanon, Os Condenados da Terra, 1961).

Quando não se vive e não se está morto, recorda-se.

Existe um anúncio que me marcou profundamente e não consigo encontrar: da Unicef, sobre a fome em África e com a música Twelve o’clock do Vangelis (Heaven and Hell, 1975). Tornou-se uma obsessão. Passava, há mais de 30 anos, na televisão francesa na hora de jantar. O apetite encolhia-se perante o cortejo de imagens de desnutrição extrema acompanhado por um lamento do outro mundo.

Não sei se encontrei o anúncio, mas nunca estive tão perto. A memória audiovisual é vaga, muito vaga. O anúncio Don, da Unicef, corresponde na música e em algumas imagens, mas data de 1985. Regressei de França em 1982. Talvez seja uma sequência ou talvez o tenha visto numa das então muitas viagens a França.

O vídeo Africa Hunger aproxima-se bastante do dito anúncio. Tem imagens terríveis de desnutrição e música do Vangelis, embora diferente e mais recente: Rachel’s song (Blade Runner, 1994). Nem sequer é um anúncio, a não ser o da nossa irresponsabilidade. Para Paul Virilio, a realidade acelerou a uma velocidade nunca vista, mas nem tudo acelerou, há realidades que mudam demasiado devagar.

Anunciante: Unicef. Título: Don. Agência: Opus. França, 1985. Música Twelve o’clock, Heaven and Hell, 1975.

MarK Van Doich. Africa Hunger. 2009. Música: Vangelis. Rachel’s song. Album: Blade Runner. 1994.

Extremos

Vangelis in 1974

Vangelis em 1974

Uma centelha basta para aquecer o dia! Ouvir, por exemplo, a música Ask the mountains, do Vangelis (Voices, 1995). Engana a melancolia.Valoriza o anúncio Underwater World, da Ariston Aqualtis (2006) e desafia as montanhas no vídeo homónimo. É um sonho erguer o olhar e não tropeçar com burocratas, confrades e marialvas… Nem com o Zé Povinho a empurrar a encosta. Soltemos o olhar!

Marca: Ariston Aqualtis. Título: Underwater world. Agência: Buf Film Master. Direcção: Dario Piana. Itália, Março 2006.