Sentimentalismo moralista
“La charité n’est que le prolongement d’un égoïsme bien compris.” (Monique Brossard-Le Grand, Chienne de vie, je t’aime, 1981)
A publicidade tailandesa habituou-nos a anúncios longos que se extremam entre, por um lado, a insensatez e o absurdo e, por outro, o sentimentalismo e o moralismo. Comprovam-no os sessenta anúncios tailandeses colocados no Tendências do Imaginário. “Unsung Hero”, da Thai Life Insurance, é um bom exemplo da segunda opção, comovente. Um caso raro de sucesso com mais de cem milhões de visualizações. Em suma e em verso: quem dá sem segunda intenção / esvazia os bolsos mas enche o coração.
Amor de filho

Dispõe de seis minutos para comover o coração e expor a consciência? Promovida por uma cadeia de distribuição tailandesa, C.P. Group, esta curta metragem sobre o cuidado dedicado a uma mãe vítima de Alzheimer talvez configure uma boa oportunidade.
Aleijados
Oscilamos entre o gesto da compaixão, que sofre com o outro, e o olhar à distância que se deleita com ao espetáculo da miséria do mundo (inspirado em Hannah Arendt e Luc Boltanski).

Acorda devagar! Humano. Não te importes de perder tempo. Ganhas seiva e vida! O anúncio tailandês Beautiful Run é magnífico. Um épico do sofrimento e da solidariedade. Excessivo, lento e repetitivo. Diria, “maneirista”. Uma jovem inválida participa numa maratona para curar o pai. Não há maior competição do que aquela que mobiliza as pernas da alma.
A minha escrita foi-se tornando minimalista. Com a recente abstinência forçada, o vício agravou-se. Não escrevo textos. Escrevo esqueletos de palavras.

