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Infância

Uma pausa na publicidade e na escrita, para intercalar a escuta. Duas canções de Patti Smith: a primeira, Mother Rose, dedicada à maternidade, para massajar os sentidos e o cérebro; a segunda, dedicada a Tarkovsky, com imagens da sua casa de infância, para perturbar o cérebro pelos sentidos.

Patti Smith. Mother Rose. Trampin’. 2004.
Patti Smith. Tarkovsky (The Second Stop Is Jupiter). Banga. 2012.

Os Punk e as aulas não presenciais

The Offspring

Este semestre dou aulas por teleconferência. Sou uma imagem digital. Os alunos moram algures do outro lado do ecrã. Não ligam as câmaras. Televisão versus rádio. É este o retorno. A participação dos alunos é mínima. Exceto no intervalo. Digo disparates e eles verdades. Recomeçada a aula, arrefece a comunicação. Para a próxima, a aula vai ser toda um intervalo.

Hoje, durante a aula, abordámos o imaginário grotesco. Deu-se o exemplo dos punk. Lembrei-me da banda The Offspring. Seguem três vídeos. O segundo é um caso sério de grotesco.

The Offspring. Self Esteem. Ao vivo em 1998. Álbum Smash. 1994.
The Offspring. The Kids Aren’t Alright. Americana. 1998.
The Offspring. You’re Gonna Go Far, Kid. Rise and Fall, Rage and Grace. 2008.

Pare, escute e sente-se!

Nina Hagen. 1981.

Estou a escrever um texto que não me inspira. Mal começo, as letras rastejam para fora do ecrã. Só um milagre me impede de apertar o pescoço ao pensamento: Nina Hagen, a “rainha do punk”. Voz única, música única, coreografia única, imagem única. Tudo único. Lembra o Klaus Nomi. Estou com saudades de cultura fresca servida num espetáculo estranho, corrosivo e pujante. Nina Hagen interpreta o African Reggae no programa de Michel Drucker na Televisão Francesa, em 1980 (?).

Nina Hagen. African Reggae. Nunsexmonkrock. 1982. Ao vivo na Televisão Francesa em 1980.

Planar

Plastic 2“Ça plane pour moi” é o título de uma canção de Plastic Bertrand (1977). Foi um sucesso surpreendente em França, mas também no estrangeiro. Foi adoptada por vários anúncios publicitários e foi alvo de vários covers (Leila K., Sonic Youth, Nouvelle Vague). Representou uma lufada de ar punk. A letra lembra uma fatrasia medieval, uma poesia cujas palavras e frases não têm nexo nem sentido, subordinando-se à sonoridade e a eventuais alusões subentendidas.

Plastic Bertrand. Ça plane pour moi. 1978.

Ça plane pour moi (letra)

(Wham! Bam!)
(Mon chat ‘Splash’)
Gît sur mon lit
A bouffé sa langue

En buvant
(Tronc)
Mon whisky
Quand moi

Peu dormi, vidé, et brimé
J’ai du dormir dans la gouttière
Où j’ai eu un flash
Hou! Hou! Hou! Hou!
En quatre couleurs

Allez hop!
Un matin
Une
(Louloute)
Est venue chez-moi

Poupée de Cellophane
Cheveux chinois
Un sparadrap
Une gueule de bois

A bu ma bière
Dans un grand verre
En caoutchouc
Hou! Hou! Hou! Hou!
Comme un indien dans son igloo

Ca plane pour moi
Ca plane pour moi
Ca plane pour moi, moi, moi, moi, moi
Ca plane pour moi
Hou! Hou! Hou! Hou!
Ca plane pour moi

Allez hop! La nana
Quel panard!
Quelle vibration!
De s’envoyer

Sur le paillasson
Limé, ruiné, vidé, comblé
“You are the king of the divan!”
Qu’elle me dit en passant
Hou! Hou! Hou! Hou!
I am the king of the divan

Ca plane pour moi
Ca plane pour moi
Ca plane pour moi, moi, moi, moi, moi
Ca plane pour moi
Hou! Hou! Hou! Hou!
Ca plane pour moi

Allez hop!
T’occupe, t’inquite
Touche pas ma plante
It’s not today

Quel le ciel me tombera sur la tte
Et que l’alcool me manquera
Hou! Hou! Hou! Hou!
Ca plane pour moi

Allez hop! Ma nana
S’est tirée
S’est barrée
Enfin c’est
(Marre)
tout casser

L’vier, le bar me laissant seul
Comme un grand connard
Hou! Hou! Hou! Hou!
Le pied dans le plat

Ca plane pour moi
Ca plane pour moi
Ca plane pour moi, moi, moi, moi, moi
Ca plane pour moi
Hou! Hou! Hou! Hou!
Ca plane pour moi

Ca plane pour moi
Ca plane pour moi
Ca plane pour moi, moi, moi, moi, moi
Ca plane pour moi.