Sentimento

“Les sanglots longs de l’automne blessent mon coeur d’une langueur monotone” (Paul Verlaine, Chanson d’Automne, 1866).
Ando, há meio século, com o Emmanuel, de Michel Colombier, ao colo. Nenhuma versão substitui a música original (ver https://tendimag.com/2017/10/19/a-danca-da-consciencia/). Mas gosto do violoncelo bem tocado. Por que não o Emmanuel? São cordas, cordas graves, que tremem e gemem.
Chanson d’Automne (Paul Verlaine)
Les sanglots longs
Des violons
De l’automne
Blessent mon cœur
D’une langueur
Monotone.
Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure;
Et je m’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.
A canção do outono (Paul Verlaine; trad. Guilherme de Almeida)
Estes lamentos
Dos violões lentos
Do outono
Enchem minha alma
De uma onda calma
De sono.
E soluçando,
Pálido, quando
Soa a hora,
Recordo todos
Os dias doidos
De outrora.
E vou à toa
No ar mau que voa.
Que importa?
Vou pela vida,
Folha caída
E morta.
Memórias com asas
Vivemos tempos em que a gravidade nos puxa para baixo. Ousemos levitar! Levitemos com os pés no ar, os braços abertos e o coração na cabeça.
A música é do francês Michel Colombier (Emmanuel, Wings, 1971) e as aguarelas do belga Jean-Michel Folon. Este blogue já lhes dedicou dois artigos: Chove na liberdade (http://tendimag.com/2012/12/13/chove-na-liberdade/) e Jean-Michel Folon (http://tendimag.com/2012/12/14/jean-michel-folon/). Repito-me. Deve ser da idade. Há quem fale em sabedoria ou em depuração. Neste caso, a equação é simples: mais esquecimento e menos criatividade.

