Top of the pops com rugas 5. Michel Colombier, Vangelis e Francis Lai
Insisto em recordar e publicar músicas, agora, instrumentais. Paisagens sonoras dos anos sessenta e setenta especialmente apropriadas para ouvir depois da penitência da fisioterapia.
Memória reincidente

Há longos anos que o genérico de fecho de emissão da Antenne 2 me enternece. Com desenhos de Jean-Michel Folon (1934-2005) e música de Michel Colombier (1939-2004). Memória reincidente. Folhas soltas. Salpicos numa liquidez pasmada. Uma leveza de espírito que enfia a cabeça nas nuvens.
Uma obra-prima nunca está acabada. Inspira e inspira. Sucede com a música Emmanuel, de Michel Colombier. Gosto da versão de Toots Thielemans (1922-2016), um dos melhores tocadores de harmónica de boca do século XX.
Sessenta e um anos deste mundo. O triplo da idade em que me encantei com o genérico da Antenne 2. Agradeço a amizade. Um dia havemos de voar juntos como os homenzinhos de Folon.
Sentimento

“Les sanglots longs de l’automne blessent mon coeur d’une langueur monotone” (Paul Verlaine, Chanson d’Automne, 1866).
Ando, há meio século, com o Emmanuel, de Michel Colombier, ao colo. Nenhuma versão substitui a música original (ver https://tendimag.com/2017/10/19/a-danca-da-consciencia/). Mas gosto do violoncelo bem tocado. Por que não o Emmanuel? São cordas, cordas graves, que tremem e gemem.
Chanson d’Automne (Paul Verlaine)
Les sanglots longs
Des violons
De l’automne
Blessent mon cœur
D’une langueur
Monotone.
Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure;
Et je m’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.
A canção do outono (Paul Verlaine; trad. Guilherme de Almeida)
Estes lamentos
Dos violões lentos
Do outono
Enchem minha alma
De uma onda calma
De sono.
E soluçando,
Pálido, quando
Soa a hora,
Recordo todos
Os dias doidos
De outrora.
E vou à toa
No ar mau que voa.
Que importa?
Vou pela vida,
Folha caída
E morta.
Nas nuvens
Sabe bem uma pausa no “desempenho das funções”. Com boa música, ainda mais bem sabe. Segue um ramalhete de quatro músicas para oboé: duas do séc. XVIII, de Alessandro Marcello e Tomaso Albinoni; e duas do séc. XX, de Michel Colombier e Ennio Morricone. Parafraseando, Blaise Pascal, já coloquei algumas no blogue, mas não nesta ordem.
Alessandro Marcello. Concerto Per Oboe in D minor_ Adagio.
Tomaso Albinoni. Concerto for oboe in D minor, Op.9/2: Adagio. 1722.
Michel Colombier. Emmanuel. Wings. 1971.
Ennio Morricone. Gabriel’s Oboe. The Mission. 1986.
Chove na liberdade
“Il peure dans mon coeur / comme il pleut sur la ville » (Paul Verlaine – 1844-1896). Chove no meu País, chove na liberdade. E é inverno. Existem, felizmente, iniciativas que dão asas à vontade e à imaginação. Por exemplo, este genérico, dos anos 1970, de fecho de emissão da Antenne 2. A imagem é do pintor belga Jean-Michel Folon, falecido em 2005, e a música do francês Michel Colombier, falecido em 2004. Seguem o genérico de fecho de emissão da Antenne 2 e a música Wings, de Michel Colombier, interpretada por Toots Thielemans. Não deixem que a liberdade se constipe!
