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A Espada, a Cruz e o Cálice

No próximo sábado, dia 26 de abril, às 15 horas, vou falar no mosteiro de Tibães sobre a relevância dos símbolos da espada, da cruz e do cálice na interpretação das imagens de Cristo e da Virgem Maria. A meio de um fim-de-semana prolongado e coincidente com a Festa do Alvarinho em Melgaço, a data não é a mais propícia. Desejava-a perto da Páscoa e no mosteiro de Tibães, espaço que me é particularmente grato. Nestas condições, foi a única disponível. Não me apoquenta. Interessa-me mais a relação com o público do que a sua dimensão. Como a generalidade das minhas conversas, será única. Projeto retomá-la apenas como aula na academia sénior de Melgaço.

Demasiado ampla, tive que a reduzir. Concentra-se, assim, nos seguintes episódios e figuras: Juízo Final, Menino Jesus com a cruz, Anunciação, Expetação e Virgem Entronizada. Principalmente na Baixa Idade Média e no início da Moderna. A Senhora da Misericórdia e a Pietà resultam adiadas para uma próxima conversa. A Natividade e a Virgem do Leite justificarão, porventura, uma terceira. Não obstante, prevê-se densa e extensa. Afortunadamente, bastante ilustrada e algo original.

Se se proporcionar, apareça. Caso contrário, não lhe sentirá a falta.

O humano nas alturas

Virgem com o Menino, Santa Clara, Santa Marta, Santa Lúcia e Santo António Abade. Oficina de Llorenç Saragossà. 1365. Detalhe. Museu Nacional de Arte de Catalunha.

Ontem, socializei! Visitas ao almoço e ao lanche. Ao entardecer, o magnífico concerto na Igreja dos Congregados dedicado às “Lamentações para a Semana Santa”, do compositor belga Joseph-Hector Fiocco, pelo Ensemble Bonne Corde, com Diana Vinagre, violoncelo barroco e direcção artística; Ana Quintans, soprano; Rebecca Rosen, violoncelo barroco; Marta Vicente, contrabaixo barroco; e Miguel Jalôto, órgão. Tantos talentos jovens!

À noite, explorei imagens da Virgem Maria para um texto que estou a escrevinhar intitulado “A Cruz e o Cálice” onde abordo as figuras de Cristo como proeminência e Maria como recetáculo. Bafejado pela sorte, descortinei um detalhe inesperado com o momento em que a pomba do Espírito Santo penetra na auréola/corpo da Virgem, num painel da Oficina de Llorenç Saragossà, datado por volta de 1365.

Por último, o habitual momento de recolhimento quotidiano. Coloquei um vídeo com a música My Heart’s in the Highlands, do Arvo Pärt (na imagem), e, reclinado, deixei-me planar pelas alturas, como quem se aproxima do divino neste mundo.

Arvo Pärt – My Heart’s in the Highlands. 2000. David James (countertenor), Christopher Bowers-Broadbent (organ).
Virgem com o Menino, Santa Clara, Santa Marta, Santa Lúcia e Santo António Abade. Oficina de Llorenç Saragossà. 1365. Museu Nacional de Arte de Catalunha