Um Mundo Bobo
Desde Pitágoras e Aristóteles que a terra é um globo. Sempre a globalizar-se. Hoje, globalização é uma palavra mestre. Sem deixar de ser grande, o mundo está a ficar mais pequeno… Comprime-se. Aumenta a acessibilidade e a exposição. E o tempo? Será que a abertura espacial se presta a um encolhimento do tempo, designadamente histórico? Quanto mais nos perdemos no tempo, mais pressentimos a estreiteza do espaço. Um espaço sem distância e um tempo sem espessura. Acode-me um conceito, ora pedante, ora vadio, de uma certa tradição marxista (Georg Lukacs, Lucien Goldmann, Joseph Gabel, Herbert Marcuse, Karel Kosic): reificação. Folhas sem tronco nem raiz; flores sem terra. Em tempos idos, alguém concebeu um mundo globalizado bobo. Quatro séculos depois, estamos a vivê-lo.
Pousio político
Em Novembro de 2013, em Portugal, a taxa do desemprego jovem (com menos de 25 anos) era 36,8%, contra 15,5% no conjunto da população. Na União Europeia, em Outubro de 2013, a taxa do desemprego jovem (24,4%) era o dobro da geral (12,1%). Na mesma data, o desemprego jovem atingia 58,0% na Grécia, 57,4% em Espanha e 52,4% na Croácia.
Esta geração não é apenas a mais qualificada de sempre, evidencia uma disponibilidade para a actividade profissional notável.
Ocorre-me uma conjectura estúpida: se as nossas sociedades não têm, agora, lugar para os mais jovens, talvez, num futuro próximo, não tenham lugar para os mais velhos. Entretanto, a política continua de pousio…
Com o Estado às Costas
Quando observamos, obcecamos. A realidade dança com os nossos fantasmas. Depois de aquecer o olhar com alguns cartoons (ver galeria), o que vislumbramos no anúncio Carry, da Adidas (2004)? O trabalhador português sobrecarregado com taxas e impostos?
- Fig 1. Quino
- Fig 2. Quino
- Fig 3. Plantu
- Fig 4. Plantu
- Fig 5. Rafael Bordalo Pinheiro
- Fig 6. António Maia
Marca: Adidas. Título: Carry. Agência: TBWA\CHIAT\DAY, USA, San Francisco, Direção: Chuck McBride. EUA, 2004.










