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Alegoria das cuecas

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Os olhos já viram muito, mas nunca semelhante coisa. Viram anúncios de automóveis que se esquecem de mostrar o automóvel. Mostram, por exemplo, fetos de animais, concluindo com a marca, o emblema e o lema. Tantos! Mas nenhum com cuecas! Surpresa? Sinal que estamos vivos, e o mundo também. Publicitar um automóvel discorrendo, alegoricamente, sobre cuecas é obra. Porventura, uma obra genial.

Marca: Opel. Título: Ride Comfortably. UncleGrey, Copenhagen. Direcção: Laerk Hertoni. Dinamarca, Setembro 2016.

O berço e a arca: crianças e animais

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A inclusão de crianças e de animais nos anúncios é uma tentação da publicidade. Cativam e sensibilizam o público. As crianças e os animais são amorosos, desprotegidos, surpreendentes e expressivos. E gostam de nós! A escolha do primeiro anúncio não podia ser mais apropriada: bebés experimentam alimentos. O olhar atarda-se nas bocas e nas reacções faciais. A ternura de uma expressão canina vale mil imagens. Duplamente afeiçoado, o cão revela quão perturbador pode ser um coração dividido.

https://vimeo.com/181817088

Marca: Superbrugsen. Título: How to get good eating habits. Agência: Konstellation & Republica, Copenhagen. Dinamarca, Setembro 2016.

Marca: Honda. Título: Lost and Found. Agência: RPA. USA, Setembro 2016.

Fecundidade

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Calma, humor e inteligência. Este anúncio dinamarquês é uma delícia. A queda da taxa de fecundidade é, desde os anos 1960, um problema. Mas as mães que querem ser avós encontraram uma solução: apostar no lazer dos filhos “tão distraídos do futuro da humanidade”: viagens, calor e exercício. Com estas artes, a cegonha está a caminho. Se quer ser avó, a agência de viagens Spies Travel é uma boa opção.

Marca: Spies Travel. Título: Do it for mom (Do it for Denmark 2). Agência: Robert/Boisen & Like-Minded.  Direcção: Niels Norlov. Dinamarca, Setembro 2015.

Taxas de fecundidade na Europa

H&M: Reciclagem de roupa

Iggy Pop na campanha da H&M

Iggy Pop na campanha da H&M

The collection is made from recycled textile from the Garment Collecting initiative in H&M’s own stores. H&M has made a film with a clear message: “There are no rules in fashion but one, to recycle your clothes”. H&M has made it a mission to create a loop when it comes to textile. By receiving old clothes and using it in the manufacturing of new products H&M seeks to minimize the damage on the environment and create a new future for the fashion industry.

A H&M concebeu uma campanha brilhante com o selo da ecologia e da sustentabilidade. Propõe-se comprar roupa usada e recicla-la. Já está a funcionar em Braga. Compra, é certo, barato. Mas o cerne da questão não reside no negócio económico mas no envolvimento simbólico. Quer-me parecer que as pessoas acodem mais depressa, e com outra motivação, às lojas da H&M para vender um saco de roupa usada por 5 euros do que para beneficiar de um desconto de 10 euros. Saber vender é uma profissão; consegui-lo é uma arte.

Marca: H&M. Título: Close de loop. Dinamarca, setembro 2015.

Virados do avesso

Kate MacDowell. Daphne. 2007.

Kate MacDowell. Daphne. 2007.

Quem rejeita desencontros como este?
O anúncio da Interflora é uma bela parábola.
Diferença, aproximação, devir.
O gótico torna-se clássico, e vice-versa.
Tu não és apenas o que és mas o que podes ser.
Contraditorial, é atributo do homem poder virar-se do avesso.

Marca: Interflora. Título: Odd love. Agência: Brandhouse. Direcção: Martin Werner. Dinamarca, Fevereiro 2015.

A microfísica do prazer. Sociologia sem palavras 16.

Babette's FeastO episódio do banquete no filme A Festa de Babette é sublime. É lento, mas repleto de sentimentos e emoções. O banquete é um momento de prova, um momento único. Nunca aconteceu antes, jamais voltará a acontecer. Nas expressões e nos gestos mais ínfimos, adivinham-se os corações a rejubilar, entre a sede da alma e a fome do corpo. O episódio evolui num ambiente de profunda religiosidade existencial. Duas epifanias emergem sem se cruzar: a redescoberta do prazer por parte do General, com a sublimação do amor pelo paladar, e a descoberta do prazer pelos habitantes da aldeia, desde o exorcismo preventivo até ao aleluia da conversão. Um prazer que liberta as pessoas e restaura a comunhão do grupo. São doze os comensais, descontando Babette. Trata-se de uma ceia. Cada ingestão, cada bocada, cada gole, é um passo de transubstanciação. Babette, a cozinheira responsável por este estado de graça, é um anjo ambivalente: redime pelo prazer. O filme termina com a seguinte frase proferida por uma das irmãs para quem Babette trabalha: “No Paraíso tu serás a grande artista que Deus tinha pensado que serias. Como serão felizes os anjos!”

Este excerto do filme A Festa de Babette é um magnífico exemplo de microfísica do prazer. Desafia e agracia os sociólogos: rituais, religiosidade, interacção, bastidores, clivagens, linguagem corporal, mudança, felicidade, estética do bom e do bem… Os excertos da série Sociologia sem palavras raramente se prolongam para além dos seis minutos. Este caso é uma excepção, atinge os dez minutos. A dinâmica entre o “apetite corporal” e o “apetite espiritual” justifica-o. Bem haja quem me fez descobrir este filme!

Gabriel Axel, Babette’s Feast. 1987. Excerto.

O Jogador

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Já que o equiparam, ponham-no a jogar! Tem uma mão esquerda certeira. A publicidade passa, naturalmente, por uma fase iconófila agravada. O futebol nunca saiu dela.

Marca: Ladbrokes. Título: Iconic celebration. Agência: McCann. Direção: Emil Möller. Dinamarca, Junho 2014.

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Alexandra

Alexandra

A Marta (http://tendimag.com/2014/05/23/marta/) não é a única actriz do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, da Universidade do Minho. Ainda estamos no início da galáxia. A Alexandra é a protagonista do vídeo musical Change the Song, da banda dinamarquesa Vinyl Floor, estreado em 2014. Este vídeo consta da MTV (http://www.mtv.com/videos/vinyl-floor/1013802/change-the-song.jhtml). Para identificar a Alexandra, não é preciso qualquer pista. Amanhã, dia 24 de Maio, o curso vai passar o fim-de-semana a Melgaço. Já estou a imaginar os melgacenses a fazer fila para uma sessão de autógrafos.

Vinyl Floor. Change the song. Dinamarca. 2014.

Voto animado

Estes dois anúncios dinamarqueses não olham a meios para chamar os eleitores às urnas e lhes ensinar a arte de votar. Ambos servem um cocktail grotesco: sexo, violência, boçalidade e animação. O caminho das urnas é insondável. Promove-se, deste modo, a participação dos jovens? Com que efeito no sentido do voto? Retirado no dia seguinte ao lançamento no YouTube e no Facebook, o primeiro anúncio deixa um trago incómodo. A publicidade em torno das eleições europeias tem-se revelado uma autêntica caixa de surpresas. Carregar na imagem para aceder ao primeiro vídeo.

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Parlamento Dinamarquês. Voting Video, Danish Style. Dinamarca, Maio 2014.

Interacção em silêncio

coca-cola-light-belly-ring-small-48458Não é apenas a memória que conquista o espaço público. O simulacro de interacção também vai de vento em popa. Exibe-se e promove-se. As campanhas que se desdobram em várias iniciativas faseadas representam um bom exemplo. Este SLURP! é mais um anúncio de boas intenções, em que a Coca-Cola alerta contra os ruídos emitidos durante a projecção dos filmes. O modo, embora complicado, é particularmente eloquente. Quanto ao formato “apanhados”, veio para durar. Não deixa, enfim, de ser curioso que a cena escolhida como particularmente carente de silêncio diga respeito ao prelúdio de um acto sexual.

Marca: Coca-Cola. Título: SLURP. Agência: Saatchi & Saatchi, Copenhagen. Direcção: Christian Eagles Borg. Dinamarca, Março 2014.