Jovens para sempre

A representação social das “idades da vida” muda substantivamente consoante os períodos históricos. A imagem da velhice conheceu, assim, altos e baixos. Desde há poucas décadas, assiste-se, por vários motivos, à sua “revalorização” e “revitalização, senão “rejuvenescimento”.
Observa-se o fenómeno em vários domínios, nomeadamente a publicidade, por exemplo nos anúncios “Unlimited Youth”, de 2016, no artigo A Juventude não tem idade, e “Years of Magic”, de 2018, no artigo A segunda juventude: os super avós. Em alguns casos, frisa-se a hipérbole, quase o delírio, como no anúncio “Aidez-nous à sauver des vies”, de 2017, no artigo A Super Avó, que lembra, precisamente, a série Super Gran, dos anos oitenta.
Dança animal na publicidade 1. Orangotango
Além de cantar, os animais também dançam nos anúncios publicitários e nas curtas-metragens. Ou os animais dançam, a solo ou em grupo, como humanos, ou os humanos como animais, ou, ainda, humanos e animais dançam em conjunto. Não é difícil ilustrar estas três possibilidades. Começamos com um anúncio em que um orangotango, após ter bebido um sumo da marca dinamarquesa Rynkeby, desata a dançar, energicamente, a canção I Like To Move It, original dos Reel 2 Reel (1994).
Ramos e achas
Cortar ramos e lançar achas para a fogueira: podar ou castrar árvores?

As pessoas resistem a ideias novas. Acontece dizerem que só passados vários dias começaram a achar determinadas ideias interessantes. Pois é, só lhes dão valor quando já estão velhas nas suas cabeças.
Sobre Agnes Obel, escrevi: “é uma cantora, compositora e pianista dinamarquesa. As suas canções são despojadas, quase intimistas. Parece soprar uma chama que não quer apagar” (https://tendimag.com/2020/11/06/agnes-obel/). Seguem três canções, incluinto “Fuel to fire”.
Ligações insuspeitas

Agraciado com vários prémios, o anúncio dinamarquês All That We Share – Connected, da TV 2, tem um cariz sentimental, eventualmente patético. O simulacro proposto tem, no entanto, a virtude de apontar para uma realidade: a probabilidade de ocorrência de conexões ou laços sociais improváveis. Perante uma pessoa estranha, que tudo parece separar, não é despropositado apostar que algo nos pode unir. O Tendências do Imaginário já contempla um anúncio congénere, de 2017, da TV 2 que incide, nesse caso, sobre as afinidades improváveis (ver A passerelle Electrónica: https://wordpress.com/post/tendimag.com/41377).
Flutuar

Quando a vida é um acidente constante, “a cabeça não tem juízo… e o corpo é que paga”, o melhor é flutuar. Assim o entende o anúncio Marie finds her flow, da Lego, que culmina com um piscar de olho à sua parceira Adidas.
Acerca da importância do voo, da leveza e da levitação no imaginário, ver os artigos Leveza e turbulência na pintura de Goya; e A civilização da leveza.
António Variações, O corpo é que paga:
Existir demais

Quando nos escondemos, existimos de menos ou existimos demais? Quando precisamos dos outros, estamos mais sós? E se tu não existisses, teria de te inventar?
Música das esferas

O dinamarquês Rued Langgaard (1893-1952) compôs Música das Esferas entre 1916 e 1918. Original, experimental e sem sucesso imediato. Existem muitas músicas a que me habituei a chamar “músicas das esferas”. Lembro os Tangerine Dream, Jean-Michel Jarre e, especialmente o Klaus Schulze. Retenho, por enquanto, duas músicas: Tubular Bells II, de Mike Oldfield; e Mammagamma, de The Alan Parsons Project. Acrescento um terceiro vídeo com a Música das Esferas, de Rued Langgaard.
Agnes Obel

Agnes Obel é uma cantora, compositora e pianista dinamarquesa. As suas canções são despojadas, quase intimistas. Parece soprar uma chama que não quer apagar. Publicou quatro álbuns; algumas músicas ultrapassam 25 milhões de visualizações. Segue The Curse, ao vivo em Berlim.
Desencontro no elevador

As cenas filmadas em elevadores são frequentes na publicidade. No cinema, também. Mas o anúncio The lift, da dinamarquesa Bianco, distingue-se. Em primeiro lugar, é extenso: quatro minutos e meio. É preciso tempo para que nada aconteça. Em segundo lugar, ao contrário da maioria dos anúncios, a Bianco não aposta na linguagem corporal. Os corpos são inexpressivos, mas pensantes. Duas múmias legendadas. O desfecho justifica o provérbio: para iniciar uma relação, analisa menos e comunica mais.
Antes de colocar um anúncio, costumo conferir se não o publiquei anteriormente. Neste caso, esperei pela conclusão do artigo: o anúncio The Lift já tinha sido colocado (https://tendimag.com/2019/04/15/o-primeiro-passo/). O blogue cresce e a memória encolhe. Mas uma repetição é mais do que uma repetição. Conjunturais e volúveis, os comentários diferem. Um é romântico, atento às personagens; o outro é cínico, centrado no formato. Polifonias.
O anúncio dinamarquês The Lift, da Bianco, revela-se inteligente, criativo, original, minimalista, lento e convincente. A interacção no elevador peca por incomunicação verbal e não verbal. Desejo sem iniciativa, sentimento sem risco, corpos sem contacto. “Amor que arde sem se ver”. Convenha-se que a interpelação do outro, seja qual for a orientação sexual, é cada vez mais problemática. E, no entanto, a menina até perdeu o emprego por excesso de utilização do elevador. Feitos um para o outro e faltou-lhes uma acendalha. Aperta-nos este nosso cerco interior, sem janela nem tranca, que nos separa de quem nos atrai! (AG, 14 Abril 2019).

