Desorientação
Os contrapoderes andam agitados, incisivos e imaginativos. Das pulgas fazem elefantes. Com a arte da comichão e do coçar.
Distinguem-se várias propensões, umas, por exemplo, apostadas na correção e no resgate, outras na transgressão e na renovação. Para onde oscilamos? Coexistindo, algumas tendência podem dominar as demais. A dominação torna-se hegemónica quando os dominados adotam a linguagem dos dominantes. Em que estado estamos? Enfim, poderão os contrapoderes aspirar à hegemonia?

Convido, a despropósito, ao confronto de algumas músicas de duas bandas britânicas com registos divergentes: energia, senão entusiasmo, dos Orchestral Manoeuvres In The Dark, dos anos 1980, e apelo, senão súplica, dos London Grammar, dos anos 2010.
Imagem: René Magritte. Reprodução proíbida. 1937
Os avatares do Tendências do Imaginário

“Car je est un autre” (Arthur Rimbaud, carta a Paul Demeny datada de 15 de maio de 1871).
Tenho três avatares: o Dionísio, o mais trágico e cínico; o Porfírio, o mais prometeico e entusiasta; e o Amâncio, o mais poético e sensível. Cada um é responsável pelo que assina e todos me fazem companhia. Seguem três exemplos de assinaturas:
– Uma máxima do Dionísio:
“Nunca desvalorizar os seres humanos, mas descrer sempre deles”.
– Um anúncio que convence o Porfírio:
– E um vídeo musical que comove o Amâncio:

