Nas tuas mãos
“Se precisas uma mão, recorda que eu tenho duas” (Santo Agostinho).
Gosto do expressionismo. De Edvard Munch, Otto Dix, Georg Grosz, Cândido Portinari… (ver A Falha Humana e Portinari e o burro montado às avessas) O expressionismo foi a corrente artística pioneira na exploração da subjectividade.
“O Expressionismo é a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática, subjectiva, “expressando” sentimentos humanos. Utilizando cores irreais, dá forma plástica ao amor, ao ciúme, ao medo, à solidão, à miséria humana, à prostituição. Deforma-se a figura, para ressaltar o sentimento (História das Artes, Expressionismo).
Inquietas e carregadas, as pinceladas expressionistas desafiam o poder e a potência. Abordam temas marginais, subterrâneos, incómodos.
“O expressionismo usava paleta cromática, dando vida às temáticas angustiantes: miséria, ansiedade e solidão. Essa era o principal enredo das obras nos anos antes e pós Primeira Guerra, na Alemanha.

Eduardo Kingman
A arte expressionista primava pela liberdade individual e escancarava polêmicas, temas que até então quase não eram retratados: o fantástico, perverso, sexual e outros. A principal ideia era revelar a expressividade subjetiva desses temas, da realidade (A arte expressionista)”.
Eduardo Kingman (1913-1997), pintor expressionista do Equador, exprime nas suas telas a pobreza e o sofrimento, sobretudo, dos indígenas (indigenismo). É conhecido como o “pintor das mãos”. Por quê? A seguinte galeria com algumas das suas obras é esclarecedora.
Galeria de imagens: Eduardo Kingman.
Em tempos, costumava alinhar as imagens num vídeo, acompanhadas com música. Muito trabalho e pouco proveito. Se fizesse, hoje, um vídeo com as pinturas de Eduardo Kingman, a música seria, provavelmente, El Pastor Solitario. Adoptada por muitos grupos sul americanos, o compositor, James Last, é alemão, e o melhor intérprete, Ghjeorge Zamfir, romeno. Mais uma história de Babel bem sucedida. Segue um vídeo com um excerto de um concerto com James Last e Gheorghe Zamfir, em Londres, no ano de 1978.
James Last & Gheorghe Zamfir. El pastor Solitario. Londres. 1978
O Soldadinho de Chumbo
Totentdanz, Sturm und Drang, Deutschen Expressionismus… Humor alemão secular? Talvez… Certo é que muitos anúncios alemães bebem nas águas de um humor potente, cínico, sinistro e corrosivo. Absurdo e criativo, como que a revelar “o outro lado de Deus”. No anúncio Chewing-gum, da Hdi Insurance, enlaçam-se três pontos de vista: condutor / drama; espectador / humor; e seguradora / resgate. O espectador ri da desproporção das consequências; ri porque acredita tratar-se de um drama e não de uma tragédia (o problema, a anomalia, acabará por se resolver). Esta confiança é, porém, abalada pela suspensão final. A um passo do vazio, o riso gela. A confiança do espectador dá lugar à fatalidade da companhia de seguros, a única âncora passível de salvar objectos, corpos e, porventura, almas. Em caso de morte, convém aviar-se em vida! Uma última palavra sobre o condutor: resume-se, ao jeito do imaginário alemão, a um “soldadinho de chumbo” num pequeno barco de papel a boiar numa tremenda tempestade enfeitiçada (ler o conto de Hans Christian Anderson: http://pt.wikisource.org/wiki/O_valente_soldado_de_chumbo). Para prova de que não se trata de um esquema de humor ocasional, acrescento dois anúncios da mesma marca: Thermos Flask e Dog.
Marca: HDI Insurance. Título: Chewing-Gum. Agência: KNSK Werbeagentur, Hamburg. Alemanha, 2005.
Marca: HDI Insurance. Título: Thermos Flask. Agência: KNSK Werbeagentur, Hamburg. Alemanha, 2006.
Marca: HDI Insurance. Título: Dog. Agência: KNSK Werbeagentur, Hamburg. Alemanha, 2004.
Claras em castelo ou a consistência da liquidez
Nos momentos mais líquidos, a arte é uma boa embarcação. As esculturas de Alison Saar, nascida em Los Angeles em 1956, têm raízes que bebem, sobretudo, na mitologia grega e na tradição africana e ameríndia.
“Informed by artistic traditions from the Americas to Africa and beyond, and by her mixed racial upbringing, Alison Saar fuses her paradoxical responses to the black-and-white delineations of political and social forces into a powerful, visual, and kinesthetic tension. Saar uses the history and associations of her materials, everyday experience, African art and ritual, Greek mythology, and the stark sculptural tradition of German Expressionism to infuse her work with an intensity that challenges cultural and historic references and stereotypes. Through a process of self-scrutiny and introspection, Saar forcefully investigates elements of marginalization and discrimination to present poetic responses as to how these historical burdens can be transformed, and how symbolic atonement, and even some measure of redemption, can be imagined”.
http://www.massart.edu/Galleries/Bakalar_and_Paine/Past_Exhibitions_2014/Alison_Saar_STILL.html
- Fig 01. Alison Saar
- Fig 02. Alison Saar, Strange Fruit. 1995
- Fig 03. Alison Saar. Conked, 1997
- Fig 04. Alison Saar. Nappy Head #1. 1997
- Fig 05. Alison Saar. Panoramio. C. 1999.
- Fig 06. Alison Saar. Travellin’ Light. 1999.
- Fig 07. Alison Saar. Conjure. Pormenor
- Fig 08. Allison Saar’s Lost and Found. 2003.
- Fig 09. Allison Saar. Lost and Found.
- Fig 10. Alison Saar. Bareroot. 2007.
- Fig 11. Alison Saar. Tippy Toes. 2007.
- Fig 12. Alison Saar. Fall. 2011.
- Fig 13. Alison Saar. Spring. 2011
- Fig 14. Alison Saar. Winter. 2011
- Fig 15. Alison Saar. Winter. 2011. Pormenor.
- Fig 16. Alison Saar, Rouse, 2012
- Fig 17. Alison Saar. 2012
- Fig 18. Alison Saar. 50 Proof. 2012 (Pormenor)
- Fig 19. Alison Saar. Cotton Eater. 2013
- Fig 20. Alison Saar. Slough. 2013
- Fig 21. Alison Saar. Weight. 2013.



























