Dois pequenos cupidos ou vinte dedos pueris

Os anúncios “Ten Little Fingers” (Nas mãos de uma criança, 17.07.2013) e “Is Mankind?” (Revolução Digital, 17.07.2015) conseguem uma combinação rara de singeleza e encanto. Com dedos de bebés. Das mãos e dos pés. Quando penso em mãos, acodem-me Miguel Ângelo, Albrecht Dürer, Auguste Rodin e, agora, Bruno Aveillan. Quanto aos pezinhos, do anúncio da Airbnb, cito o comentário da iSpot:
No anúncio da nova campanha global da Airbnb, vemos um bebé a dar os seus adoráveis passinhos com as pernas arqueadas pelo corredor da sua casa, até à porta da frente. À medida que ele percorre esse caminho, ouvimos a voz off a fazer-nos perguntas reveladoras, como se o ser humano é bondoso e se nós somos boas pessoas. À medida que o bebé se aproxima da porta com janela e é envolvido por uma luz mais intensa, somos encorajados a sair para o mundo e a descobrir as respostas por nós próprios. Somos convidados a ir, ver e descobrir até que ponto a humanidade pode ser amável” (https://www.ispot.tv/ad/7vs6/airbnb-is-mankind. Consultado em 17.07.2026).
Males do Mundo

No Tendências do Imaginário, existem, na década de 2010, nove artigos de 16 de julho com interesse: Apelo (2012); Idolatria (2012); Chove na natalidade (2014); Sisifite (2015); Havemos de ir a Viana (2016); Sociedade de choque (2017); Umbilicados, narcisistas e egoístas (2018); e Simplesmente só (2019).
Pensei publicar hoje dois “pacotes”: 1) Miopia umbilical, com os artigos Umbilicados, narcisistas e egoistas(2018), a que acrescentava Avatar Narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016); 2) Solidões, com os artigos Simplesmente só (2019), a que acrescentava A solidão como companheira (19.11.2016) e Aspirar a solidão (21.02.2021).
Desisto do pacote Solidões. Fica para o ano. Substituo-o por outro pacote, Males do mundo, com os artigos Apelo (16.07.2012) e Sociedade de choque (16.07.2017). Não só porque condiz mais com a “miopia umbilical”. mas, sobretudo, porque ao procurar uma versão com melhor resolução da sequência de abertura, com direção da NoBrain, do filme Huit, só o encontrei na minha própria página do YouTube. Precise-se que o filme Huit teve a participação de oito realizadores, entre os quais Jane Campion, Gus Van Sant e Wim Wenders. Nestas circunstâncias, descarreguei a referida sequência de abertura, salvaguardando-a em triplicado: no disco duro, na página do YouTube e no Tendências.
Segue o pacote Males do Mundo com dois artigos, Apelo (2012) e Sociedade de Choque, com dois vídeos veras impressionantes: “Huit“ (2009) e “Article 13 – L’horreur ne prend jamais de vacances” (2017).
O real e o virtual
Insisto na mesma tecla: a promoção das causas e a publicidade de sensibilização dão-se bem com a fantasia. Eis um bom tema para uma dissertação relevante: “o papel da fantasia na promoção de causas”. Neste belíssimo, competente e eficiente anúncio da ONU, Não escolha a extinção, um dinossauro Tiranossauro Rex é o protagonista e a Assembleia Geral das Nações Unidas, a audiência. Em primeiro plano, o dinossauro; em segundo plano, as imagens das alterações climáticas e da fome no mundo. Imaginemos! Porque a imaginação também é caminho para o conhecimento e a consciencialização. Imaginemos que em vez do dinossauro discursava o Secretário-Geral das Nações Unidas. O impacto seria maior, menor ou igual? Seria, com certeza, diferente. Realidades e virtualidades…
Este é o fim
Belo amigo
Este é o fim
Meu único amigo, o fim
De nossos planos elaborados, o fim
De tudo que está de pé, o fim
Sem segurança ou surpresa, o fim
Nunca vou olhar em seus olhos… outra vez
Consegue imaginar como será
Tão sem limites e livre
Desesperadamente precisando da mão de algum estranho
Em uma terra de desespero?
(Excerto de The Doors, The End, 1967. Tradução: Vagalume).
Publicidade do mundo

Existe “música do mundo”, “cinema do mundo”, “literatura do mundo”; há espaço para uma “publicidade do mundo”? O anúncio My Way, da Giorgio Armani, parece enveredar por esse trilho. Há mais casos. De qualquer modo, o mundo Armani é infalivelmente bonito. Sem discriminação de género.
Nas mãos de uma criança
Um bebé afasta-se, a contraluz, rumo à janela. De fraldas em riste, rasga horizontes. Go and see just how kind this world can be. Um anúncio da Airbnb, com imagem, texto, voz e música encantadores.
Marca: Airbnb. Título: Is Mankind? Agência: BWA/Chiat/Day, San Francisco. Direcção: Lance Acord. USA, Julho 2015.
A propósito ou a despropósito, vale sempre a pena ouvir a Pedra Filosofal, de Manuel Freire, com letra de António Gedeão, estreada em 1969.
Naquele tempo, não éramos bons alunos em nada. Estava para vir a arte da sicofância (ver Sicofância: a arte dos lambe cús).
Manuel Freire. Pedra Filosofal. Letra de António Gedeão. 1969.
Volta ao mundo
Fui espreitar a nuvem de tags do Tendências do Imaginário. Destacam-se as palavras: absurdo, animação, arte, automóvel, corpo, futebol, grotesco, humor, mulher, música, paródia, sensibilização e sexo. Empreendedorismo, ajustamento e internacionalização não aparecem. Irritam-me! É a vesícula.
O empreendedorismo absorve uma fatia enorme dos fundos comunitários. Palavra mestre e palavra-chave. Chave mestra! Duvido que alguma vez uma ideologia tenha sido tão bem paga. Alguém anda a empreender connosco.
O ajustamento é o pão nosso de cada dia. O governo ajusta-nos e nós também nos ajustamos. O vento sopra de feição para os nutricionistas e os peritos em falências. As opções do governo e as práticas dos cidadãos tendem a corresponder-se. Tudo se ajusta na minha terra, tudo menos o desemprego.
Internacionalização é palavra que soa a leilão nacional. Gosto do mundo, real e imaginado, mas a internacionalização como desígnio incomoda-me. Intrigam-me as internacionalizações com fundos e resultados domésticos. O público deste blogue é 80% estrangeiro, nem por isso deixa de ser um blogue nacional. Internacionalizem-se! A internacionalização é uma palavra pródiga em privilégios. Num jogo do ganso provinciano.
Empreendedorismo, ajustamento e internacionalização são palavras solares. Fecundam-nos todos os dias!
O anúncio da Jeep não é responsável por esta descarga biliar, embora o conteúdo seja assumidamente internacional, uma ementa gourmet para os “devoradores de paisagens” (Krippendorf Jost., Les dévoreurs de paysages, Lausanne, Editions 24 Heures, 1977). Quanto à música, uma excelente versão de My land is your land.
Marca: Jeep. Título: Beautiful lands. USA, Janeiro 2015.
Apelo
Desafiados a fazer a introdução a uma série de sete vídeos produzidos por realizadores consagrados, os NoBrain propõem este vídeo. Fenomenal. Já o publiquei algures, mas não me importo de repetir.

