Alterações climáticas. Hipocrisia
Eis um anúncio da Greenpeace deveras oportuno. Em diversos tempos e escalas. Por cá e alhures.
A Eni, uma das maiores empresas de petróleo e gás do mundo, está a utilizar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno para maquilhar a sua destruição provocada pelos combustíveis fósseis.
Não se pode proteger os desportos de Inverno enquanto um dos maiores patrocinadores dos Jogos estiver a alimentar a crise climática.
Os poluidores não devem subir ao pódio nos Jogos. É tempo de o Comité Olímpico Internacional abandonar o patrocínio do petróleo e do gás.
O Rei Vai Transparente

Vídeos que convocam a nudez, estilizada ou não, como os seguintes são cada vez mais raros na publicidade e na comunicação social. Migraram para as redes sociais e páginas especializadas da Internet. Trata-se de uma mudança de mentalidade e de sensibilidade, de uma contradança acelerada a que o homem eletrónico nos habituou.
Neste contexto e com esta dinâmica, não admira que estes três anúncios sejam difíceis de encontrar, sobretudo La Poire, de 1990, e Anti Dioxine, de 1997. Para exibir o primeiro, recorri ao arquivo pessoal; o fabuloso arquivo da Culturepub valeu-me no segundo. Procurei e procurei, principalmente o Antidoxine, cujo acesso, em dois tempos, não é amigável: primeiro, carrega-se na imagem do artigo; em seguida, abre-se o vídeo na Culturepub. Nem sequer no arquivo da Greenpeace International o encontrei. O que se compreende. Diferente dos demais, Anti Dioxine não mostra, como diria um tio, as “partes pudibundas”. Sugere algo pior. Dá asas à imaginação. Ora, os neurónios em voo não são de fiar.

Andam deveras zelosos os guardiões da ética. E muito atarefados, também. A amplitude e as subtilezas do mal não param de alastrar. Neste cenário adverso, toda a ajuda é pouca!
Há quatro ou cinco séculos, as famílias respeitáveis retocavam ou amputavam as pinturas e as esculturas para furtar as crianças a semelhantes obscenidades. Hoje, os bebés mergulham, porventura demasiado cedo, nos ecrãs e folheiam histórias duvidosas. Até a literatura infantil requer pente fino. A começar pelos títulos. Proponho, por exemplo, a alteração de O Rei Vai Nu, de Hans Christian Andersen, para “O Rei Vai Transparente”. Assim, toda aquela multidão não “vê” o rei nu mas transparente! Esta solução possui, aliás, a virtude de se coadunar com o linguajar e as preocupações atuais.
Enfim, o único intuito com que partilho estes vídeos indecorosos é de ordem meramente profilática, em jeito de vacina ou para homeopatia. Não se brinca com estas coisas!
Lagartos. As alterações climáticas

“O lagarto andou à roda, à roda, à roda, até que abocanhou a cauda. Mordeu, mordeu, mordeu… Ficaram os dentes” (Albertino Gonçalves).
As alterações climáticas sentem-se, mas, por vezes, não se pensam; pensam-se, mas, por vezes, não se age. É a perspetiva dos seguintes anúncios:
- The climate is changing, da Singapore’s national water, alerta para o cuidado a ter com a água.
- Face à l’urgence climatique, les discours ne suffisent pas, do Greenpeace France, denuncia a inconsequência dos discursos (políticos).
As alterações climáticas são uma onda gigante que ameaça afundar-nos.
Promessa de morte
Alien, Bane, Dark Vador, Darth Vader, Joker, Predator, Voldemort… Quantos supervilões cabem num anúncio? Supervilões aos molhos! Já estava com saudades de sentir o ecrã tremer de medo. Tanto mal, tanta destruição. Até o símbolo da modernidade, a torre Eiffel, cai no Sena. A morte anda à solta dentro de nós. Carnívoros e lenhadores, somos pecadores inglórios! Somos a cadeia do mal. Somos bons pela nossa santa ignorância e demoníacos pelas devastadoras consequências. Nesta quadra natalícia, para nossa felicidade global, poupemos o pinheiro, poupemos os dentes, pelas florestas, pelos animais, por nós próprios.
Marca: Greenpeace. Título: Evil League: L’Ultime Menace. Agência: 84.Paris. França, Dezembro 2017.
Dançar nas alturas
Ça fait plaisir voir une bonne cause associée à une belle chose (Dá prazer ver uma boa causa associada a uma coisa bela).
Anunciante: Greenpeace. Título: Air dance. Agência: Decembrist. Direcção: Ivan Egorov. Rússia, Agosto 2017.
Pirilampo
A história do homem-máquina baralha-me os fusíveis. Nos anúncios indianos da Happydent, os dentes funcionam com lâmpadas (Dentes brilhantes). Neste anúncio, de 2007, da Greenpeace, os cús são candeeiros, à semelhança do pirilampo, também conhecido por caga-lume ou luzecu. É o advento do Homo Luzecus. Gosto do anúncio. Está no topo da escala do grotesco.
No meio de tanto nu, custa compreender a mensagem. Para poupar energia, acenda o rabo? Quando dispensar a luz, instale uma ventoinha eólica para aproveitar os “ventos de baixo”? Não, não é essa a mensagem. A mensagem é clara e contundente: use lâmpadas económicas com eficiência energética, como aquelas que tornam as cidades mais inteligentes. Enfim, uma Greenpeace pró-activa. Depois de tanta luz, deixemos os The Doors acender o fogo, numa interpretação ao vivo de Light My Fire (1968).
Anunciante: Greenpeace. Título: Sunshine. Agência: Escape Partners. Direcção: Sven Harding. UK, 2007.
The Doors. Light My Fire. Live in Europe 1968.




