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Até os esqueletos dançam

William Blake – Oberon, Titania and Puck with Fairies Dancing, ca.1786. Tate Britain
Tendências do Imagináio, 27 de julho de 2020
Tendências do Imaginário, 16 de junho de 2019

Pausa para trabalhar

Pina Bausch

“Durante muito tempo, pensei que o papel do artista era despertar o público. Hoje, quero oferecer-lhe no palco aquilo que o mundo, cada vez mais duro, deixou de lhe oferecer: momentos de amor puro (Pina Bausch).

A pandemia comprime o tempo e multiplica os surtos de trabalho. Julho revelou-se um pico maior que o Evereste. Ocorre a figura do judeu em terras de faraó a subir a montanha de costas. Nos próximos tempos, prometo empenhar-me em fazer aquilo que não presta, bem como aquilo que não devo. Que prazer poder e não fazer, ouvir as sereias junto à Ilha dos Amores. O Tendências do Imaginário esteve onze dias quedo e mudo. É estranho ter saudades do vício. “O trabalho não liberta”, tal como o resto. “Welcome to the pleasuredome” (https://tendimag.com/2018/06/19/canteiros-do-prazer-pleasuredomes/).

Pina Bausch é a dança. Wim Wenders dedicou-lhe um filme: Pina (2011). O vídeo “Seasons March” é um excerto. A última música é um fado de Coimbra: “Os teus olhos são tão verdes”. Aproveito para recolocar o vídeo “Dead Can Dance – Song of the Stars (Versão Pina Bausch”. Se já viu, é uma ocasião para ver com outros olhos.

Pina Bausch. Seasons March. Do filme Pina, de Wim Wenders (2011).
Dead Can Dance – Song of the Stars (Pina version).

O Gozo da Maldade

Piscar de olho do diaboEste anúncio dinamarquês é uma história sem palavras. Gosto de histórias sem palavras. São fáceis de traduzir. Esta é composta, exclusivamente, por maldades, por sinal, gratuitas. Somos assim, apreciamos maldades estúpidas, que não trazem proveito a ninguém. O nosso olhar abre-se de gozo, para logo se fechar numa piscadela ao diabo. O condutor do descapotável é mau, pelo prazer da maldade. O condutor do eléctrico é mau, pelo prazer da vingança. Pelos vistos, não há melhor promoção do que tamanho gozo na maldade.

Marca: As Oslo Sporveier. Título: Make way for the tram. Agência: New Deal. Direcção: Rof Sohlman. Noruega, 1993.