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Maquilhagem invisível

Jequiti

A fada madrinha transformou Cinderela. Nem sequer as irmãs a reconheceram. O rei, acreditando-se magnificamente vestido, desfilou nu. O rei perdu a realeza, Cinderela adquiriu-a. Estes dois contos são arquétipos da humanidade.

O anúncio brasileiro Invisible Make Up, da JEQUITI, é rebuscado. Trata-se de uma encenação. Duas mulheres, convictas de estar maquilhadas a preceito, logram um bom desempenho numa entrevista de emprego. Mas, tal como o rei acreditava trajar roupas fabulosas, elas não estavam maquilhadas. Se maquilhagem houve, foi do espírito.

Este anúncio apresenta-se estranho. Lembra um anúncio a um refrigerante cujo lema é: se tiver sede, não beba! Para brilhar pode dispensar a maquilhagem. Um hara-kiri publicitário? Parece, mas não é. Não é, aliás, o primeiro a arriscar esta fórmula. Começa como um anúncio de sensibilização convocando dois tópicos maiores: o género e o desemprego. Termina com a seguinte sentença: “This wasn’t a makeover to hide something. It was to show something”. A maquilhagem não deve ocultar mas revelar a pessoa. A confiança e a naturalidade sobrepõe-se à máscara e ao artifício. Se pretende assumir-se e revelar-se, abraçar a sua personalidade, a JAQUETI está à sua espera, está ao seu dispor: “You only need yourself. But if you need us, we are here”.

Marca: JEQUITI . Título: Invisible Make Up. Agência: BETC São Paulo. Direcção: Georgia Guerra-Peixe. Brasil, Maio 2018.

Sob suspeita

jean-jacques-rousseau

Jean-Jacques Rousseau

Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos (Jean-Jacques Rousseau [1762], Émile, La Pléiade, IV, pág. 323).

Um anúncio de consciencialização que incide, sem eufemismos nem artifícios, num problema específico é uma dádiva rara. Que obstáculos enfrenta uma pessoa, nomeadamente uma mulher, que pretende retomar a actividade profissional? A “campanha contra os preconceitos” da associação Tissons la Solidarité encena um diálogo desigual entre uma mulher à procura de emprego e o responsável pelos recursos humanos da empresa, que sabe o que quer. Não quer, por exemplo, contratar quem interrompeu a carreira profissional. Pelos vistos, é mau sinal, sinal de dúvida acerca da motivação da candidata. Findo o crivo, resta à candidata agradecer a mortificação do eu a que foi submetida. O disparate não reside nos preconceitos do responsável pelos recursos humanos. Este é apenas um intérprete da política laboral desta e de outras empresas. Explícito, este anúncio não é hiper-real. Mas é duro. Consciencializar não é ameaçar, mas enquadrar e esclarecer. O preconceito, o estigma e a injustiça no trabalho amesquinham a nossa cidadania.

Anunciante: Tissons la Solidarité. Título: Entretien avec Mathilda May. Agência : Publicis Conseil. Direcção : Jérome Bonnel. França, Fevereiro 2017.

 

A crise chega aos animais do presépio

O Papa dispensou a vaca e o burro do presépio, não obstante tantos séculos de antiguidade e uma assiduidade irrepreensível. Logo no meio desta crise. Mas a vaca e o burro não baixam os braços. São animais pró-activos. Este anúncio da Opal conta toda a história. Carregar na imagem para aceder ao vídeo.

Opal Publicidade. Natal Vitae. Dezembro 2012.

Opal Publicidade. Natal Vitae. Dezembro 2012.

Anunciante: Opal. Título: Natal Vitae. Agência: Opal Publicidade, Porto. Direcção artística: Tiago Ribeiro e Gonçalo Santos. Portugal, Dezembro 2012.

 

Desemprego / Coveiro

Hesitei em publicar este anúncio. Mas o certo é que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Brasil, em Maio, a taxa de desemprego era 6%. Nós, por cá, estamos acima dos 15%. Uns bons palmos mais!… Sem mais comentários.

Cliente: UOL. Produto: Emprego Certo. Título: Coveiro. Agência: Borghiehr/Lowe. Direção: Andre Ferezini. Brasil, Abril 2012.