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Entre gerações

Dad Wind

Às vezes, vale a pena apostar quatro minutos. Há jogos em que só perde quem não dá. Dar, pelo menos, quatro minutos. Aprecio tanto este anúncio que o republico. Pela narrativa, pela imagem, pelo realizador, Giuseppe Capotondi, pela música, To build an home, dos The Cinematic Orchestra, e pelo país, a Itália.

Marca: Wind Mobile. Título: Papà. Agência: Ogilvy & Mather Milan. Direcção: Giuseppe Capotondi. Itália, Setembro 2014.

Iluminar o som

promart

Depois da fumaça, a bonança. O sol brilha por baixo das nuvens. Neste anúncio, todo amor e ternura, o pai, atormentado com o sofrimento da filha, surda, descobre uma solução: iluminar o som.

Marca: Promart Homecenter. Título: The Perfect Daughter. Agência: Fahrenheit DDB, Lima. Direção:  Ricardo Chadwick. Perú. Janeiro 2014.

Tecnocracia assertiva

Pais fumadores vão ter cadastro

Governo quer mudar lei do tabaco. Cadastrar os pais que fumam é uma das decisões mais polémicas.

No próximo ano, os hábitos tabagisticos dos pais devem passar a ficar registados por escrito no Serviço Nacional de Saúde e no boletim infantil das crianças. Saber se os pais fumam em casa, no carro e quantos cigarros por dia são algumas das questões que vão ser colocadas, numa nova orientação defendida por vários especialistas em saúde pública.

Segundo o semanário Expresso, outros médicos consideram estas propostas muito radicais por responsabilizarem os pais pelas doenças dos filhos. A par do cadastro, diz o jornal, o Governo decidiu que as campanhas publicitárias sobre os ‘perigos’ de fumar em casa ou no carro vão ser muito mais assertivas (Diários de Notícias, 23.11.13).

Há masoquistas que ajudam quem os persegue. O governo da República prepara-se para cadastrar os pais fumadores no Serviço Nacional de Saúde. Uma medida profilática que só peca por tardia! Sobretudo quando, em Portugal, a mortalidade infantil aumentou de 2,5 em 2010 para 3,1 em 2011. Cadastrar é pouco! Obriguem-se os pais fumadores a andar com uma beata luminosa ao peito! Houve casos semelhantes na história da humanidade. Estigma por estigma… O mais ajustado seria exterminá-los! Em câmaras de fumo… Os fumadores são os suicidas mais ineficazes, mais lentos, mais estúpidos, mais incómodos e mais caros de que há memória.

A Comunidade Europeia é o primeiro espaço de cidadania em que a tecnocracia substituiu a política. Portugal integra a Comunidade Europeia, em bicos de pés e com a corda ao pescoço, bom aluno entre os piores. Importa contribuir com euros e com ideias. Junto um anúncio de sensibilização Plain Packaging, do Cancer Research UK. Falha inadvertidamente o alvo: visa as tabaqueiras e as embalagens em vez dos pais fumadores. Nem tudo pode ser perfeito. A cada um os seus santos e os seus demónios. Invade-me uma melancolia às avessas: voltam os velhos espectros…

Anunciante: Cancer Research UK. Título: Packaging. Agência: BBDO. Direção: Rob Chiu. UK, Novembro 2013.

Virando o bico ao prego

Quando escrevi que “os fumadores são os suicidas mais ineficazes, mais lentos, mais estúpidos, mais incómodos e mais caros de que há memória” não estava a ser irónico. Poucas decisões são mais estúpidas do que começar ou continuar a fumar. Pouco se ganha e perde-se imenso. Trata-se de um suicídio lento com um fim provavelmente doloroso. Um fumador sente-se a morrer aos poucos. Vai perdendo faculdades e somando problemas. Nas nossas sociedades, o fumo de cigarro tornou-se efetivamente incómodo. Biológica, psicológica e socialmente. Comporta riscos de saúde pública. O primeiro cigarro começa, muitas vezes, como um ritual de adesão a uma tribo de pares. Neste momento, afasta as pessoas. Dificulta a interação social. É repelente, centrífugo. Em casa, no trabalho e na rua. Incómodo transversal, cola-se como uma segunda pele. Trata-se de um hábito caro, que empobrece o fumador, a família, a sociedade e o Estado. O fumador é uma miniatura contemporânea do imperador Nero: à sua escala, queima riqueza e esfuma saúde.

Não sei por que escrevinhei este parágrafo. Toda a gente sabe! Escrever o que toda a gente sabe é tontice ou vaidade. Detesto desperdiçar letras. Se calhar, trata-se de um variante de penitência. Só tamanho acto de contrição pode demover a família do propósito de comprar uma grua para me pendurar a fumar nas alturas.