Tag Archive | Michel Colombier

Memória reincidente

Jean-Michel Folon. Lily aime moi. 1975.

Há longos anos que o genérico de fecho de emissão da Antenne 2 me enternece. Com desenhos de Jean-Michel Folon (1934-2005) e música de Michel Colombier (1939-2004). Memória reincidente. Folhas soltas. Salpicos numa liquidez pasmada. Uma leveza de espírito que enfia a cabeça nas nuvens.

Uma obra-prima nunca está acabada. Inspira e inspira. Sucede com a música Emmanuel, de Michel Colombier. Gosto da versão de Toots Thielemans (1922-2016), um dos melhores tocadores de harmónica de boca do século XX.

Sessenta e um anos deste mundo. O triplo da idade em que me encantei com o genérico da Antenne 2. Agradeço a amizade. Um dia havemos de voar juntos como os homenzinhos de Folon.

Genérico da Antenne 2. Desenhos de Jean-Michel Folon e Música (Emmanuel) de Michel Colombier. França, anos setenta.
Emmanuel. Música de Michel Colombier (Wings, 1971). Versão de Toots Thielemans. Colombier Dreams, 2002.

Sentimento

Man Ray. Ingres Violin. 1924.

“Les sanglots longs de l’automne blessent mon coeur d’une langueur monotone” (Paul Verlaine, Chanson d’Automne, 1866).

Ando, há meio século, com o Emmanuel, de Michel Colombier, ao colo. Nenhuma versão substitui a música original (ver https://tendimag.com/2017/10/19/a-danca-da-consciencia/). Mas gosto do violoncelo bem tocado. Por que não o Emmanuel? São cordas, cordas graves, que tremem e gemem.

Michel Colombier. Emmanuel. Wings (1971). Intérprete : Kristina Cooper.

Chanson d’Automne (Paul Verlaine)

Les sanglots longs

Des violons

De l’automne

Blessent mon cœur

D’une langueur

Monotone.

Tout suffocant

Et blême, quand

Sonne l’heure,

Je me souviens

Des jours anciens

Et je pleure;

Et je m’en vais

Au vent mauvais

Qui m’emporte

Deçà, delà,

Pareil à la

Feuille morte.

A canção do outono (Paul Verlaine; trad. Guilherme de Almeida)

Estes lamentos

Dos violões lentos

Do outono

Enchem minha alma

De uma onda calma

De sono.

E soluçando,

Pálido, quando

Soa a hora,

Recordo todos

Os dias doidos

De outrora.

E vou à toa

No ar mau que voa.

Que importa?

Vou pela vida,

Folha caída

E morta.

Nas nuvens

oboe-musical-instrument-symphony-orchestra-19462872Sabe bem uma pausa no “desempenho das funções”. Com boa música, ainda mais bem sabe. Segue um ramalhete de quatro músicas para oboé: duas do séc. XVIII, de Alessandro Marcello e Tomaso Albinoni; e duas do séc. XX, de Michel Colombier e Ennio Morricone. Parafraseando, Blaise Pascal, já coloquei algumas no blogue, mas não nesta ordem.

Alessandro Marcello. Concerto Per Oboe in D minor_ Adagio.

Tomaso Albinoni. Concerto for oboe in D minor, Op.9/2: Adagio. 1722.

Michel Colombier. Emmanuel. Wings. 1971.

Ennio Morricone. Gabriel’s Oboe. The Mission. 1986.

 

Chove na liberdade

Folon. Homme Volant“Il peure dans mon coeur / comme il pleut sur la ville » (Paul Verlaine – 1844-1896). Chove no meu País, chove na liberdade. E é inverno. Existem, felizmente,  iniciativas que dão asas à vontade e à imaginação. Por exemplo, este genérico, dos anos 1970, de fecho de emissão da Antenne 2. A imagem é do pintor belga Jean-Michel Folon, falecido em 2005, e a música do francês Michel Colombier, falecido em 2004. Seguem o genérico de fecho de emissão da Antenne 2 e a música Wings, de Michel Colombier, interpretada por Toots Thielemans. Não deixem que a liberdade se constipe!