O Rito da Primavera

Não é possível suspender as palavras. Não o permite o sentido do mundo. Mas, às vezes, apetece. Apetece o silêncio das palavras caladas.
Pausa para trabalhar

“Durante muito tempo, pensei que o papel do artista era despertar o público. Hoje, quero oferecer-lhe no palco aquilo que o mundo, cada vez mais duro, deixou de lhe oferecer: momentos de amor puro (Pina Bausch).
A pandemia comprime o tempo e multiplica os surtos de trabalho. Julho revelou-se um pico maior que o Evereste. Ocorre a figura do judeu em terras de faraó a subir a montanha de costas. Nos próximos tempos, prometo empenhar-me em fazer aquilo que não presta, bem como aquilo que não devo. Que prazer poder e não fazer, ouvir as sereias junto à Ilha dos Amores. O Tendências do Imaginário esteve onze dias quedo e mudo. É estranho ter saudades do vício. “O trabalho não liberta”, tal como o resto. “Welcome to the pleasuredome” (https://tendimag.com/2018/06/19/canteiros-do-prazer-pleasuredomes/).
Pina Bausch é a dança. Wim Wenders dedicou-lhe um filme: Pina (2011). O vídeo “Seasons March” é um excerto. A última música é um fado de Coimbra: “Os teus olhos são tão verdes”. Aproveito para recolocar o vídeo “Dead Can Dance – Song of the Stars (Versão Pina Bausch”. Se já viu, é uma ocasião para ver com outros olhos.
Dead Can Dance e Pina Bausch
A Isabel enviou-me este vídeo: Song of the Stars, com Dead Can Dance e Pina Bausch. Um cocktail fantástico para o início de Setembro, o mês onde tudo começa verdadeiramente (“c’est em Septembre que tout commence pour de vrai”, Gilbert Bécaud, C’est en Septembre, 1978).
Dead Can Dance / Pina Bausch. Song of the stars.
A dança da vida
Uma antiga aluna colocou este trailer (Pina, de Wim Wenders, 2011) no meu mural, acompanhado com estas amáveis palavras: “Enquanto via este filme só me lembrava das suas aulas e de Elias”. Resta-me pegar no trailer com muito cuidado e gratidão, como quem pega numa rosa, e plantá-lo no blogue.

