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Jovialidade, elegância e leveza

Jean-Honoré Fragonard. L’Escarpolette, 1766, Detalhe.

Como diria a Rita, apetece dar música neste início de ano novo. Haydn e Vivaldi, com direção de Lazar Gosman.

Joseph Haydn. String Quartet in F Major, Op. 3 No. 5, Hob. III:17: II. Serenade. Andante cantabile. Tchaikovsky Chamber Orchestra. Direção: Lazar Gosman. 1989.
Antonio Vivaldi. Vivaldi Concerto for Mandolin, Strings and Basso Continuo in C major. Leningrad Chamber Orchestra. Direção: Lazar Gosman. 1967

O homem desfolhado

Fiat Love affair

Nos últimos tempos, a publicidade mostra-se ginecêntrica. Um efeito do Dia Internacional da Mulher?  Alguns anúncios são, no mínimo, ambíguos. Embora focados no gineceu, podem revelar-se androcentrados. Sabe-se que um anúncio de mulheres pode ser construído pelo e para o olhar dos homens (Goffman, Erving,  Gender Advertisements, 1976). Por seu turno, a promoção das mulheres pode subordinar-se a uma pauta de valores associados aos homens. O caminho para a vitória pode passar pela adopção dos modos e das metas típicos  do adversário. “Bater o outro no seu próprio terreno” (ver Goffman, Erving, Stigma, 1963).

O anúncio Love Affair, da Fiat, caracteriza-se por um humor complexo. Baralha as cartas das relações de género. Quem é predador? Ele, que se aproxima, ou ela, que controla? Quem é objecto? Ele que se despe ou ela que o incita a despir? O feitiço virou-se contra o feiticeiro, no caso dele ou no caso dela? Para “domesticar” o “macho”, a mulher precisou fazer-se homem? O anúncio não parece androcêntrico, e conservador? Predominam atitudes e valores patriarcais tais como o galanteio, o cavalheirismo, a protecção, a delicadeza, a elegância… Mas resultam caricaturados. Rimo-nos deles, e rindo, desarmámo-los.

Marca: Fiat. Título: Love Affair. Agência: Doner. USA, Março 2017.