Tag Archive | sex appeal

Coca-cola: A garrafa, a guerra e o sexo

Shapeways. Printed Coca-cola Bottles. 2015.

Shapeways. Printed Coca-cola Bottles. 2015.

A garrafa de coca-cola, não há mais famosa o mundo! Pelo conteúdo, pelas formas e pelas proezas. Quem consegue suspender uma batalha de que é o pomo da discórdia? Só um jovem e uma garrafa (vídeo 1)! Quem diz guerra, diz sexo. Tanatos e Eros. A garrafa é tão sensual! As curvas alongam-se, de fragmento em fragmento. Um toque a vidro fresco com gotículas de excitação (vídeo 2). Não sei se é isto o sex appeal do inorgânico de que fala Mario Perniola, mas é o sex appeal de que eu falo. A coca-cola não é, porém, um caso isolado. Com o devido respeito, é um caso retardado. Em 1976, a erecção de uma garrafa de Perrier culmina num simulacro de orgasmo (https://tendimag.com/2011/10/19/a-mulher-o-homem-e-o-objecto/). Em 2004, a Megapack excede-se com um strip tease frutado (https://tendimag.com/2014/09/10/pornografia-alimentar/). O mundo é garrafal!

Marca: Coca-cola. Título: Battlefield. Agência: McCann China. China, Julho 2015.

Marca: Coca-cola, Título: Curves. Agência: Wieden+Kennedy. USA, Fevereiro 2015.

A lâmpada de Aladino

 Calendário Pirelli. 2014

Calendário Pirelli. 2014

A dentadura luminosa nem sempre foi o mote dos anúncios da Happydent (ver https://tendimag.com/2014/08/27/dentes-brilhantes/). Na era da publicidade primitiva, antes da censura do nu feminino gratuito, o corpo da mulher era uma panaceia: até pastilhas elásticas vendia! Artes do sex appeal da mulher objecto! Era só esfregar os olhos, como lâmpadas de Aladino, e logo se insinuava uma miragem própria de calendários de empresas de pneus. Cruzes! Abençoado o bom senso que exorcizou esta praga. Vade retro, mulher objecto!
O vídeo deste anúncio, premiado em Cannes, não é em alta resolução. Passa assim despercebida qualquer imperfeição das “cirurgias plásticas”.

Marca: Happydent. Título: Cosmetic. Agência: Selection. Direção: Joe Ronan. Itália, 2003.

O apelo do objecto técnico

René Magritte. Ceci nést pas une pipe. 1928-29.

“O apelo do objecto técnico” é o título de um livro de José Neves (2007), que lembra outro livro: “o sex appeal do inorgânico”, de Mario Perniola (1994). Recorda, por último, a célebre mesa de Karl Marx que, uma vez mercadoria, se transforma “numa coisa ao mesmo tempo palpável e impalpável. Não se limita a ter os pés no chão; face a todas as outras mercadorias, apresenta-se, por assim dizer, de cabeça para baixo, e da sua cabeça de madeira saem caprichos mais fantásticos do que se ela começasse a dançar” (Karl Marx, 1867, O Capital, Volume 1, Parte I, Capítulo I, Secção 4). É óbvio que o berbequim de que vamos falar não possui a complexidade nem do objecto técnico, de José Neves, nem do inorgânico, de Mario Perniola, nem da mercadoria, de Karl Marx. Não obstante, do berbequim do anúncio da Byggmakker “saem caprichos fantásticos” e, se não dança, movimenta-se sedutor. Dança na nossa cabeça, com música sensual.

Marca: Byggmakker. Título: Drill. Agência: DDB (Oslo). Direção: Jens Lien. Noruega, 2006.

O sex appeal do berbequim afasta o homem da mulher e encanta-o com os seus movimentos mecânicos. Temos dedicado vários artigos à erótica dos alimentos. Chegou a vez da erótica das ferramentas. É curioso o que vai na cabeça dos publicitários. Melhor, o que eles pensam que vai na nossa…