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Noite estrelada

Vincent van Gogh. Starry Night.1889.

Globalização. Disseminação. Apropriação. Não há sombra que não tenha a marca do sol. A globalização lembra a noite estrelada de Van Gogh. Uma pluralidade de focos de luz, todos em movimento. Na noite estrelada, tudo emite e tudo recebe luz. O meu rapaz mais novo mostrou-me um vídeo musical de uma banda rock japonesa. O rock anglo-saxónico foi farol que ofuscou o mundo. Mas acendem-se outros focos locais. Alguns com uma dimensão global, por exemplo, o pop/rock sul-coreano.

Ningen Isu. Heartless Scat. Japão. 2019.

Blind Guardian. O legado das terras sombrias.

Blind Guardian.

Na adolescência, em 1978, aprendi uma linguagem de programação: o Fortran IV. Os primeiros computadores pessoais (pc) de sucesso começaram em 1977, Apple incluída. Uma das instruções mais importantes consistia no “if… goto”, que assinalava um salto no algoritmo, graficamente representado por um losango. O poder concebe-nos como romeiros de algoritmos. De instrução em instrução, de rotina em rotina, até ao if goto final: If… go to shit!

Mas há quem resista. Há sempre quem resista, embora pouco consiga. Quase sempre, de um modo romântico. Ocorre-me o mundo da música Metal. Por exemplo, a banda alemã Blind Guardian, criada em 1984. Lançou, há dias, o álbum Legacy of the Dark Lands (8 de Novembro de 2019). O meu rapaz mais novo não escuta outra coisa. A minha mulher continua a ouvir melodias e eu, nostalgias. Quando estamos os três ligados, a casa tem uma crise de identidade. À força de ouvir o álbum orquestrado Legacy of the Dark Lands, uma pessoa afeiçoa-se. Afeiçoamo-nos uns aos outros. A fantasia, o fantástico, está na mó de cima. Acrescento uma música de 1990 para ilustrar como os Blind Guardian são sem orquestra e ao vivo.

Fernando e Albertino

Blind Guardian Twilight Orchestra. Nephilim. Legacy of the Dark Lands. 2019
Blind Guardian. Lord Of The Rings [Imaginations Through the Looking Glass]. Tales Form The Twilight World. 1990.

Usar a cabeça

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A bateria do smartphone está descarregada? Use a cabeça!

Marca: Metal Hammer. Título: Energy Mosher. Alemanha, Dezembro 2016.

Recusa

O-I glass is lifeRecusar não é propriamente o prato forte da publicidade. Recusa-se o tabaco, o álcool, a violência… Exceptuando estas recusas de eleição, pouco se recusa. Aceder, numa semana, a duas campanhas originais assentes na recusa é acontecimento digno de registo.

Os cinco spots da Opportunity International Colômbia não são completamente contra, um vez que advogam o recurso ao vidro. É difícil ser contra alguma coisa sem ser a favor de outra(s), e vice-versa. Mas estes cinco spots são frontalmente contra as embalagens em plástico e em metal. Seleccionamos dois anúncios.

Marca: O-I. Título: Glass is life. El día que el océano habló. Agência: DDB. Colômbia, Outubro 2014.

Marca: O-I. Título: Glass is life. La naturalez está tratando de decirte algo. Agência: DDB. Colômbia, Outubro 2014.

A segunda campanha merece especial apreço. São os primeiros anúncios do Cazaquistão no Tendências do Imaginário. O humor é simultaneamente lógico e absurdo. As ofertas de três pretendentes a uma mesma mulher são liminarmente recusadas por ausência de chocolate. Lembra a princesa do conto  Rei Bico de Tordo, dos irmãos Grimm.

Marca: Nestlé. Títulos: Bear / Heart / Kitten. Agência: PopKultura (Kazakhstan). Direção: Dave Merhar. Cazaquistão, Outubro 2014.

 

Metal Orchestra

Este anúncio da Citröen promove um contrabando de géneros e de intérpretes musicais. Vemos uma orquestra sinfónica e ouvimos uma música industrial metal, por sinal de Marylin Manson, o tal do The Golden Age of Grotesque (2003). Grotescar um pouco não faz mal a ninguém. E, se for com estilo, até cai bem!

Marca: Citröen. Título: Orchestra. Agência: Buf H Paris / Paranoid Paris. Direcção: Benoit Debie, Michael Fitzmaurice. França, Novembro 2011.