Tag Archive | Lisa Gerrard

O Fio de Ariadne e o Portal de Perséfone

Ariadne Adormecida. Cópia romana da obra criada no período helenístico médio (III e II século a.C.)

“Este impactante filme da MullenLowe London ilustra (…)como, desde cedo em sua educação, as crianças já definem as oportunidades de carreira como masculinas e femininas. Quando solicitadas a desenhar um bombeiro, um cirurgião e um piloto de caça, 61 desenhos retratam homens e apenas 5 mulheres.”

“Os estereótipos de géneros são definidos entre os 5 e os 7 anos de idade”. Muitos outros, também!

Imagem: Estátua Perséfone. Mármore. Séc. II

Existirá um fio de Ariadne ou um portal de Perséfone que permita aceder a uma nova visão?

Inspiring the Futur – Redraw the Balance. Agência: MullenLowe London. UK, junho 2016

Ariadne e Perséfone recordam-me Lisa Gerrard, em particular as canções “Ariadne” e “Persephone (The Gathering of Flowers). O Tendências do Imaginário já contempla 13 canções de Lisa Gerrard. Segue mais meia dúzia.

Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Ariadne. Into The Labyrinth, 1993.
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Indus. Spiritchaser, 1996
Lisa Gerrard – Now We Are Free. Hans Zimmer & Lisa Gerrard. From the 2000 Ridley Scott film “Gladiator”
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Persephone (The Gathering of Flowers). Within the Realm of a Dying Sun, 1987
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – The Host of Seraphim. The Serpent’s Egg, 1988. Live in Bulgaria, Sofia, National Palace of Culture, 14.03.2018
 Gavin Greenaway · The Lyndhurst Orchestra · Lisa Gerrard – The Wheat (From “Gladiator” Soundtrack), 2000

Sentinela. Vista sobre Santa Tecla

Monte de Santa Tecla visto do Forte da Ínsua. Fotografia de Fernando Gonçalves

Do cume do monte de Santa Tecla tiram-se fotografias magníficas: em baixo, de Moledo, ao monte, também. Só é preciso ter bom olho e boa câmara. Associar uma fotografia a uma música é um entretenimento desafiante. Cismei, um pouco desbussolado, que devia ser música eletrónica. Da discografia dos Tangerine Dream, do Klaus Schulze e do Mike Oldfield, retive três canções: Song of the Whale, Pt. 1: From Dawn…; Wellgunde; e Sentinel. Qual valoriza e resulta mais valorizada? Se obtiver respostas, coloco a eleita em primeiro lugar.

Tangerine Dream – Song of the Whale, Pt. 1: From Dawn… Underwater Sunlight, 1988
Klaus Shulze & Lisa Gerrard – Liquid Coincidence 6. Farscape, 2008
Mike Oldfield – Sentinel. Tubular Bells II, 1992

Músicas para arrefecer

Está frio. Depois da chuva, o frio. No outono, é normal. Seguem três vídeos musicais suscetíveis de acrescentar uma sensação de ainda mais frio ao frio.

Este post é sadomasoquista. Inspira-se em alguém que tem a caldeira com problemas e seis caixas com motores e splits de ar condicionado à espera que a empresa que os vendeu se digne vir instalá-lo. Em suma, calores e tremuras intermitentes. A reação é sui generis: multiplicar e incrementar os estímulos de desconforto. Por exemplo, uma seleção de ice clips.

Balázs Havasi. The Storm feat. Lisa Gerrard. Red. 2010
Lisa Gerrard & Marcello De Francisci. When The Light Of Morning Comes. Exaudia. 2022
CHROMALUME I / Goodhart’s Music. Adagio for Strings (1936), Agnus Dei for Double Choir (1967). Compositor: Samuel Barber

Amor e lamentação

“1 | Jesus, porém, foi para o monte das Oliveiras.
2 | Ao amanhecer ele apareceu novamente no templo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-lo.
3 | Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos
4 | e disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério.
5 | Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? “
6 | Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.
7 | Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”.
8 | Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão.
9 | Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele.
10 | Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: “Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou? “
11 | “Ninguém, Senhor”, disse ela. Declarou Jesus: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado”. (Versículos do Capítulo 8 do Livro João; João 8:1-11)

Entre os megafones da acidez recorrente e as canções de amor e lamentação, hoje, prefiro ouvir as últimas. Proporcionam-me mais sossego e esperança.

Lisa Gerrard & Zbigniew Preisner. To Those We Love. Melodies of My Youth. 2019-
Zbigniew Preisner. Lacrimosa. Preisner-Towarnicka. 2010. Concert of “The Best of Zbigniew Preisner”. Solista: Elizabeth Towarnicka.
Zbigniew Preisner & Lisa Gerrard. It’s Not Too Late. It’s Not To Late. 2022

O vento e o barro

O vento tudo leva, mas endurece o barro (frase obtusa)

“Em Novembro de 2022, Lisa Gerrard e Jules Maxwell (…) irão apresentar ao vivo, pela primeira vez, o seu aclamado álbum Burn. Os sete espetáculos terão todos lugar em Portugal”. No Porto, dia 23, às 21 horas, na Casa da Música. Em Braga, dia 29, às 21:30, no Theatro Circo. Neste dia, à tarde, tenho outro evento a que não posso faltar. Seguem as duas últimas faixas do álbum Burn.

Lisa Gerrard & Jules Maxwell. Keson (Until My Streght Returns). Burn. 2021. Vídeo oficial
Lisa Gerrard & Jules Maxwell. Do You Sol (Gather The Wind). Burn. 2021. Vídeo oficial

O Amor e a Morte

La vie est une cerise / La mort est un noyau / L’amour un cerisier [A vida é uma cereja / A morte um caroço / O amor uma cerejeira] (Jacques Prévert. Chanson du mois de mai. Histoires et d’autres histoires. 1963).

A Dor. Cemitério de Montmartre. Paris

Ando absorto com as esculturas funerárias. Quanto mais percorro os cemitérios, mais os sinais de vida se sobrepõem aos da morte. Principalmente, o amor, a realidade mais viva da vida humana, a única que, pelos vistos, pode triunfar sobre a morte.

Junto o anúncio Apariciones, de 2002, da Cruz Vermelha da Argentina. Raro, não o encontrei com melhor resolução. Vale o conceito e a canção, Sanvean – I am Your Shadow, da Lisa Gerrard.

Anunciante: Cruz Roja. Título: Apariciones. Agência: Leo Burnett. Direção: Fabian Bonelli. Argentina. 2002.

Lamentação

Levon Minassian & Armand Amar. You are, tu eres

Quando a lamentação é superlativa, não basta lamentar.

Alguma música arménia, especialmente acompanhada por duduk, oferece-se como um interminável lamento. Sorrow de Hans Zimmer & Lisa Gerrard assemelha-se a um lamento arménio e a voz a um duduk.

Levon Minassian. They’ve taken the one I love. The Doudouk: Beyond borders. 1998.
Levon Minassian, Armand Amar, Bulgarian Symphony Orchestra. Hovern’ engan. Songs from a world apart. 2006.
Hans Zimmer & Lisa Gerrard. Sorrow. Gladiator. 2000.

Velas

Nostalgia_poster_goldposter_com_4.jpg@0o_0l_800w_80qVisitar relíquias faz bem à identidade. Andrei Tarkovski é um realizador de culto. Um Tarkovski é um Tarkovski. Mas há quem o desconheça e ainda menos o admire. Quem quer sentir a repetição lenta da tragédia da vida? Porquê convocar Tarkovski? Porquê ser um grande eco quando podemos ser um pequeno grito? Neste excerto final do filme Nostalgia (1983), um homem cumpre uma promessa: a travessia de uma piscina vazia com uma vela acesa. Um gesto sacrificial que lembra Sísifo. Um ritual de purificação contagiosa que a vela representa. Sobre a vela como símbolo de purificação, Paulo VI dizia:

“A vela simboliza a pura e primitiva fonte em que se devem iluminar as religiosas. Pela sua rectidão e doçura, ela é a imagem da inocência e da pureza (…) A vela é, enfim, destinada a consumir-se em silêncio, tal como a vossa vida se consume no drama, contanto inevitável do vosso coração consagrado” (Paulo VI, 2 de Fevereiro de 1973, in Chevalier, Jean & Gheerbrant, Alain, Dictionnaire des Symboles, 1969).

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Lisa Gerrard.

A vela é um símbolo nuclear na obra de Tarkovski. Recordo o filme Espelho (1975): pousada sobre a mesa da cozinha, uma vela pontua o tempo e a vida.
Lisa Gerrard é Lisa Gerrard. Antes e depois dos Dead Can Dance, antes e depois do Gladiador (2000). Uma voz e um modo de cantar únicos. Alguém se lembrou de fazer bricolage. Extraiu o episódio da piscina e da vela, do filme Nostalgia, de Tarkovski, retirou o som original e substituiu-o pela canção Adrift de Lisa Gerrard (álbum Twilight Kingdom, 2014). O resultado é, no mínimo, interessante.

Antrei Tarkovski, Nostalgia (excerto), 1983 / Lisa Gerrard, Adrift, Twilight Kingdom, 2014.

A Donzela e o Unicórnio

Livro de Horas de Engelbert de Nassau. Flandres, ca. 1470-1490.

Livro de Horas de Engelbert de Nassau. Flandres, ca. 1470-1490.

Nem sempre é fácil encontrar uma imagem que condiga com uma música. Nessas circunstâncias, nada como esquecer a música e optar por uma imagem que nos agrade, se possível com um grão de exotismo. A música “In The Beginning Was The Word”, de Lisa Gerrard e Marcello de Francisci (Departum, 2010), segue, desta sorte, rodeada por unicórnios medievais: uma iluminura do Livro de Horas de Nassau (ca. 1470-1490) e uma galeria com as seis tapeçarias de La Dame à la Licorne, uma para cada sentido, mais a que sobra para o desejo (finais do séc. XV: Museu de Cluny, Paris).

Lisa Gerrard e Marcello De Francisci. In the beginning was the word. Departum. 2010.

Voz extrema

Klaus Nomi. PosthumousHá vozes que impressionam. Tendem para o limite. Lisa Gerrard, australiana, contralto, membro dos Dead Can Dance. Klaus Nomi, contra-tenor alemão, vítima da sida em 1983, exímio a combinar o trágico e o grotesco. Ambos tendem para o limite, mas em sentido contrário. Fantásticos!

Lisa Gerrard / Dead Can Dance. Sanvean. Toward the Within. 1994. Live in Bulgaria, Sofia, National Palace of Culture, 14.03.2018

Klaus Nomi. Der Nussbaum. Ses 20 plus belles chansons.1994.