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Pintarolas carnais

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Baiser de l’Hôtel de Ville. Por Robert Doisneau. 1950.

A crer na publicidade, os Skittles, para além de minúsculos e coloridos, são irresistíveis e sexuados. No anúncio “Romance”, um novo Romeu (ou Cyrano de Bergerac) em vez de versos atira skittles para a janela da donzela, sofregamente engolidos, um a um, por um carrocel grotesco de glutões. O anúncio “Smile” surpreende com um beijo guloso capaz de superar o Beijo de Auguste Rodin ou o Beijo de l’Hôtel de Ville de Robert Doisneau.

Marca: Skittles. Título: Romance. Agência: Adam&eveDDB. Direcção: Harold Einstein. Reino Unido, Janeiro 2017.

Marca: Skittles. Título: Smile. Agência: DDB (Chicago). Estados Unidos, 2013.

O Preço da Ambição: de Midas a Skittles

Jean-Joseph Carriès. French, Self-Portrait as Midas also called the Sleeping Faun, French, ca 1885.

Jean-Joseph Carriès. French, Self-Portrait as Midas also called the Sleeping Faun, French, ca 1885.

Sensibilizado por Midas ter tratado bem Sileno, Dionísio pediu-lhe para formular um desejo e concedeu-lho: o dom de transformar tudo que tocasse em ouro. Midas depressa se deu conta que o desejo era uma desgraça. Não podia tocar em nada, incluindo a família, porque tudo logo se transformava em ouro. A sua sina era a morte, uma vez que nem sequer podia alimentar-se. A seu pedido, Dionísio retirou-lhe o dom. Midas é também conhecido pelas orelhas de burro. Júri numa competição entre a flauta de Pã e a lira de Apolo, atribuiu a vitória a Pã. Apolo, furioso, ataviou-o com orelhas de burro.
O anúncio Touch, da Skittles, de 2007, é uma réplica do toque de Midas numa sociedade de consumo. Tudo o que o protagonista toca transforma-se em Skittles.
Se calhar, também há quem tenha um dom alquímico parecido, mas ecológico: tudo o que tocam transforma-se em adubo.

Marca: Skittles. Título: Touch. Agência: TBWA/Chiat/Day – Los Angeles. Direcção: Tom Kuntz. USA, 2007.

Aberrações

A nova campanha da Skittles desdobra-se por cinco episódios. Todos começam com uma introdução que alerta para o seu conteúdo insólito e assustador. Convida-nos, também, a interagir colocando um dedo num ponto do ecrã.
Será que o repulsivo atrai? Será que as aberrações são encantadoras? Será que um beijo digital no nosso dedo de batráquio, ou o toque de uma mão de um zombie mutilado ou o esguicho verde ao jeito do Exorcista nos dá vontade de devorar miniaturas doces, coloridas e estaladiças? A publicidade da Skittles há muito que aposta no estilo  “galeria de monstros”. É um sinal de perseverança e eficácia.
Os monstros constituem figuras vazias, abertas e absorventes. Neles nos projetamos, como numa espécie de rorschach da literatura, da arte e da comunicação digital. São figuras ambivalentes em que os contrários se namoram e os extremos se tocam. De qualquer modo, os monstros atraem-nos. E têm uma longevidade espantosa: constam entre os inquilinos mais perenes da nossa memória. Somos uns papa-monstros ruminantes.

Marca: Skittles. Título: Princess. Agência: BBDO Toronto. Canadá, Março 2012.

Marca: Skittles. Título: Zombie Tennis. Agência: BBDO Toronto. Canadá, Março 2012.

Marca: Skittles. Título: Dr. Cyclops. Agência: BBDO Toronto. Canadá, Março 2012.