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Harmonium: Histórias sem palavras | Como um tolo

Harmonium (1972-1978)

Tenho uma memória instantânea de grilo ou, se se preferir, de galinha. Em contrapartida, não me queixo da memória que apelido subterrânea, arqueológica. Os fantasmas do mais recôndito purgatório do passado acodem-me à consciência como pirilampos, emergindo sem convite nem cerimónia.

Acaba de acontecer com os Harmonium, um grupo francófono do Québec (Canadá), criado em 1972 e ativo até 1978. Publicaram três álbuns de estúdio: Harmonium (1974); Si on avait besoin d’une cinquième saison (1975); e L’Heptade (1976). O rock progressivo dos Harmonium aproxima-os de bandas tais como os Camel ou os Renaissance, mas com muito menos reconhecimento. À semelhança de outras bandas, reuniram-se cerca de quarenta anos depois, já mais amadurecidos, para reeditar álbuns e tocar em concertos ao vivo. Seguem: 1) um pequeno excerto do concerto sinfónico Harmonium Symphonique, publicado em 2021; 2) a interpretação integral ao vivo, em 2017, da música Histoires sans paroles (original de 1975); e 3) a canção Comme un fou, remasterizada, do álbum L’Heptade (1976).

Muito poucos conhecerão a música dos Harmonium. Passados tantos anos, reconheço-me nela. Acredito que nos identificamos menos pelo que comungamos e mais pelo que nos distingue.

Histoires sans paroles (excerto). Harmonium Symphonique / Histoire sans paroles, 2 CD, 2021.
Harmonium. Histoires sans paroles. Si on avait besoin d’une cinquième saison. 1975. Ao vivo em St. Hilaire, 2017.
Harmonium. Comme un fou (remasterisé). L’Heptade. 1976.

Triumvirat

triumvirat_uk1É hora de dar folga aos olhos. Os Triumvirat são um grupo alemão de rock progressivo activo entre 1969 e 1980. Publicaram sete álbuns, mas passaram algo despercebidos num tempo em que a concorrência era dura. Poucos jovens dos anos setenta os conheceram, muito menos dos anos 2010. Encontrar alguém que goste dos Triumvirat é como fotografar um extraterrestre na praia de Copacabana. Não conhecer e, eventualmente, não gostar é recomendável. Gostar é apegar-se. E apegar-se é abdicar de liberdade líquida. Apegar-se? É melhor escorregar! Aprecio o modo como os Triumvirat combinam ritmo e melodia. Seguem um pequeno excerto (Dawning), do álbum Illusion On A Double Dimple, de 1974 (ouvir álbum em: https://www.youtube.com/watch?v=gWOY4uLpxgI), e a canção The Deadly Dream Of Freedom, do álbum Spartacus, de 1975 (ouvir álbum em: https://www.youtube.com/watch?v=SNY8JqtYmcU).

Triumvirat. Dawning. Illusion On a Double Dimple. 1974.

Triumvirat. The Deadly Dream Of Freedom. Spartacus. 1975.

Psico

Psico

Psico

O mais tardar em 1975, assisti a um concerto dos Psico junto à Sé de Braga. Com o Álvaro e o John. Fugimos do colégio. Ainda o concerto ia no início, avisaram-nos que o director andava à nossa procura. Pernoitámos na casa de uma “tia” fictícia, que nos devolveu ao colégio, de madrugada, com uma história insustentável. Na verdade, o importante não era a história, mas o desfecho.

Os Psico, do Porto, criados em 1968, editaram um único single com as músicas: A. Als e B. Epitáfio. Uma raridade!

Psico. Als & Epitáfio. 1978.

Primeiro single dos Pink Floyd

 

Pink Floyd. Arnold Layne. 1967

Hoje não me apetece elaborar. Fim de mês, fim de férias. Nem mísera crítica, nem piada incógnita. Vou apenas anexar o videoclip da primeira música publicada pelos Pink Floyd: Arnold Layne, single, 1967.

Pink Floyd. Arnold Layne. 1967.

Já agora, no mesmo ano, 1967, a outra grande banda do rock progressivo britânico dos anos sessenta, The Moody Blues, lança o segundo álbum (LP): Days of Future Passed, com Nights in White Satin. Carregar na imagem para aceder.

Moody Blues

The Moody Blues, Nights in White Satin, ORTF, França, 1969.

Tangerina Electrónica

Os Tangerine Dream são uma banda alemã de rock progressivo formada em 1967. Ainda em atividade, foram, com os kraftwerk, pioneiros da música eletrónica. Publicaram mais de meia centena de discos. Stratosfear não é das músicas mais populares, nem das mais elaboradas. É, contudo, aquela que quando penso Tangerine Dream logo me vem à memória. Integra o álbum homónimo editado em 1976. Quem tiver a paciência de a ouvir, será regalado com alguns trechos compensadores. Para acompanhar, juntei umas tantas imagens das capas dos discos.

Tangerine Dream. Stratosfear. Stratosfear. 1976.

Renaissance

Lembra-se dos Renaissance? Não são do seu tempo? Passou ao lado? Esqueceu? É bom recordar. Se não, um dia, uma pessoa acorda e ainda pensa que nasceu com 53 anos. Os Renaissance eram uma banda de rock progressivo. Editaram os primeiros discos em 1969. “Mother Russia” é uma faixa do álbum Turn of the Cards, de 1974.

Renaissance: Mother Russia. Turn of the Cards. 1974.

Pássaros Raros

Este é um artigo de que ninguém vai gostar. Ideia puxa ideia, e sai asneira. Os Rare Bird têm nome de pássaro e canções que voam. Há dias, num intervalo entre filmagens, abordou-se a especificidade das bandas alemãs (Can, Tangerine Dream, Triumvirat) no panorama musical dos anos 60 e 70. Os Rare Bird podiam ser alemães, sobretudo pelo papel atribuído às teclas. Mas não, são britânicos de gema. Por acaso, foi um casal alemão que, na ex-Jugoslávia, me falou desta banda. Adquiri este LP (As your mind flies by, 1970) baratinho, graças a um defeito na capa. Os Rare Bird não são conhecidos. Nem agora, nem sequer nos anos 70. A sua música, e esta canção em particular, concentra as virtudes e os defeitos do rock progressivo: criativo e excessivo. Segue a canção que dá nome ao álbum, sem enfeites especiais.

Rare Bird. As your mind flies by. 1970.