Ao Estilo de Mark Knopfler e David Gilmour

“E se Mark Knopfler e David Gilmour protagonizassem um pequeno jam? Laszlo Buring concebeu e simulou este “diálogo improvisado” entre ambos, concretizando-o com uma interpretação soberba. Seguem dois vídeos: If Mark Knopfler & David Gilmour had a little jam… I e II, por ordem inversa.
Imagem: Laszlo Buring
Sempre me tentou tocar guitarra, acústica ou elétrica. Adquiri uma acústica. Isolado em casa, sobrava motivação e tempo para dedilhar cordas. Cometi dois erros de perspetiva. Todas as manhãs pico um dedo da mão esquerda para medir a glicémia, a parte do corpo mais sacrificada pela guitarra. Por outro lado, não fiz uma boa opção: a acústica exige mais esforço ao nível dos dedos do que a elétrica. Tocar o Samba Pa Ti tornou-se um desejo impraticável. Mais ou menos conformado, acabei por reciclar a guitarra atribuindo-lhe uma função para que se presta: meramente decorativa.
Cabelos brancos e rostos de anjo
Time for this mortal man to love
the child that holds my hand

Enquanto se abraçarem pais e filhos, velhos e jovens, relíquias e promessas, cabelos brancos e rostos de anjo, haverá lugar para dedicar um altar à esperança. Segue um vídeo com originais e reposições do álbum Luck and Strange lançado há dias (6 de setembro). A não perder. Obrigado, David Gilmour! A proporcionar prazer desde 1971 (Echoes). Como gosto de gostar!
Mesmo que, no seu caso, não seja admirador dos Pink Floyd e, em particular, do David Gilmour, convido-o a apreciar esta performance de 21 minutos.
Elegia transpirada

Enquanto aguardo as últimas fotografias do Cortejo Histórico de Melgaço, escuto música. Recordo Richard Wright, teclista dos Pink Floyd, que se eclipsou faz 15 anos. Não desapareceu, partiu para o outro lado da lua. Editou dois álbuns a solo, Wet Dream, em 1978, e Broken China, em 1996, com as canções Breakthrough, Summer Elegy e Reaching For The Rail.
David… Gilmour e Bowie
Melhor que o David Gilmour só o David Gilmour com o David Bowie. Seguem as músicas “Arnold Layne” (1967) e “Confortably Numb” (1979), ambas dos Pink Floyd, interpretadas no concerto Remember That Night, no Royal Albert Hall, em Londres, no dia 9 de maio de 2006.

Génese


Os Pink Floyd representam uma espécie de santuário das minhas intimidades. Lançado em março de 1973, The Dark Side of the Moon ofereceu-se como música de fundo quando, por tentação réptil, partilhei com a primeira mulher o fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Uma experiência única: a saída às arrecuas do Jardim do Éden e a entrada sem remissão no Jardim das Delícias Terrenas.
A seguinte interpretação de “Breathe” e “Time”, pelo David Gilmour, no Royal Albert Hall, em 2006, é simplesmente brilhante. Inesquecível!
Entrar na idade



“A diferença entre os jovens e os velhos é que os velhos têm muito mais recordações e muito menos memória” (Paul Ricoeur, Lire – Octobre 2000)
“Os velhos não morrem, adormecem um dia e dormem demasiado tempo” (Jacques Brel, Les Vieux, 1963)
O que é ter idade? Questiono-me enquanto acompanho carreiras como, por exemplo, as de Mick Jagger (80 anos),Eric Clapton (79), Sérgio Godinho (78) e tantos outros. O que é ser velho? Não perguntem ao Estado, que este oscila, no meu entendimento, demasiado entre a (des)classificação, o assistencialismo e o oportunismo.
David Gilmour, com 78 anos, lança em setembro um novo álbum: Luck and Strange. Segue, em jeito de antestreia, a faixa The Piper’s Call. Observando o vídeo oficial, parece que a religiosidade, não necessariamente a religião, está no ar. Respira-se!
Fantasmas
Fantasmas na paisagem, na aldeia, no cemitério e na cama. Yes, I Have Ghosts é uma canção inédita recente de David Gilmour com a filha Romany Gilmour (2020). Um toque de Leonard Cohen em David Gilmour.
Caroline Dale, uma violoncelista versátil.

Caroline Dale, “a masterly exponent of the cello” (Daily Mail), nascida em 1978, é uma compositora e violoncelista britânica com formação e repertório clássicos. Não desdenha, porém, participar em músicas e concertos rock. Colaborou com os Led Zepplin, os Oasis, Nigel Kennedy, Robert Wyatt, Sinéad O’Connor e os U2. Acrescem David Grey e David Gilmour. Aparece, por exemplo, no concerto ao vivo de David Grey em Dublin em 2011 (ver o primeiro vídeo do artigo David Grey: Alma e Coração). Atuou em vários concertos com David Gilmour (ver vídeo 4); a música Babbie’s Daughter (vídeo 3) foi composta por David Gilmour que a acompanha na guitarra. Seguem três músicas do álbum Such Sweet Thunder, publicado em 2002, e o vídeo de David Gilmour, Shine on Crazy Diamond, ao vivo em 2001.
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A herança dos Pink Floyd
Falar em David Gilmour é pensar, também, em Roger Waters. Gilmour com 75 anos e o Waters com 77, são os dois rostos dos Pink Floyd. Continuam ativos. Roger Waters lançou um álbum em 2017 (Is This the Life We Really Want?), outro em 2018 (Igor Stravinsky’s The Soldier’s Tale); David Gilmour publicou o álbum Rattle That Lock, em 2015, e o single Yes, I Have Ghosts, em 2020. A solo, durante e após os Pink Floyd, Roger Waters assinou seis álbuns de estúdio e David Gilmour, quatro.
Discos de Roger Waters






David Gilmour e Roger Waters são inconfundíveis. São diferentes. Associo-os, no entanto, a um mesmo aspeto da respetiva carreira. Nenhum descola da matriz dos Pink Floyd, nomeadamente da última fase da banda. A ópera Ça Ira (2005), de Roger Waters, é, porventura, a exceção. A meu ver, não recriaram a herança dos Pink Floyd. Ouvi e reouvi os discos, pacientemente, à espera de algum diamante escondido. Repare-se que os Pink Floyd se notabilizaram pela sua renovação regular. Como nenhuma outra banda!
Discos de David Gilmour




Seguem três músicas do Roger Waters. Duas integram o álbum mais recente Is This Life We Really Want? (2017). A primeira, Hello In There, é especial. A segunda, The Gunner’s Dream, é, pelo contrário, um cover dos Pink Floyd (The Final Cut, 1983). A terceira, It’s A Miracle, do álbum Amused To Death (1992), encaro-a como um pequeno diamante.
David Gilmour e Leonard Cohen

David Gilmour compôs em 2020 a canção Yes I Have Ghosts (vídeo 1) por ocasião do lançamento do áudio-livro A Theater For Dreams (2020) da esposa Polly Samson. É acompanhado pela filha Romany Gilmour (harpa e voz). Lembra Leonard Cohen. O suficiente para justificar uma pesquisa rápida. Há registo de David Gilmour a interpretar várias canções de Leonard Cohen, tais como So Long, Marianne, Fingerprints, Bird o the Wire, Hey, That’s No Way To Say Goodbye… E If It Be Your Will, cover gravado em família (vídeo 2). Não resisto a acrescentar o original de Leonard Cohen (vídeo 3). Um emigrante melgacense no Canadá ofereceu-me uma cassete de Leonard Cohen com esta canção. As coisas são relações sociais.
