Podia ser pior!

Para uma noite de insónia
Meu avô contava-me a seguinte anedota:
Um minhoto e um galego estavam entusiasmados numa espécie de conversa ao desafio.
- Unha cabra golpeo cos cornos unha muller que pasaba polo camiño.
- Podia ser pior.
- Como podería ser peor?
- Se em vez de uma cabra fosse um rinoceronte.
- Unha procesión pasaba pola liña e un tren chega a toda velocidade…
- Podia ser pior.
- Como podería ser peor?
- Se o comboio, em vez de vir de frente, viesse de lado, atravessado.
- Onte, Francisco estivo con María, chegou o seu marido e apuñalouno por todas partes.
- Podia ser pior.
- Como podería ser peor?
- Se fosse uma hora antes, não teria sido o Francisco, teria sido eu.
Vem esta anedota a propósito do último anúncio da Levi’s em que um homem troca a vaca por umas calças. Segundo as conveniências contemporâneas, podia ser pior.
La vache et le prisonnier (primeira parte): https://gloria.tv/post/wLaTA7bRYzhr4UCiDfgixsame#25
La vache et le prisonnier (segunda parte): https://gloria.tv/post/R8nxZNx9ViJY1f4XLWnx8k3FY#5
La vache et le prisonnier (terceira parte): https://gloria.tv/post/JR4Wyu7Jkmgx4gHAK8uKbEQyu#5
Imperfeição e transfiguração. O sublime em estado líquido

Estou a estudar o tema da transfiguração na arte paleocristã. Magníficos, deslumbrantes, estes dois anúncios vêm mesmo a propósito. São uma generosa prenda de Natal.
A água, mãe da vida, fluxo, imersão, banho sagrado, batismo, transfiguração. O perfume, fragância do sólido e do líquido, pele sublimada, aura benta, intimidade pública, aparência da essência: transfiguração. A máquina, o outro do mesmo, o humano, o animal, a fuga e a odisseia compulsiva. A noite, a porta, a cruz, o limbo e a margem, a potência, o híbrido, o centauro, o mítico e o profano divino: transfiguração. A demanda da perfeição do imperfeito, a nossa tragédia, a coroa da nossa estética.
