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O Encanto do Feio

01. Quentin Massys. Duquesa Feia, c. 1513.

01. Quentin Massys. Duquesa Feia, c. 1513.

Quentin Massys (1466-1530) foi um pintor flamengo fundador da Escola de Antuérpia. Com ele trabalhou o pintor Eduardo, o Português (ver Museu Nacional de Arte Antiga). Para além dos temas religiosos, dedicou vários quadros a ofícios relacionados com o dinheiro, bem como a situações e personagens caricatos, ao jeito do realismo grotesco de que fala Mikhail Bakhtin. Na obra de Quentin Massys, destacam-se dois quadros: O Cambista e a sua Mulher, uma obra-prima universal (Figura 2) e a Duquesa Feia (Figura 1), a quintessência da “estética do feio”. Quentin Massys antecipa, deste modo, pintores tais como Diego Velasquez, Adriaen Browver, William Hogarth ou Francisco de Goya.

02. Quentin Massys. The Moneylender and his Wife. 1514.

02. Quentin Massys. The Moneylender and his Wife. 1514.

Segue uma galeria com algumas obras de Quentin Massys. Para acompanhar, um excerto com danças do Renascimento interpretadas pelo Clementic Consort.

Clementic Consort. Danses. Danses de la Renaissance. 1992.

O Inferno do Belo

Mobel Kraft. Table

“Somente diremos aqui que, como objectivo junto do sublime, como meio de contraste, o grotesco é, segundo nossa opinião, a mais rica fonte que a natureza pode abrir à arte (…) O sublime sobre o sublime dificilmente produz um contraste, e tem-se necessidade de descansar de tudo, até do belo.” Assim escreve Victor Hugo em 1827 (Do Grotesco e do Sublime, São Paulo, Ed. Perspectiva, 2002, p. 31).

Duas décadas mais tarde, em 1853, Karl Rosenkranz escreve:

“O inferno não é apenas religioso ou ético, é também um inferno estético. O mal, o malvado rodeiam-nos, tal como o feio. Os horrores de informe e do disforme, da mesquinhez e da repugnância cercam-nos sob inúmeros aspectos, desde os rebentos liliputianos até às monstruosidades gigantescas, onde a maldade infernal nos olha fazendo caretas e rangendo os dentes. É a este inferno do belo que queremos descer” (Esthétique du laid, Paris, Circé, 2004, p. 41).

Segundo Victor Hugo, “O génio moderno (…) transforma os gigantes em anões; dos ciclopes faz os gnomos” (Ibidem, p. 32). Pois, porque não transformar um rikishi (lutador de sumo) numa espécie de bailarino contemporâneo?

Marca: Mobel Kraft. Título: Table. Agência:  Lawinenstift.  Alemanha, Janeiro 2004.

Eis um artigo com ares de preguiça. Meia dúzia de palavras. Se alguma ideia se perfila pertence a outros. Tem duas citações. São duas pérolas? Coisa ínfima, sobretudo, quando está em voga a contagem de citações pelos capatazes da ciência. Como o escravo de César, o trabalho para o ser tem que o parecer. Como diria o Marquês de Portfolio, trabalho que não se vê é trabalho que não existe. Quem não se entrega ao acabamento das aparências é um preguiçoso. Pimba! Assim escrevo eu em 2014.