Silêncio
Gosto de ouvir o silêncio; diz mais calado do que uma multidão a falar. O silêncio não é o vazio, nem a solidão. Tão pouco o mundo afónico. O silêncio é segredo que se guarda. Seguem Il Silenzio (1965), de Nini Rosso, e a Serenata (1955), de Cecília Meireles. Dois silêncios partilhados.
Nini Rosso. Il Silenzio. Scala Reale. 1966
Serenata
Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
Cecília Meireles. Pequeno Oratório de Santa Clara. 1955.

