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Água do deserto

Sony Bravia. Desert Water. 2019

Os anúncios da Sony são extraordinários. Efeitos visuais fabulosos e uma estética fantástica. No anúncio Desert Water, o som é vedeta. Sai, incluindo a voz de Grace VanderWaal, do próprio ecrã. Uma gota de água avoluma-se, através de um dominó de monitores, até se despenhar numa cascata. O som, portentoso, é imersivo. Tão real como o real!

Da série de anúncios a televisores da Sony, o meu preferido é o Balls, de 2005 (ver https://tendimag.com/2013/11/05/erupcao-de-cores/). Recordo, não obstante, o Strangely Beautiful / Ice bubbles, de 2014.

We soon see the beginning of life, as a single drop of water emerges into the scene through a BRAVIA AG9 TV. The drop turns into a river as the music grows to match its intensity and strength. As the spot leads us through an ever-emotive experience, we witness the river becoming a beautiful waterfall, a climatic finish that lets the viewer be immersed in sound and vision (Innocean).

Marca: Sony. Título: Desert water. Agência: Innocean. Reino Unido, Maio 2019.
Marca: Sony. Título: Strangely Beautiful / Ice Bubbles. Agência: Adam&Eve BBD (London). Direcção: Leila & damien de Blinkk. Reino Unido, 2014.

O empoderamento do público

France 3

Se bem me lembro, houve telenovelas cujo final era escolhido pelos telespectadores. Agora, graças às novas tecnologias, pode-se acertar, quase em tempo real e sem sair do lugar, no assassino de um thriller.

O canal de televisão France 3 propõe um jogo sentado com assistência electrónica. Parafraseando uma campanha publicitária da Citroen, “nem imaginamos o que a France 3 pode fazer por nós”. Assistimos ao “empoderamento” do público com espinafres digitais. A televisão tem a arte de fazer do espectador um actor, com telecomando em riste. Detectives caseiros passam a rivalizar em inteligência com o Sherlock Holmes (Arthur Conan Doyle), o Hercule Poirot (Agatha Christie) e o Nero Wolfe (Rex Stout). Parafraseando René Descartes (Discurso sobre o Método, 1637), as “celulazinhas cinzentas” são a coisa mais bem distribuída do mundo.

Marca: France 3 + Winamax. Título: La Forêt. Agência: Publicis Conseil. França, Novembro 2017.

A informação e a felicidade

Oreo

Publiquei o anúncio Biblioteca, da Oreo, no facebook, em 2011. Retomo-o. É uma delícia. Trata da felicidade com que tantas vezes nos desencontramos. Ando com um pensamento a estorvar-me a cabeça: onde pára a felicidade na televisão, designadamente na informação? Nos anos sessenta chamava-se à televisão a “caixa mágica”, encarada como uma adição da sociedade do consumo e da imagem. Da sociedade do consumo e da imagem, ainda não saímos. E a felicidade na informação televisiva continua rara. Parece ser mais natural gerar medo, insegurança e tristeza do que inspirar confiança, esperança e felicidade. Há atracção pela aflição? Compensa dramatizar o drama e exacerbar a tragédia? Palpita-me que a felicidade não mora na informação televisiva. E o golo? E a canção? E o senhor euromilhões? E os festivais? E a saída do lixo? São alegrias, emoções passageiras. A felicidade é um sentimento. Na “caixa mágica” até as alegrias tendem a definhar como uma realidade enrugada passada a ferro de engomar. Não é fácil contribuir para a felicidade alheia. Tão pouco para a própria. Importa a interacção e o calor humano. Conheci a Felicidade; era uma excelente pessoa; morreu há muito tempo.

Marca: Oreo. Título: biblioteca. Agência: Draftfcb Argentina. Director: Martín Hodara. Argentina, 2010.

Filhos da Revolução

Telenor

A descontinuidade da técnica na era da repetição cultural. Durante cinquenta anos, os rituais sucederam-se, apenas mudaram os objectos.

Marca: Telenor. Título: Telenor Mobile TV. Agência: Carbergs (Stockholm). Suécia, 2007.

Não resisto. Segue T. Rex, Children of Revolution. 1972.

T. Rex, Children of Revolution. 1972.

We Believe in entertainment!

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O homem é um animal de convicções! Os franceses não destoam. Durante a crise de 1973, lembraram-se do seguinte lema: “Os franceses não têm petróleo, mas têm ideias”. Ao contrário dos romanos, que são malucos, os franceses são experts em ideias fantásticas.

Obélix. Les romans sont fous

A BEPC Paris, uma das melhores agências de publicidade a nível mundial, confirma esta vocação nacional. O anúncio The Wise Man surpreende com um dos desfechos mais espantosos e irreverentes de que há memória. As figuras do presépio rendem-se aos encantos da televisão. Eis uma inspiração digna de quem lhe está a cair o céu na cabeça.

A França tem ideias! Mas não tem petróleo. O que é incómodo. Talvez um ajustamento desse jeito… Para começar, um programa ambicioso de benchmarking externo e interno… Por exemplo, apostar em converter ideias originais em porcaria de série. De preferência, porcaria de alta qualidade. Existem alguns casos de sucesso que podem servir como referência: no século XIX, os franceses ergueram uma ideia colossal, a Torre Eiffel; desde então, reproduziram milhões de miniaturas. A multiplicação do mesmo sempre rende petróleo.

Marca: Canal+. Título: The Wise Man. Agência: BEPC Paris. Direção: Gary Freedman/The Glue Society. França, Dezembro 2013.

Time no longer matters

Em “Como nunca ninguém viu: O olhar na publicidade” (in Imagem e Pensamento, Coimbra, Grácio Ed, 2011, pp 139-165), abordei a questão da propensão para a distorção do tempo no mundo contemporâneo, convocando uma dúzia de anúncios publicitários como exemplo. O tempo abranda, acelera, para, concorre com outros tempos. O tempo é cada vez menos mágico e cada vez mais alvo de magia. O artigo fecha com a análise de um anúncio em que um homem controla a marcha do tempo e do mundo com um comando de televisão. Este anúncio, uma paródia clara do Senhor dos Anéis, inscreve-se nesta tendência, subjectiva mas também objectiva, de relação distorcida com o tempo.

A Guerra dos Géneros

E se os canais e os géneros de televisão lutassem entre si para conquistar o ecrã? Desenhos animados pontapeados por bailarinas que agarram espadachins pelos cabelos… Um caos à altura da rave do Shrek. Mas há sempre uma solução. Neste caso, multiplicar os aparelhos de televisão para separar os beligerantes, no ecrã e no sofá… Nada como um mosaico para arrumar a vida!

Anunciante:  Charter. Título: Battle Royal. Agência: Fallon, Minneapolis. Direção: Rodrigo Garcia Saiz. EUA, Outubro 2012.