Crianças ciganas
Sem rodeios, nem artifícios, este anúncio centra-se nas crianças ciganas, na sua imagem e na sua voz, nas suas dificuldades e nos seus sonhos. Bem informado, sabe o que nos importa saber. Inteligente e empático, convida a ver e a ouvir com a razão e o coração. É um anúncio de sensibilização dirigido à consciência que temos, ou talvez não. Un anuncio muy sencillo. Gracias!
Anunciante: Fund. Secretariado Gitano. Título: La Leonor real y otros niños reales. Agência: DDB España. Direcção: Rebeca Díaz. Espanha, Outubro 2015.
Ideias quase tuas
Gosto de ideias. De vadios e vadias. Não gosto que as atrelem a um poste de vaidade. Não me interessam as ideias de trazer ao peito. Engomadas. As ideias gostam de se amachucar. Não gosto de ideias sólidas. Prefiro vê-las esguias, a fintar catálogos, formulários, protocolos, dicionários e citações. Gosto de ideias que dançam com o erro na corda bamba. Gosto de ideias que valem mais que o dono. Gosto das minhas ideias, sobretudo quando são quase tuas. Não gosto de ideias roubadas. Quem rouba ideias não as tem.
Este anúncio argentino estreia amanhã. Podes vê-lo hoje.
Marca: TEDxRíodelaPlata. Título: Ideas quasi tuyas. Agência: Ponce. Direção: Rosca. Argentina, Setembro 2014.
A porca e o parafuso
Nos últimos dias, tomei conhecimento de duas iniciativas: a plataforma SHAIR (www.shairart.com), associada à galeria Emergentes, implementada pela empresa DST (Domingos da Silva Teixeira); e a limitação do acesso a redes sociais nas escolas por decisão do Governo. A primeira abre, a segunda, fecha. Ainda bem! Se todos abrissem as portas, a ventania arejava demasiado os espíritos. Em termos atmosféricos, não há nada como o ar condicionado.
DST. SHAIR. Como Funciona. Março 2014.
A DST, empresa sedeada em Braga, é reputada pelo apoio à cultura e à arte. A presente iniciativa aposta na divulgação e na avaliação de obras de arte, cruzando um espaço online, SHAIR (digital), com uma galeria física (Emergentes), sita na Rua do Raio, em Braga. “O “conceito” da plataforma consiste na “oportunidade” dada a artistas de exporem as suas obras sujeitando-as à votação do público, e de um especialista convidado pela dst, sendo que as mais votadas serão, depois, expostas no espaço físico da Galeria Emergentes dst” (Lusa, 20 de Março). Para mais informação, ver o anúncio promocional (vídeo 1) e a reportagem da Tv Minho (vídeo 2).
Tv Minho. Março 2014.
“No final da semana passada, as escolas receberam um e-mail da Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) anunciando que o acesso a determinadas redes sociais e aplicações, tais como o Youtube, passava a estar “limitado a uma utilização máxima”, ou o Facebook, Instagram e Tumblr, que ficariam indisponíveis durante toda a manhã até às 13h30 e depois do almoço teriam também um “limite de utilização máxima”” (Lusa, 26 de Março de 2014). Pelos vistos, o motivo é técnico: “Questionado pela Lusa sobre a decisão de limitar aquelas redes e aplicações, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) explicou que a DGEEC “verificou que a pressão sobre a rede decorria do acesso a determinados sites/aplicações que não são essenciais ao funcionamento das escolas e das atividades letivas”. Trata-se de garantir “as condições para o normal funcionamento da internet das escolas, quer para atividades letivas, quer para os serviços administrativos e similares”.
O problema é, portanto, técnico. Quer-me parecer que todos os problemas neste País são técnicos. E os nossos técnicos que são os melhores do mundo… Os melhores! E não há modo de casar o técnico com a técnica? A culpa deve ser, mais uma vez, do povo. Técnicos tão bons lá no alto e nós, cá em baixo, tão desaparafusados…
Sou injusto, mas a memória é vadia. Este problema técnico lembra-me o meu tempo do banco da escola. Lembra-me a proibição da Coca-Cola e dos livros. Lembra-me, também, a despropósito, o imposto dos isqueiros. Anda uma pessoa a desgastar neurónios para propor cursos oportunos e sustentáveis e a solução aqui tão perto: um mestrado em ciências da proibição.



