Os dois infinitos

O meu filho mais velho, o João, descobriu um novo entretenimento: tirar fotografias noturnas ao infinito. Um deslumbramento. Ao contemplá-las, acode-me um extenso pensamento de Blaise Pascal sobre os dois infinitos. Não me canso de o reler. Junto dois excertos em pdf. Como se tornou raro publicar artigos de raiz, aproveito a ocasião para acrescentar três vídeos dos Dvein, de Barcelona.
A Beleza do Perfume

Admiro os anúncios a perfumes. Um mar de dificuldades. Através do monitor, vemos e ouvimos. Não apalpamos, degustamos ou cheiramos. Não obstante, sentimo-nos tocados. Reagimos aos vídeos e à música com o corpo. Mas o perfume, não o vemos, nem o ouvimos, nem o tocamos. A comunicação do cheiro é complicada, tanto mais que o cheiro é pessoal, irredutível à agregação colectiva.
O anúncio japonês “All Beautiful Things Come From Nature” (2017), pelo Dvein, para a Shiseido, é lindo, lindo, lindo! “Lindo de morrer”!
Aflição
Mais um vídeo dos Dvein, desta vez um vídeo musical. Dos Dvein para os The Vein. Uma erupção de rostos perturbadores. Lembram outros rostos, por exemplo, o Grito, de Edvard Munch, a Tempestade, de Auguste Rodin ou a animação do filme The Wall, dos Pink Floyd. Mas lembram, sobretudo, os rostos de Francis Bacon (ver galeria de imagens). Convém, no entanto, precisar que mais do que pelos rostos, o vídeo dos Dvein sobressai pelo movimento, o fluxo magmático, em que estes se movem, se debatem, se desfiguram e se transformam. Um trabalho técnico e criativo notável.
Dvein. Magma. 2013.
Francis Bacon: galeria de imagens
Dvein: Imaginar a Moda

“Formed in Barcelona in 2007, Dvein is a collaborative collective that pushes the limits of live action and CGI storytelling, helmed by creative directors Teo Guillem and Carlos Pardo. With a background in fine art and design, the collective merges the physical with the digital world to craft sleek visual effects infused with their own distinctive, organic aesthetic. With an experimental, design-driven culture at its core, Dvein combine live action with animation to pursue a unique visual language in all their work across cinema, broadcast, music video, art and installation” (http://www.dvein.com/info/about).
Admiro o trabalho, extenso, dos Dvein. O que mais impressiona é a construção, tecnicamente apurada, de objectos e imagens disformes em compulsiva mutação. Omar Calabrese diria “monstruosidades”.
Estes três vídeos são dedicados à moda.
O primeiro, Factory, para Jean Paul Gaultier, estreado em Janeiro de 2016, comporta uma negociação entre estilos: dos Dvein e de Jean Paul Gaultier. Inovar na tradição, eis a questão.
Marca: Jean Paul Gaultier. Título; Factory. Agência: Melle nöi. Direcção: Dvein. França, Janeiro 2026.
O segundo, o anúncio Purity, para a Dorna, presta-se mais ao jeito dos Dvein, mormente a apetência pela estetização de fluídos.
Marca: Dorna. Título: Purity. Agência: Ogilvy Frankfurt. Direcção: Dvein. 2015.
O terceiro vídeo regista uma projecção de hologramas durante um desfile da Diesel (Liquid Space). O final com a imagem a entrar na garrafa é genial.
Dvein. Diesel’s Liquid Space fashion show. Florença. 2007.
Regressaremos noutros artigos à obra dos Dvein.


