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Sexismo na publicidade

We are #Women not objects é um anúncio de denúncia da objectivação das mulheres. Anúncio bem concebido, criativo e com impacto. A figura da mulher objecto persiste na publicidade actual. Fala-se, há mais de meio século, da presença inaceitável da mulher objecto na publicidade. Fica-se, agora, a saber de um novo jeito e com a devida ironia.

Muito apreciava que alguém, uma ONG ou um movimento, se dedicasse a investigar a figura do homem objecto na publicidade. Existe cada vez mais. Um grupo de alunas do curso de licenciatura em Sociologia, da Universidade do Minho, fez um estudo sobre a publicidade de roupa interior masculina e feminina e conclui: “Tal como o corpo feminino, o corpo masculino aparece como um objecto de desejo” (Existem diferenças entre a publicidade de roupa interior masculina e feminina?, Universidade do Minho, Departamento de Sociologia, 2016, pág. 70). Seria, de facto, bem-vindo um projecto de investigação sobre o homem objecto na publicidade. Lograria, com certeza, resultados surpreendentes.

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Anunciante. #WomenNotObjects. Título: We are #WomenNotObjects. Agência: Badger & Winters. USA, Janeiro 2016.

Mulheres Chanel Nº5

Chanel 5 Gisele Bundchen

Gisele Bündchen, supermodelo brasileira, é a actual mulher Chanel Nº5. O corpo, o rosto e os gestos enchem o anúncio dirigido por Baz Luhrmann. Pode falar-se em mulher objecto? No anúncio, como na vida, Gisele é mãe, companheira, modelo e desportista. O anúncio cola-se a esta quádrupla faceta. Foi gizado a pensar em Gisele. Existem mulheres objecto de luxo? Neste caso, uma mulher de luxo para uma marca de luxo? Protagonizar um anúncio para o Chanel Nº5 é ascender a um pedestal. Quem não se lembra do anúncio Nicole Kidman da Chanel Nº5? Foi há dez anos, em 2004. Há pedestais para mulheres objecto? A história é uma narrativa minimalista, quase nula. O cantor, Lo-Fang, coro grego nada discreto, pouco diz: “You’re The One That I Want”. Procurem e encontrem-se. Pode haver mulheres sujeito em narrativas ténues que sejam mulheres objecto? Em suma, a categoria “mulher objecto” depende das propriedades sociais da mulher representada? Neste anúncio, Gisele não é uma actriz que interpreta um guião. Gisele é o anúncio, um anúncio associado ao seu nome. Pode Gisele Bündchen ser considerada uma mulher objecto? Quem é uma mulher objecto?

Marca: Chanel. Título: The One That I Want. Direção: Baz Luhrmann. Internacional, Outubro 2014.

Marca: Chanel. Título: Nicole Kidman. Direção: Baz Luhrmann. Internacional. 2004.

A lâmpada de Aladino

 Calendário Pirelli. 2014

Calendário Pirelli. 2014

A dentadura luminosa nem sempre foi o mote dos anúncios da Happydent (ver https://tendimag.com/2014/08/27/dentes-brilhantes/). Na era da publicidade primitiva, antes da censura do nu feminino gratuito, o corpo da mulher era uma panaceia: até pastilhas elásticas vendia! Artes do sex appeal da mulher objecto! Era só esfregar os olhos, como lâmpadas de Aladino, e logo se insinuava uma miragem própria de calendários de empresas de pneus. Cruzes! Abençoado o bom senso que exorcizou esta praga. Vade retro, mulher objecto!
O vídeo deste anúncio, premiado em Cannes, não é em alta resolução. Passa assim despercebida qualquer imperfeição das “cirurgias plásticas”.

Marca: Happydent. Título: Cosmetic. Agência: Selection. Direção: Joe Ronan. Itália, 2003.