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Para onde vão os mortos?

Agrupamento de Escolas de Briteiros. O Dia dos Mortos.

Hoje, temos direito a um comentário trifásico.

No dia dos mortos, solta-se a sede de cerveja. Ontem, a Budweiser brasileira, hoje, a mexicana Victoria. “A dónde vamos ao morir?” Para o nada abismal ou para a vida eterna? Cristo desceu ao inferno e regressou. E ressuscitou ao terceiro dia. As almas aguardam, pacientes, o Juízo Final. E os mortos visitam-nos… A última viagem, a passagem, permanece a nossa inquietação. Original e criativo, tecnicamente esmerado, o anúncio da Budweiser fascina os nossos fantasmas: pelos vistos, pixel a pixel, existe uma ligação biunívoca entre os vivos e os mortos.

Marca: Victoria. Título: Xibalba. A dónde vamos ao morir? Agência: Ogilvy Mexico. Direcção: Salomon Ligthelm. México, Outubro 2019.

Melgaço regressa à “noite dos medos”, um delírio mais celta do que maia. A bebida, agora, é a queimada. A procissão lembra a Santa Companhia (https://tendimag.com/2016/12/26/em-companhia-da-morte/). Sob uma chuva dionisíaca, os vivos incorporam as almas e comemoram os mortos.

Noite dos Medos em Melgaço | Altominho TV. 01/11/2019.

De origem mexicana, os “altares dos mortos” globalizaram-se. Homenageia-se quem é digno de memória. No Agrupamento de Escolas de Briteiros, erguem-se altares a uma diversidade de pessoas falecidas: Eusébio, Joaquim Agostinho, Amália Rodrigues, António Variações, Sophia de Mello Breyner Andresen, Steve Jobs, Edith Piaff, Camões, Martins Sarmento… Os mortos vivem no altar da memória, que, algum dia, também se apagará. Nem sequer falta o galo (https://tendimag.com/2016/10/19/o-galo-e-a-morte/)!

Noite dos medos. O Carnaval macabro

Noite dos Medos. Melgaço. Noite de 31 de Outubro de 2018. Produção: Rádio Vale do Minho.

A segunda edição da Noite dos Medos de Melgaço ultrapassou as expectativas. Centenas de pessoas partilharam medos numa catarse colectiva respaldada na tradição. Nenhum medo escapou, nem sequer “os medos que metem medo a um susto”. Numa noite para aquecer, com chamas e queimadas, o protagonista foi o corpo, mascarado, pintado, representado, dançado e comunicado. Revitaliza-se, tribalmente, a memória e reinventa-se o passado.

Acrescento duas músicas a condizer: The End, dos The Doors, e Highway to Hell, dos AC/DC. Faltavam no Tendências do Imaginário. Dispus os vídeos por ordem de estreia. A menor qualidade do som e da imagem do vídeo dos The Doors é compensada pelo facto de se tratar de uma actuação ao vivo no próprio ano do lançamento da música (1967).

The Doors. The End. The Doors. 1967.

AC/DC, Highway to Hell. Original: Highway to Hell. 1979.