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Entre o Céu e a Terra. Festas e Romarias de Cabeceiras de Basto. Vídeo da conversa

Costumo falar baixo e para dentro, como quem confidencia ou conversa, de improviso, consigo mesmo. Este defeito comporta algumas vantagens: induz silêncio e desafia a atenção. Presta-se, ainda, a saborear as palavras (com a boca cheia, aprecia-se menos a comida). Motivar-me é caminho andado para cativar a audiência, que, com boa vontade, acaba por assimilar a comunicação. Mas cansa-se de tanto se concentrar e esforçar por adivinhar a mensagem. O recurso cirúrgico a silêncios e gracejos oferece pouco alívio.

A situação agrava-se quando se passa da receção ao vivo para o registo filmado. Percebe-se ainda menos. Nem sequer o microfone compensa. Não me incomoda, mas ignoro-o. Com a acústica e a reverberação a complicar, o resultado é desanimador.

Que fazer? Autodisciplinar-me? Burro velho não toma andadura… Resta o apoio técnico: um microfone na lapela com gravação direta, enquanto a Inteligência Artificial não fizer milagres. O efeito positivo da mera gravação direta pode ser comprovado no registo da conversa “Antepassados do Surrealismo: o Maneirismo” (https://youtu.be/1LM9SLzHzIA).

Há cerca de uma dúzia de anos, empreendi, com o meu filho mais velho, o João, um estudo breve dedicado a seis festas de Cabeceiras de Basto: São Bartolomeu de Cavez; São Sebastião; São Tiago; Santa Senhorinha; São Miguel; e Nossa Senhora do Remédios (ver pdf em anexo). A autarquia voltou a convidar-me, há meses, para uma tertúlia com base nos resultados então obtidos.

Não gosto de me repetir, o que me obriga a contornar os temas sugeridos. As festas serão o pretexto e o alvo, mas não o foco, o conteúdo. Numa divagação solta, sem pruridos académicos, será questão de “imaginar poeticamente imaginários”, com as festas como ponto de partida e de chegada de um roteiro fragmentado e disperso, orientado, principalmente, por um desígnio: inovar e interessar.

Já não discursava de pé fazia anos. Abusei da mobilidade, e a qualidade da transmissão ressentiu-se. O vídeo com a comunicação acusa a perda [importa aumentar o volume do som]. Como complemento, recomendo o artigo O abraço ao divino: a experiência pessoal e social da festa (Tendências do Imaginário, 17.07.2022).

Seguem:

  • O vídeo com a receção (animação e apresentação) – ca. 13 minutos;
  • O vídeo com a comunicação propriamente dita – ca. 97 minutos;
  • O texto correspondente ao capítulo: Gonçalves, Albertino & Gonçalves, João. Entre o céu e a terra: festas e romarias de Cabeceiras de Basto. In Cabeceiras de Basto. História e património, 188-201. Cabeceiras de Basto. Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, 2013
Entre o Ceu e a Terra. Festas e Romarias de Cabeceiras de Basto. Receção e apresentação. Casa do Tempo, 13 set. 2024
Entre o Céu e a Terra. Festas e Romarias de Cabeceiras de Basto. Comunicação. Por Albertino Gonçalves. Casa do Tempo, 13 set. 2024

A Cabra e o Carneiro

Eduardo Pires de Oliveira. André Soares. União de Freguesias de São Lázaro e São João de Souto. Braga. 2024

Quinta, 7 de novembro, assisti à apresentação do livro André Soares, da autoria de Eduardo Pires de Oliveira. Um momento feliz! As crianças encheram o auditório da Escola André Soares e participaram com entusiasmo. Importa ir ao encontro de “novos públicos”, porventura menos académicos, mas, nem por isso, menos motivados e interessantes. Não me parece ser esta uma vocação prioritária das universidades, demasiado autocentradas e subordinadas a métricas alienantes. Salvo em termos financeiros, não se lhes apresenta como um investimento particularmente rentável.

Apresentação do livro André Soares. 07.11.2024. Fotografia de Alberto Gonçalves

Promovida pela União de Freguesias de São Lázaro e São João do Souto, esta obra dedicada a André Soares afirma-se como pioneira, a primeira de uma coleção infantojuvenil dedicada a figuras históricas da cidade de Braga. Aprecio iniciativas seminais, que abrem portas. Prefiro a cabra que se aventura por escarpas agrestes ao carneiro que sabe de cor o caminho do pasto.

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Max Ernst. The Beautiful Thing. 1925

Por falar em cabra, aproveito para colocar o videoclip “La puta de la cabra”, de Los Legionarios. O carro, um “carocha”, é igualzinho, incluindo a cor, ao primeiro que tive. Para contrabalançar, acrescento uma animação da canção “Sheep”, dos Pink Floyd, criada por Trippy Vortex com recurso à Inteligência Artificial.

Los Legionarios / The Farmlopez – La puta de la cabra / La Kabra. Popular, anos 90
Pink Floyd – Sheep. Animals, 1977. Animação criada por Trippy Vortex. AI Music Video. 2023

Novo livro sobre André Soares para público infantojuvenil

Na próxima quinta ocorre o lançamento do novo livro de Eduardo Pires de Oliveira. Nada de extraordinário. O Eduardo não para de escrever e publicar textos. Mas, desta vez, resulta diferente. Dedicado à vida e à obra de André Soares e destinado a um público infantojuvenil, o autor assume o o desafio de propiciar uma leitura acessível, “amigável”. Admito aguardar com bastante curiosidade a apresentação para descobrir a solução adotada. Tenho, portanto, encontro marcado às 11 horas do dia 7 de novembro no Auditório Braga Simões da Escola André Soares.