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Arvo Pärt. A tentação do grotesco

Arvo Pärt

Regresso a Arvo Pärt, compositor estoniano. O Tendências do Imaginário dedica-lhe um artigo (Arvo Pärt. Sinos hipnóticos), com a seguinte apresentação:

“Hoje não é dia de publicidade, mas de Arvo Pärt, compositor contemporâneo estónio. As suas músicas aparecem em dezenas de filmes. Dizem que é minimalista, ele não acha; dizem que é místico, também não; alguns afiançam que é pós-moderno, não lhe diz nada. A sua música é hipnótica, principalmente por causa do seu método, a tintinabulação, que ele explica do seguinte modo: “Eu trabalho com bem poucos elementos – somente uma ou duas vozes. Construo a partir de um material primitivo – com o acorde perfeito, com uma tonalidade específica. As três notas de um acorde perfeito são como sinos. Por isso lhe chamei tintinabulação” (Arvo Pärt. Sinos hipnóticos: https://wordpress.com/post/tendimag.com/5655).

O artigo Arvo Pärt. Sinos hipnóticos inclui duas músicas: Spiegel im Spiegel (1978) e Summa for Strings (1977). Acrescento uma música mais antiga, Pro et Contra, Concerto para Violoncelo e Orquestra (1966), menos minimalista e sem sinos, um pouco mais grotesca.

Arvo Part. Pro et Contra, Concerto for Violoncello and Orchestra (1966). Belgorod State Symphony Orchestra. Violoncelo: Borislav Strulev. VI International BelgorodMusicFest. 2017.

A Emigração e os Mistérios do Macabro

György Ligeti.

György Ligeti.

A Marta enviou, para me animar, esta interpretação, pela soprano canadiana Barbara Hannigan, da obra Mysteries of the Macabre, do húngaro Györgi Ligeti (1974–77, edição revista de 1996). Música inspirada no macabro é uma tentação. Se for música contemporânea, maior o pecado. Admiro a competência desenvolta e a excelência jovial. Atributos que países com pouca terra e muito mar se esquecem de cultivar, pescam. Com Barbara Hannigan e a Orquestra Sinfónica de Londres, tudo parece fácil.

Barbara Hannigan

Barbara Hannigan.

Há sinais de que as universidades estão a sintonizar-se com o mercado de emprego. Mercado internacional, naturalmente. Não devem, porém, ignorar o próprio mercado. Não só atender aos alunos que “coloca”, mas também aos alunos que “recruta”. Importa, quando existe, não esquecer a vocação: o ensino superior. Há tendências preocupantes. Por exemplo, a proporção de pessoas formadas em música e nas artes que demandam o estrangeiro, para aprofundar, complementar ou especializar a formação e a carreira. E para trabalhar, também.

A Marta é uma actriz de teatro com um currículo notável. Exportou-se, o ano passado, para Londres. Há países que enxofram, adubam e enterram os talentos como se fossem batatas, na expectativa de que nasçam, algures, aos magotes, profissionais virtuosos, empreendedores exemplares e símbolos nacionais. A exportação de portugueses comporta vantagens e inconvenientes. Paradoxalmente, muitos fazem falta no País. Às vezes, ocorre-me que um país sem almas é o resultado de um país sem alma. Graças a Deus, temos muitas alminhas. Andamos com uma lanterna à procura, mas não é do homem. E acomodamo-nos! Tanto e tão depressa que não chega a ser “dor a dor que deveras (se) sente.”

Carregar na imagem para aceder ao vídeo.

LigetiGyörgy Ligeti. Mysteries of the Macabre. 2015.