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Chamar a música

Sara Tavares – Chamar a Música. Festival da Canção 1994

A par da imagem e do pensamento, a música constitui, desde o início, uma das apostas do blogue Tendências do Imaginário. Embora crucial, o principal critério de seleção não é nem o meu gosto nem o dos seguidores. O intuito decisivo consiste em mostrar a imensa diversidade de músicas notáveis (não necessariamente notórias) independentemente do género ou da proveniência. Espelha a insatisfação com as paradas, os intérpretes e os críticos que nos são servidos pela comunicação social predominante.

As músicas dos artigos The earth is my grave (de 17 de julho de 2014) e Vozes (de 17 de julho de 2019) são bastante diferentes. Identifico-me com o cantor norte-americano Don McLean e aprecio o compositor belga Nicholas Lens.

The earth is my grave: Don McLean.

americanpie

Estreado em 1971, o álbum American Pie, de Don McLean, conheceu um enorme sucesso. Don McLean não é fácil de esquecer. Filmes e covers não param de nos beliscar. Do álbum American Pie, é complicado destacar uma música. As audiências apontam para American Pie e Vincent. Vincent é incontornável, mas American Pie tem concorrentes. Por exemplo, The Grave e Empty Chairs.
Sherlock Holmes acreditava que o cérebro era como uma caixa. Depressa se enchia; cada coisa que nele colocássemos, outra tinha que sair. Era, por isso, avisado filtrar o que se coloca no cérebro. Não acredito nesta teoria do Sherlock Holmes, caso contrário teria mais cuidado com a publicação destas memórias fundidas. Só não está no cérebro o que lá não entra.

Don McLean. Vincent. American Pie. 1971. [Recuperado em 17.07.2026]

He crouched ever lower, ever lower with fear.
“They can’t let me die! They can’t let me die here!
I’ll cover myself with the mud and the earth.
I’ll cover myself! I know I’m not brave!
The earth! the earth! the earth is my grave.”
Don Mclean. The Grave.


Don McLean. The Grave. American Pie. 1971.

And I wonder if you know
That I never understood
That although you said you’d go
Until you did I never thought you would
Don Mclean. Empty Chairs


Don McLean. Empty Chairs. American Pie. 1971. Ao vivo.

Génios da Apple

The Crazy Ones é um dos primeiros anúncios marcantes da Apple. Oferece-nos o desfile de dezassete “embaixadores”, génios ou ícones da humanidade. O anúncio fecha com o rosto de uma criança que abre os olhos como quem desperta para o mundo. Um bom anúncio. Acontece-me concentrar, por vício,  a atenção em minudências, algo como um incontornável apelo da mesquinhez. Dos 17 génios da humanidade, 11 são norte-americanos; dos restantes seis, três radicaram-se nos Estados Unidos e aí faleceram; cinco nasceram na Europa, três dos quais no Reino Unido. Apenas Gandhi não nasceu no chamado “primeiro mundo”. Trata-se de uma geografia deveras curiosa da genialidade. O género dos génios também tem que se lhe diga: 14 homens e 3 mulheres! É certo que o anúncio se destinou essencialmente à população norte-americana. Importava beliscar-lhe o orgulho e assegurar o reconhecimento das figuras. Nem um nem outro argumento ajudam, no entanto, a explicar as diferenças de género. Nada como pensar no assunto.

Personagens: Albert EinsteinBob DylanMartin Luther King, Jr.Richard BransonJohn LennonR. Buckminster FullerThomas EdisonMuhammad AliTed TurnerMaria CallasMahatma GandhiAmelia EarhartAlfred HitchcockMartha GrahamJim Henson (with Kermit the Frog), Frank Lloyd Wright, e Picasso.

Texto: “Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. As peças redondas nos buracos quadrados. Os que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los. Sobre a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram a raça humana para frente. Enquanto alguns os vêem como loucos, nós vemos génios. Porque as pessoas que são loucos o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato, mudam” (Apple).

Anunciante: Apple. Título: The Crazy Ones / Think Different. Agência: Tbwa/chiat/day. EUA, 2000.