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Falsificação

Réplica de um elmo encontrado em Sutton Hoo, na sepultura de um líder anglo-saxão, datado provavelmente de 620.

Existem falsidades disfarçadas que representam tão bem a verdade que seria errado não se deixar enganar (La Rochefoucauld. Réflexions ou sentences et maximes morales. 1664).

A Falsificação de informação e de mercadorias revela-se preocupante, atendendo, sobretudo, às características da circulação actual de bens e notícias. Comporta consequências mais graves do que muitas gravidades em voga. Criada em 1985, em França, e sediada em Paris, Repórteres Sem Fronteiras é uma organização internacional estimável, num mundo “armadilhado” (Isabelle Mayereau).

Anunciante: Reporters Sans Frontières / RSF. Título: Fight Fake News. Agência: BETC (Paris). França, Maio 2018.
Isabelle Mayereau. Piège à rats. 1982.

Piège à rats
Quand on ne sait pas
Quand on ne veut pas
C’est qu’on n’ sait pas où l’on va
On regarde là
On regarde pas
Parce qu’on n’ sait pas où l’on va
On sait pas
Quand on ne dit pas
Quand on ne dit plus
C’est qu’on a perdu le droit
De placer sa voix
Solitaire et nue
Sur l’échiquier des grands rois
Des grands rois
On se dit qu’on a
Deux chances sur trois
De tomber dans l’ piège à rats
Tomber
Puis, on joue sa vie
À “bouffe pasn merci”
À quoi ça sert une vie?
Puisque les canons
Ont fait la chanson
Pourquoi parler de raison
De raison?
Quand on ne voit pas
Quand on ne voit plus
C’est qu’on a perdu le choix
Le choix de sa vie
Le choix de ses mots
Faut partir avant l’ennui
Partir
Partir
Quand on ne sait pas
Quand on ne veut pas
On regarde là
On regarde pas
Parce qu’on n’ sait pas où l’on va
Je n’ sais pas

Um bar do outro mundo

Lega double face mask , D.R.CONGO. Old collection – Catawiki.

No além, existe um bar frequentado por mortos célebres, entre os quais Shakespeare, John Lennon, Frida Kahlo, a Princesa Diana, Che Guevara e Steve Jobs. Numa espécie de sessão de grupo, cada cliente revela a causa da sua morte. Chega a vez de um jovem, que, embaraçado, confessa que morreu “texting”, a teclar no telemóvel. “Estúpido”! Exclamam, em conjunto, os outros clientes. O vício é tão terrível que o jovem, mesmo morto, continua agarrado ao telemóvel. O anúncio The Afterlife Bar, da Transport Accident Comission, é criativo, consistente e incisivo. A realizadora tem 20 anos de idade.

Pelos vistos, o telemóvel nasceu com uma semente do mal. Socorre-nos o exorcismo mediático dos pecados e das ameaças que rondam os incautos. Mas o exorcismo coexiste com a celebração. O telemóvel é o maior maná, a maior pérola técnica, da história da humanidade. É acessível, mágico, adorado, disponível e fácil de consumir. Colmatou abismos, egoístas, lúdicos e comunicacionais, antes insuspeitos. Oferece-se, no entanto, como uma máscara bifacial: perfeito no geral, perigoso no particular; benéfico, por princípio, maléfico, por consequência.

Oportuno, o anúncio Netflix, da Bouygues Telecom, aponta soluções para contrariar o vício do telemóvel. A bateria e a televisão, por exemplo. O vídeo, que dura 90 segundos, assume-se como um jogo: contém 20 referências as séries Netflix. Enfim, existem pormenores que sensibilizam: Bella Ciao, uma das canções mais emblemáticas da resistência italiana durante a Segunda Grande Guerra.

Marca: Transport Accident Commission Victoria. Título: The Afterlife Bar. Agência: Taboo. Direcção: Alyssa De Leo. Austrália, Agosto de 2019.
Marca: Bouygues Telecom. Título: Netflix. Agência: BETC Paris. Direcção: Adrien Armanet. França, Julho 2019.

Do avesso

Assembly Anchor

Promover o leite deste jeito é, no mínimo, original. Um vídeo intertextual com imagem a preto e branco. Às vezes, parece arte. E para namorar a arte, é preciso talento.

Marca: Anchor. Título : Inside-out. Agência : Colenso BBDO (Auckland). Nova Zelândia, Abril 2017.

A Importância da Rosa

“- As crianças passam 44 horas por semana frente a um ecrã.
– 93% das crianças não cumprem as sete horas recomendadas de actividade física semanal.
– As crianças têm cada vez menos interacção social com cada vez menos pessoas.
-Hoje, as crianças têm uma esperança de vida mais curta do que a dos seus pais.
– Que tal se focássemos a nossa energia nas coisas que são realmente importantes?”

Anunciante: YMCA of Greater Vancouver. Título: What Really Matters. Agência: Station X Vancouver. Canadá, Outubro 2012.

“- Que quer dizer “cativar”?
– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
– Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”?
– Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
– Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”
– Criar laços?
– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
– Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…”

Para ver a totalidade do capítulo XXI de O Principezinho de Saint Exupéry: http://triplov.com/walkyria/saint_exupery/capitulo21.htm.

Capuchinho vermelho na era digital

Dantes, o capuchinho vermelho perdia-se na floresta; agora, expõe-se nas redes sociais. Já não é uma donzela campestre, mas uma “noiva electrónica”. Nem sequer os prazeres são os mesmos. No tempo de Perrault, colhia flores para meter na boca do lobo. Agora, é só posicionar o cursor, abrir o ficheiro e fazer downloads e uploads.

Anunciante: Facemoods‘ Online Safety Kit. Título: Little Red Riding Mood. EUA, 2011.