Tag Archive | Paul Verlaine

Música lenta

Les sanglots longs des violons de l’automne blessent mon coeur d”une langueur monotone.(Paul Verlaine)

Afinal, no programa “A Voz do Cidadão” de hoje foi só questão das RTP Açores e Madeira. Precipitei-me. Se houver algo aproveitável, passará quando passar. Mais do que a conferência “Vestir os Nus”, esta entrevista à RTP1 teve o condão de entreabrir um postigo mais fechado do que aberto. Algumas músicas de filmes tidos como eróticos tiveram o seu momento de celebridade. Destaca-se Emmanuelle, composta, tal como Bilitis e Love Story, por Francis Lai. Uma outra também se aproximou: a banda sonora do filme de culto do género, Histoire d’O (1975), composta por Pierre Bachelet. Das 14 faixas, retenho 4. Depois do tango, o slow.

Histoire d’O, do filme Histoire d’O. Compositor: Pierre Bachelet. 1975
O’ Et Le Chateau de Roissy, do filme Histoire d’O. Compositor: Pierre Bachelet. 1975
Tout celà est pour toi, do filme Histoire d’O. Compositor: Pierre Bachelet. 1975
O’ Comme Histoire d’O, do filme  Histoire d’O. Compositor: Pierre Bachelet. 1975

Amor tranquilo

Land Rover The road

“Les sanglots longs des violons de l’automne blessent mon cœur d’une langueur monotone. Tout suffocant et blême, quand sonne l’heure, je me souviens des jours anciens et je pleure ; et je m’en vais au vent mauvais qui m’emporte deçà, delà, pareil à la feuille morte” (Paul Verlaine ; Poèmes saturniens, Chanson d’automne, 1866).

Gestos serenos em equilíbrio, uma beleza poética sem Adónis, nem Afrodite. Uma cumplicidade subcutânea. Como cabe tamanha delicadeza num anúncio a um carro? A harmonia e a lentidão são quebradas por um fluxo vertiginoso de memórias, numa câmera acelerada. Travessia, vertigem, aventura… Um anúncio dentro do anúncio. O Land Rover faz 75 anos. O casal ronda essa idade. No anúncio The road, o motor e o coração cruzam-se e pulsam a várias velocidades. “Uma vida juntos” num romance sobre rodas.

Marca: Land Rover. Título: The road. Produção: Kite Rock Pictures. Direcção: Fran Mendez. Estados Unidos, Março 2018.

Vim para te dizer que vou embora!

Vincent Van Gogh. A Pair of Shoes, Paris, 1886.

Vincent Van Gogh. A Pair of Shoes, Paris, 1886.

Gosto de Serge Gainsbourg, uma espécie de sósia: torto, cavernoso e molesto. Gosto do Paul Verlaine, compositor de palavras, convocado em Je suis venu pour te dire que je m’en vais (1971). Gosto de Jacques Prévert, das “folhas mortas”, e da Chanson de Prévert (1961), de Serge Gainsbourg. Gostava de ir embora, mas o governo decretou um limbo profissional: entre a idade a que teria reforma e aquela que não sei se terei. Em tempo de crise, o envelhecimento também tem limites. Responsabilidades? Os governos já se pronunciaram: Portugal tem funcionários e os portugueses fazem compras. “Vou pedir contas ao mundo além naquele coreto”. Lá vai um! Lá vão dois! Três bancos a voar. Um pago eu, o outro pagas tu, o outro paga quem puder (paráfrase de José Afonso. Avenida de Angola. Traz outro amigo também. 1970).

Serge Gainsbourg. Je suis venu te dire que je m’en vais. Vu de l’extérieur. 1971.

Serge Gainsbourg. La Chanson de Prévert. L’étonnant Serge Gainsbourg. 1961.