Tag Archive | sida

Canções frias

Klaus Nomi (1944-1983)

Gosto do Klaus Nomi, um cometa extraordinário que teve uma breve passagem pela música antes de ser vítima da sida em 1983. Quase todas as suas canções estão contempladas no Tendências do Imaginário. O que não me impede de continuar a procurar versões com melhor qualidade. Encontrei três respeitantes a outros tantos covers: The Cold Song, da ária What Power Art Thou?, da ópera King Arthur, de Henry Purcell (1691); Can’t Help Falling in Love, de Elvis Priesley; e Death, da ária Dido’s Lament, da ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell (1689). Com votos de frescos sentimentos!

Klaus Nomi. The Cold Song. 1981. Cover da ária What Power Art Thou?, da ópera King Arthur, de Henry Purcell, 1691.
Klaus Nomi. Can’t Hel Falling in Love. Cover de Elvis Priesley, Can’t Help Falling in Love, 1961.
Klaus Nomi. Death. Cover da ária Dido’s Lament, da ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell, 1689.

Chaves da vida

AIDS. Donnez l'Amour. 2017.

“Durante o ano 2015 foram diagnosticados em Portugal 990 novos casos de infeção por VIH (…) Foram notificados ao Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge 192 óbitos ocorridos em 2015, em pessoas com infeção por VIH” (Infeção VIH/SIDA: a situação em Portugal a 31 de Dezembro de 2015, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP, Nov. 2016)

Há sinais de que, na Europa, a preocupação com a prevenção da sida está a recrudescer. Ressurge, por exemplo, a publicidade de sensibilização. O anúncio francês Donnez l’Amour, da AIDES, é um exemplo. Sóbrio e elegante.

Não me ocorre doença que tenha suscitado tantos anúncios publicitários como a sida. Alguns são excelentes. Por exemplo, o Tectonique Mortelle, da Sidaction, de 2002.

Klaus Nomi morreu em 1983 vítima da sida. Cantor de culto, continua a ser homenageado. Acrescento um vídeo com a canção Keys of Life, acompanhada por imagens da performance “Klaus Nomi – Angel of Suburbia”, por Sven Henriksen, em Oslo, Noruega, em 2011. O artigo Desrazão inclui duas canções de Klaus Nomi: Total Eclipse e The Cold Song.

Anunciante: AIDES. Título: Donnez l’Amour. Agência: TBWAParis. França, Novembro 2017.

Anunciante: Sidaction. Título: Tectonique Mortelle. Agência: Euro RSCG Corporate. França, 2002.

Klaus Nomi. Keys of Life. Klaus Nomi. 1981. Imagens da performance “Klaus Nomi – Angel of Suburbia”, por Sven Henriksen, em Oslo, Noruega, 2011.

Desrazão

klaus Nomi. Uma das primeiras vítimas da sida

klaus Nomi. Uma das primeiras vítimas da sida

Le sida parle! Como Deus aos argentinos (Bendita bola). A sida, a epidemia mais mediática de sempre, é universal e imprevisível. Toca a todos, sem avisar. Como o beijo da morte. Depois de tanto alarido, o silêncio. Mas a magia tem limites. Não é porque a ignoramos que a sida desaparece. Je suis là! Nous sommes là, se calhar, menos prevenidos do que há alguns anos atrás. Um anúncio oportuno, que inspira a seguinte pergunta: quais são os critérios e os enredos da publicidade de sensibilização? O que justifica o apagão em torno dos riscos da sida? O que justifica, em contrapartida, que num único maço de cigarros se repitam dois anúncios de morte: de um lado, “Fumar mata” e, do outro, “Os fumadores morrem prematuramente”? Uns andam sobreavisados, os outros andam como andam. “ Morra Marta, morra farta”! Desrazoável. Estas linhas trazem-me à memória o cantor Klaus Nomi (1944-1983), uma das primeiras vítimas da sida. Seguem duas interpretações ao vivo. A primeira, Total Eclipse, foi retomada por vários grupos e cantores; a segunda, The Cold Song, a partir de King Arthur, de Purcell, é uma obra-prima, comovedora, tanto mais que nesta interpretação, em Dezembro de 1982, em Munique, Klaus Nomi já se sabia infectado pelo vírus da sida. Faleceu poucos meses depois, em Agosto de 1983. Sinto a falta de pessoas como o Klaus Nomi. Aparadores de relva há muitos.

Anunciante: AIDES. Título: Je suis là. Agência: WNP. França, Junho 2015.

Klaus Nomi. Total Eclipse. 1981.

Klaus Nomi. The Cold Song. Munique. 1982.

O sexo e a foice: o amor pode matar

O amor e a morte sempre andaram próximos, pelo menos, no imaginário. Que o diga Freud! Esta proximidade agudiza-se no caso das campanhas de prevenção da sida concebidas sob o signo do sexo e da foice numa entrega dos corpos sob o olhar da morte.

Anunciante: MTV Aids Awareness. Título: Train. Agência: Saathci & Saatchi. Itália, Novembro 2003.

Anunciante: Sida Info Service. Título: La mort vous regarde. Produção : La Station. Direção : Gérard Dufour. França, 2000.