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Coroa de louros

Nike. Never stop winning. 2019

O futebol já não é o que era. Nunca foi! As mulheres jogam, treinam e sonham. No futebol, como no resto, aspiram ser as melhores.

Uma equipa feminina de futebol, a selecção americana, venceu o campeonato do mundo de futebol feminino de 2019. O sentido de oportunidade da Nike e a categoria da agência Wieden + Kennedy resultaram numa campanha de publicidade que alia visão, drama e emoção. Never stop winning estreou no dia 7 de Julho, dia da vitória da selecção americana.

Acrescento dois anúncios da Nike, do mesmo teor, publicados antes da edição do campeonato do mundo de futebol feminino (7 de Junho a 7 de Julho, em França): Dream with us (12 de Maio) e Dream further (1 de Junho). Estes hinos e chamamentos da Nike são excessivos, quase sagrados. Por feitio e por memória, dispenso as exaltações colectivas. Se visionar apenas um anúncio, Capta o essencial do dispositivo da campanha.

Marca: Nike. Título: Never stop winning. Agência: Wieder + Kennedy (Portland). Estados Unidos, Julho 2019.
Marca: Nike. Título: Dream Further. Agência: Wieder + Kennedy (Portland). Estados Unidos, Junho 2019.
Marca: Nike. Título: Dream with us. Agência: Wieder + Kennedy (Portland). Estados Unidos, Maio 2019.

Homenagem aos professores

Este anúncio é uma magnífica homenagem aos professores. Tem a marca do planeta do Principezinho. Tive bons professores. Estão a ensinar os anjos a voar sem asas. Sinto-lhes a falta. As ideias gostam de voar, nas nuvens ou nas aulas.

Carregar na imagem para aceder ao anúncio.

Teacher Training

Anunciante: Teacher Training. Título: Sonhos. Agência: Delaney Lund Knox Warren & Partners (London). Reino Unido, 1999.

O avô

René Magritte. O Libertador. 1947.

René Magritte. O Libertador. 1947.

Lançar um anúncio que dura seis minutos e meio é uma ousadia. Talvez a solução assente numa narrativa simples, em alguns gestos simbólicos, muita poesia, muita estética e muita emoção. É o caso do El Regalo, da marca Plátano de Canárias: a interacção resume-se a três gerações: o pai, o avô, mais a neta. A cumplicidade marca  relação do avô e da neta. Partilham uma carcaça de automóvel como portal para o sonho. Falecido o avô, o pai acaba por o substituir. Diz-se que “avô é pai duas vezes”. Mas tudo muda, até a mudança (Luís de Camões). Aproxima-se o tempo em que cumprirá ao pai ser avô duas vezes: do filho e dos netos. E, por último, quem sabe, o avô da santa casa da misericórdia.

Marca: Plátano de Canárias. Título: El Regalo. Agência: El Ruso de Rocky, Espanha, Dezembro 2017.

Em terras de Espanha, vem a preceito a canção El Abuelo, de Manolo Escobar.

Manolo Escobar. El Abuelo. Aromas. 1997.

O trenó dos hipermercados

Trenó Dinamarca

Imaginação, muita imaginação; vontade, muita vontade; e o sonho acontece. Voar num carrinho de compras que faz inveja ao trenó do Pai Natal. Os hipermercados têm a faculdade de transformar os desejos em realidades e as realidades em desejos (ver Albertino Gonçalves, 2002. Um perfume de utopia. Ir às compras ao hipermercado, Comunicação e Sociedade, Vol. 4, pp. 315-319).

Marca: Fotex. Título: Rollo the reindeer. Produção: Nobody Cph. Direcção: Rune Milton. Dinamarca, Novembro 2017.

 

O voo do avestruz

Samsung_OstrichDoWhatYouCant17

“Não se teria jamais atingido o possível, se não se houvesse tentado o impossível” (Max Weber, 2004, Ciência e Política: Duas Vocações, São Paulo, Editora Cultrix, p. 123).

Costuma dizer-se “enfiar a cabeça num buraco como um avestruz”. Mas o avestruz não enfia a cabeça em nenhum buraco; em caso de ameaça, coloca a cabeça junto ao solo com o pescoço esticado para se camuflar, à distância, como um arbusto ou uma pequena rocha. Quem enfia a cabeça na areia somos nós, os seres humanos. Tanto que as nossas cabeças ficam a chocalhar. O avestruz voa? Graças à realidade virtual e ao sonho. A ilusão e o sonho tornados vontade e a vontade, técnica e magia. Mais ou menos como voam os seres humanos. Mas há muito quem nem sequer descole.

O voo constitui um dos tópicos preferidos do Tendências do Imaginário. O anúncio da Samsung, Ostrich, é brilhante. A ideia é original e inesperada. A técnica soberba. A história bem contada, a sequência com a sombra no solo do avestruz voador perseguida pelos outros avestruzes é espantosa. O slogan é intemporal: Do what you can’t.

Marca: Samsung. Título: Ostrich. Agência: Leo Burnett Chicago. Direcção: Matthijis Van Heijningen. USA, Março 2017.

 

Rare Bird. Flight. As your mind Flies By. 1970.

Técnica de sonho

Dois sonhos tecnicamente assistidos. O automóvel foge da sombra. A agência de viagens corre atrás do coelho. Álgebra de Boole e reciclagem de fadas. Muitos efeitos, pouca narrativa. Muita imagem e boa música. Os sonhos são pessoais. Quando me oferecem sonhos não sei onde os meter. Na arte? Na imaginação? Na criatividade? Na libertação? Talvez no bolso ou na estante.

Marca: Audi A5. Título: Pure Imagination. Produção: Nexus Studios. Direcção: GMUNK. Reino Unido, Janeiro 2017.

Marca: Tjäreborg. Título : Down the Rabit Hole. Agência: Cassius, Hensinki. Direcção: Pekka Hara. Finlância, Janeiro 2017.

Paródia de uma utopia

Este artigo é do meu rapaz mais novo, o Fernando. Importa assegurar o futuro do blogue.

paprika

“Até as senhoras da corte dançaram ao ritmo das flautas e tambores dos sapos. O remoinho de papel reciclado era uma vista para se ver, como gráficos de computadores! … O frigorífico e a caixa de correio vão liderar o caminho… Caminhem juntos em frente, eu sou o derradeiro governador” (Paprika, 2006).

O tema do filme de animação Paprika, dirigido por Satoshi Kon em 2006, incide sobre o alcance dos sonhos.

A um dado momento, ocorre uma invasão, com a forma de uma parada de vários objectos. O sonho do consumismo. Quem é o sonhador desta parada? Não se sabe. Cada um entra na parada e integra-se como se fosse o seu sonho, cada um é o “derradeiro governador”, um individuo consumido pelo consumismo. O sonho que não é de ninguém mas de todos.

“Pergunto-me aonde se dirigia a parada. Sinto que estava mesmo perto de controlar o mundo.” Os participantes na parada sentem uma promessa, uma recompensa final. Contudo, esta é uma parada sem fim, uma viagem em espiral, crescendo aos círculos.

No final, a parada invade o mundo real. As pessoas vão-se transformando em objectos. O individuo vale o que possui.

Os anúncios e a própria internet não são mais do que formas de sonho. Um sonho que se aloja no subconsciente. Um jogo em que a realidade afeta os sonhos que, por sua vez, afetam a realidade, uma realidade onírica.

Reencontram-se muitas figuras e situações do filme Paprika no filme Inception lançado quatro anos depois, nomeadamente a interpenetração entre sonho e realidade.

Paprika.Satoshi Kon. Japão. 2006. Excerto.

 

Máquinas de sonhos

Samsung

O sonho é de todos os tempos. Nosso é o “admirável mundo novo” das máquinas oníricas. A Samsung e a Wieder + Kennedy resgatam o sonho do inconsciente para o tornar refém de uma extensão do corpo: a realidade virtual propiciada pelo Smartphone Galazy S7 Edge: “Dreams are awesome. And if you could experience anything in a dream just by putting a phone on your face, why wouldn’t you get that phone?” Outrora, sonhávamos com máquinas, hoje, sonhamo-nos em máquinas. Nos sonhos, voa-se e levita-se. Este anúncio não é excepção. “Quando um homem sonha” é uma quimera; quando muitos homens partilham o mesmo sonho é uma realidade, uma realidade colectiva.

O sonho é tema de inúmeras canções. Retenho duas: All I Have To do Is Dream (1958), dos Everly Brothers; e Dreamer (1974), dos Supertramp.

Marca: Samsung. Título: Dreams. Agência: Wieden + Kennedy (Portlland). Direcção: Adam Berg. USA, Abril 2016.

Everly Brothers. All I Have To Do Is Dream. 1958.

Supertramp. Dreamer. 1974.

 

Sonho à solta

“Que de sonhar ninguém se cansa” (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego).

honda-dreamer-print (1)O sonho saiu à rua! Com quatro rodas. Esgueirou-se pela nuca do criador. Coisa de pasmar, fantástica e surreal! Abram! Abram alas à imaginação que o Honda Civic vai passar. Num rodopio. Gosto da palavra rodopio: combina curva, movimento e velocidade. Num mundo em perpétuo inacabamento, a travessia segue os passos de Antonio Machado: faz-se andando. Acaba mal começa. Desfaz-se em metamorfoses e fragmentos num puzzle desconexo e acelerado de paisagens e figuras oníricas. Pictóricas: os volumes e as diferenças sobrepõem-se aos contornos e aos elementos. Este anúncio lembra os culpados do costume: Hieronymus Bosch, Peter Bruegel, René Magritte, Salvador Dali… Também lembra outros anúncios. No meio de tanta lembrança, também vem a propósito a Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz. Sonhem! Que “o homem é do tamanho do seu sonho” (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego).

Carregar nas imagens para aceder aos vídeos.

Honda the dreamerMarca: Honda. Título: The Dreamer. Agência: RPA. Direcção: Guto Terni, Sam Mason, Vinicius. USA, Dezembro 2015.

Berliotz Symphonie FantastiqueBerlioz: “Symphonie Fantastique” – 5th Mvt. – Leonard Bernstein

Os cães também sonham

Purina imagem

“Há muitos défices, mas talvez o mais importante neste momento seja o do sonho” (Manuel Alegre, DN, 16 de Abril de 2012).

Quatro patas aerodinâmicas e um pau. O pau é para o dono. Quanto maior melhor! Eis o sonho canino! Os cães sonham. O meu país, não sei!
Encontrei este anúncio nas catacumbas do grande arquivo electrónico. Bela fotografia, sequências magníficas, principalmente, na versão alargada (60 em vez de 30 segundos). Seleccionar HD.


Marca: Purina Pro Plan. Título: Fecht. Agência: Leo Burnet Chicago. Direcção: David Frankham. USA, 2013.