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Van Gogh ilustrado

Alireza Karimi Moghaddam, nascido no Irão em 1975, é conhecido pelas mais de centena e meia de ilustrações que procuram exprimir a postura e o espírito de Van Gogh na vida e na tela. Reside desde 2021 em Lisboa.

Segue uma galeria e um vídeo com, respetivamente, 24 e 185 imagens.

Imagem: Alireza Karimi Moghaddam

Galeria de imagens: Fancy Van Gogh – ilustrações de Alireza Karimi Moghaddam sobre Van Gogh

185 artworks about Vincent VanGogh by Alireza Karimi Moghadam. Colocado em 06/08/2020

Registo Civil Vegetal e Limoeiro

Deforestation – Diário de Pernambuco (BRA) – Jarbas. World Press Cartoon exhibition at the Museum of Modern Art in Sintra, Portugal, 2008

O limoeiro é muito bonito e a flor do limão é doce
Mas o fruto do pobre limão é impossível de comer
(Peter, Paul & Mary, Lemon Tree, 1962)
A árvore torna-se forte com o vento (Séneca, 4 a.C. – 65 d.C.)

Uma ideia genial preside ao anúncio “Árvore”, da rádio e TV brasileira Jovem Pan, qualidade que compensa a fraca resolução do vídeo. Um caso ímpar de minimalismo perspicaz e eloquente, Leão do Festival de Cannes de 1998. As versões inglesa e portuguesa são acompanhadas por dois cartoons deveras sugestivos e pela canção Lemon Tree.

Cartoon: Alireza Karimi Moghaddam, iraniano

Anunciante: Jovem Pan FM. Título: Tree. Agência: AlmapBBDO. Direcção: Sérgio Amon. Brasil, 1998
Anunciante: Jovem Pan FM. Título: Árvore. Agência: AlmapBBDO. Direcção: Sérgio Amon. Brasil, 1998.
Peter, Paul and Mary – Lemon Tree. Peter, Paul and Mary. 1962

Melancolias

“La mélancolie, c’est le bonheur d’être triste / A melancolia é a felicidade de estar triste (Victor Hugo, Les Travailleurs de la mer, Tome II. 1892, p. 253).

Melancólico, em solidão; trágico, em companhia; quixotesco e grotesco nos entretantos. Melancolias e introspeções à parte, recomenda-se o artigo André Soares em Viana do Castelo.

Imagem: Vincent Van Gogh. Retrato de Dr. Gachet. 1890

Jacob Gurevitsch. Melancolia (ft Buika). 2022
The Moody Blues. Melancholy Man. A Question of Balance. 1970

Rescaldo, Van Gogh e Quartier Latin

Alireza Karimi Moghadam

O monte de Santa Tecla esteve em chamas. Ainda paira algum fumo. Consola-me um pequeno filme de animação dedicado ao Van Gogh da autoria do iraniano Alireza Karimi Moghadam que o Eduardo Pires de Oliveira teve a inspiração de me enviar. Revejo-o, volto a fazê-lo, e, nesta esquina à beira Minho, deixo-me embalar pelas memórias dos anos de estudante.

Filme de animação dedicado a Van Gogh por Alireza Karimi Moghadam, 2022

Recordo professores como Louis-Vincent Thomas ou Raphael Pividal e colegas como o colombiano Marino Trancoso, jesuíta companheiro de ousadias (falecido, atribuíram o seu nome a um dos principais auditórios da Pontificia Universidad Javeriana, de Bogotá) ou o sérvio Duško Lopandić, em cuja casa, em Tuzla, me atardei uma semana (foi ministro adjunto do governo sérvio e embaixador da Sérvia em Portugal e Cabo Verde, de 2007 a 2011). No que me concerne, regressei à terrinha há mais de quarenta anos. Melgaço e Moledo valem o desvio!

Ce quartier qui résonne dans ma tête
Ce passé qui me sonne et me guette (…)
Les années, ça dépasse comme une ombre (…)
Je r’trouv’ plus rien, tell’ment c’est loin, l’Quartier latin

Este bairro que ecoa na minha cabeça
Este passado que me toca e me espreita (…)
Os anos (ultra)passam como uma sombra (…)
Já não reencontro nada, tão distante está o Quartier Latin.

Léo Ferré. Quartier Latin (1967)

A cadeira vazia e o espírito de Van Gogh

Vincent Willem van Gogh. Van Gogh Chair With Pipe. National Gallery.

And I wonder if you know
That I never understood
That although you said you’d go
Until you did
I never thought you would

(Don McLean. Empty Chair. 1971)

Don McLean. Empty Chairs. American Pie. 1ª ed. 1971.
Don Mclean. Vincent. American Pie. 1971

Noite estrelada

Vincent van Gogh. Starry Night.1889.

Globalização. Disseminação. Apropriação. Não há sombra que não tenha a marca do sol. A globalização lembra a noite estrelada de Van Gogh. Uma pluralidade de focos de luz, todos em movimento. Na noite estrelada, tudo emite e tudo recebe luz. O meu rapaz mais novo mostrou-me um vídeo musical de uma banda rock japonesa. O rock anglo-saxónico foi farol que ofuscou o mundo. Mas acendem-se outros focos locais. Alguns com uma dimensão global, por exemplo, o pop/rock sul-coreano.

Ningen Isu. Heartless Scat. Japão. 2019.

Pavor eterno

Vincent Van Gogh. No limiar da eternidade. 1890 ( ano de sua morte).

Vincent Van Gogh. No limiar da eternidade. 1890.

Ao escrever o artigo Não me esqueças, ocorreram-me dois anúncios portugueses que abordam, também, a doença de Alzheimer: First Date, da Alzheimer Portugal e Alzheimer, do Instituto de Apoio à Criança. Este último segue uma fórmula conhecida: embarca-se num rio, a doença de Alzheimer, e desagua-se noutro estuário, os maus tratos a crianças. Comparado com o anúncio Forget Me Not, da Thai Life Insurance, o anúncio do Instituto de Apoio à Criança apresenta-se mais cerebral: reforça a razão em detrimento do coração, perdendo alguma imersão e emoção. Mas o conceito é brilhante: a dor e o medo, decorrentes dos maus tratos sofridos na infância, são eternos. Nem uma doença como a de Alzheimer consegue apagá-los da memória!

Edvard Munch. Ansiedade. 1894.

Edvard Munch. Ansiedade. 1894.

O anúncio do Instituto de Apoio à Criança corre um risco. Cruza imagens de dois sofrimentos: a doença de Alzheimer e os maus tratos às crianças. Não é, porém, líquido que duas imagens, ou duas emoções, se somem. Podem potenciar-se, adicionar-se, reduzir-se ou anular-se. Em criança, um livro dedicado às técnicas de judo ensinava que, durante a queda, importava bater com o braço no chão, gerando, assim, duas fontes de dor que se atrofiam mutuamente, numa espécie de engarrafamento neuronal. Por último, quando se juntam duas imagens, arrisca-se um eclipse: uma imagem pode sobrepor-se à outra.

Anunciante: Instituto de Apoio à Criança. Título: Alzheimer. Agência: Leo Burnett Lisboa. Direcção: Carlos Manga Jr. Portugal, 2006.

Divergência

Vincent Van Gogh

Vincent Van Gogh

Quanto mais me retiro da sociedade menos lhe sinto a falta. Os eremitas refugiavam-se nos desertos e nas montanhas menos para se aproximar de Deus e mais para se afastar dos homens. Van Gogh continua a tocar-nos muito mais do que nós alguma vez lhe tocamos. Barcos sem velas.

Marca: Coronation Fund Managers. Título: Vincent. Agência: J Squared. Direcção: Keith Rose. África do Sul, 2007.

Van Gogh animado

loving-vincentO meu rapaz mais novo volta a desafiar-me com o trailer do tão aguardado filme Loving Vincent. Trata-se de uma obra com financiamento coletivo a partir da plataforma Kicstarter. Dedicado a Vincent Van Gogh, é o primeiro filme de animação com pintura a óleo. Doze pinturas por segundo, a cargo de uma centena de pintores especializados. Confesso que não imaginava um filme de animação com o traço de Van Gogh. Em boa hora! Uma iniciativa extraordinária da Breakthru Films, vencedora de um óscar. Assim se saltam limites. Junto o trailer acompanhado pelo behind the scenes. Página do filme: http://lovingvincent.com/.

Loving Vincent. Trailer. Breakthru Films. Directores: Dorota Kobiela & Hugh Welchan.

Loving Vincent. Behind the scenes.

Vim para te dizer que vou embora!

Vincent Van Gogh. A Pair of Shoes, Paris, 1886.

Vincent Van Gogh. A Pair of Shoes, Paris, 1886.

Gosto de Serge Gainsbourg, uma espécie de sósia: torto, cavernoso e molesto. Gosto do Paul Verlaine, compositor de palavras, convocado em Je suis venu pour te dire que je m’en vais (1971). Gosto de Jacques Prévert, das “folhas mortas”, e da Chanson de Prévert (1961), de Serge Gainsbourg. Gostava de ir embora, mas o governo decretou um limbo profissional: entre a idade a que teria reforma e aquela que não sei se terei. Em tempo de crise, o envelhecimento também tem limites. Responsabilidades? Os governos já se pronunciaram: Portugal tem funcionários e os portugueses fazem compras. “Vou pedir contas ao mundo além naquele coreto”. Lá vai um! Lá vão dois! Três bancos a voar. Um pago eu, o outro pagas tu, o outro paga quem puder (paráfrase de José Afonso. Avenida de Angola. Traz outro amigo também. 1970).

Serge Gainsbourg. Je suis venu te dire que je m’en vais. Vu de l’extérieur. 1971.

Serge Gainsbourg. La Chanson de Prévert. L’étonnant Serge Gainsbourg. 1961.