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Ao Estilo de Mark Knopfler e David Gilmour

“E se Mark Knopfler e David Gilmour protagonizassem um pequeno jam? Laszlo Buring concebeu e simulou este  “diálogo improvisado” entre ambos, concretizando-o com uma interpretação soberba. Seguem dois vídeos: If Mark Knopfler & David Gilmour had a little jam… I e II, por ordem inversa.

Imagem: Laszlo Buring

Sempre me tentou tocar guitarra, acústica ou elétrica. Adquiri uma acústica. Isolado em casa, sobrava motivação e tempo para dedilhar cordas. Cometi dois erros de perspetiva. Todas as manhãs pico um dedo da mão esquerda para medir a glicémia, a parte do corpo mais sacrificada pela guitarra. Por outro lado, não fiz uma boa opção: a acústica exige mais esforço ao nível dos dedos do que a elétrica. Tocar o Samba Pa Ti tornou-se um desejo impraticável. Mais ou menos conformado, acabei por reciclar a guitarra atribuindo-lhe uma função para que se presta: meramente decorativa.

Lazlo Buring – If Mark Knopfler & David Gilmour had a little jam… PART TWO. Colocado no YouTube em 22.05.2022
Lazlo Buring – If Mark Knopfler & David Gilmour had a little jam… Colocado no YouTube em 13.05.2022
Santana – Samba Pa Ti. Abraxas, 1971. Ao vivo em The House of Blues, Las Vegas, 2016.

Cabelos brancos e rostos de anjo

Time for this mortal man to love
the child that holds my hand

Enquanto se abraçarem pais e filhos, velhos e jovens, relíquias e promessas, cabelos brancos e rostos de anjo, haverá lugar para dedicar um altar à esperança. Segue um vídeo com originais e reposições do álbum Luck and Strange lançado há dias (6 de setembro). A não perder. Obrigado, David Gilmour! A proporcionar prazer desde 1971 (Echoes). Como gosto de gostar!

Mesmo que, no seu caso, não seja admirador dos Pink Floyd e, em particular, do David Gilmour, convido-o a apreciar esta performance de 21 minutos.

David Gilmour – Luck and Strange Tour Rehearsal (Live). Músicas do álbum Luck and Stranger, estreado em setembro 2024

Elegia transpirada

Enquanto aguardo as últimas fotografias do Cortejo Histórico de Melgaço, escuto música. Recordo Richard Wright, teclista dos Pink Floyd, que se eclipsou faz 15 anos. Não desapareceu, partiu para o outro lado da lua. Editou dois álbuns a solo, Wet Dream, em 1978, e Broken China, em 1996, com as  canções Breakthrough, Summer Elegy e Reaching For The Rail.

Richard Wright – Breakthrough. Broken China, 1996. Ao vivo no Royal Festival Hall, em junho de 2001. DVD David Gilmour in Concert, 2022.
Richard Wright – Summer Elergy. Wet Dream, 1978
Richard Wright – Reaching For the Rail (com Sinéad O’Connor). Broken China, 1996

David… Gilmour e Bowie

Melhor que o David Gilmour só o David Gilmour com o David Bowie. Seguem as músicas “Arnold Layne” (1967) e “Confortably Numb” (1979), ambas dos Pink Floyd, interpretadas no concerto Remember That Night, no Royal Albert Hall, em Londres, no dia 9 de maio de 2006.

David Bowie, David Gilmour e Richard Wright. Royal Albert Hall. Maio 2006
David Gilmour (com David Bowie) – Arnold Layne. Original: Pink Floyd, single de 1967. Concerto Remember That Night, Royal Albert Hall, 9 de maio de 2006
David Gilmour (com David Bowie) – Confortably Numb. Original: Pink Floyd, The Wall, 1979. Concerto Remember That Night, Royal Albert Hall, 9 de maio de 2006

Génese

Hieronymus Bosch. O Jardim das Delícias Terrenas. Tríptico. Entre 1490 e 1500. Museu do Prado

Os Pink Floyd representam uma espécie de santuário das minhas intimidades. Lançado em março de 1973, The Dark Side of the Moon ofereceu-se como música de fundo quando, por tentação réptil, partilhei com a primeira mulher o fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Uma experiência única: a saída às arrecuas do Jardim do Éden e a entrada sem remissão no Jardim das Delícias Terrenas.

A seguinte interpretação de “Breathe” e “Time”, pelo David Gilmour, no Royal Albert Hall, em 2006, é simplesmente brilhante. Inesquecível!

David Gilmour, Breathe & Time (Pink Floyd, The Dark Side of the Moonm 1973). Ao vivo no concerto Remember That Night, no Royal Albert Hall, em 2006

Entrar na idade

“A diferença entre os jovens e os velhos é que os velhos têm muito mais recordações e muito menos memória” (Paul Ricoeur, Lire – Octobre 2000)
“Os velhos não morrem, adormecem um dia e dormem demasiado tempo” (Jacques Brel, Les Vieux, 1963)

O que é ter idade? Questiono-me enquanto acompanho carreiras como, por exemplo, as de Mick Jagger (80 anos),Eric Clapton (79), Sérgio Godinho (78) e tantos outros. O que é ser velho? Não perguntem ao Estado, que este oscila, no meu entendimento, demasiado entre a (des)classificação, o assistencialismo e o oportunismo.

David Gilmour, com 78 anos, lança em setembro um novo álbum: Luck and Strange. Segue, em jeito de antestreia, a faixa The Piper’s Call. Observando o vídeo oficial, parece que a religiosidade, não necessariamente a religião, está no ar. Respira-se!

David Gilmour – The Piper’s Call (Official Music Video), 2024

Fantasmas

Fantasmas na paisagem, na aldeia, no cemitério e na cama. Yes, I Have Ghosts é uma canção inédita recente de David Gilmour com a filha Romany Gilmour (2020). Um toque de Leonard Cohen em David Gilmour.

David Gilmour & Romany Gilmour. Yes I Have Ghosts. 2020.

Caroline Dale, uma violoncelista versátil.

Man Ray. Le Violon d’Ingres. 1924.

Caroline Dale, “a masterly exponent of the cello” (Daily Mail), nascida em 1978, é uma compositora e violoncelista britânica com formação e repertório clássicos. Não desdenha, porém, participar em músicas e concertos rock. Colaborou com os Led Zepplin, os Oasis, Nigel Kennedy, Robert Wyatt, Sinéad O’Connor e os U2. Acrescem David Grey e David Gilmour. Aparece, por exemplo, no concerto ao vivo de David Grey em Dublin em 2011 (ver o primeiro vídeo do artigo David Grey: Alma e Coração). Atuou em vários concertos com David Gilmour (ver vídeo 4); a música Babbie’s Daughter (vídeo 3) foi composta por David Gilmour que a acompanha na guitarra. Seguem três músicas do álbum Such Sweet Thunder, publicado em 2002, e o vídeo de David Gilmour, Shine on Crazy Diamond, ao vivo em 2001.

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Caroline Dale. Elevazione. Composição de Domenico Zipoli (1688-1726). Such Sweet Thunder. 2002.
Caroline Dale. Vivaldi concerto in G minor for two cellos: Allegro Non Molto. Such Sweet Thunder. 2002.
Caroline Dale. Babbie’s Daughter. Composição de David Gilmour. Such Sweet Thunder. 2002.
David Gilmour. Shine on Crazy Diamond. Ao vivo: Meltdown Concert Royal Festival Hall, Londres, Junho 2001.

A herança dos Pink Floyd

Falar em David Gilmour é pensar, também, em Roger Waters. Gilmour com 75 anos e o Waters com 77, são os dois rostos dos Pink Floyd. Continuam ativos. Roger Waters lançou um álbum em 2017 (Is This the Life We Really Want?), outro em 2018 (Igor Stravinsky’s The Soldier’s Tale); David Gilmour publicou o álbum Rattle That Lock, em 2015, e o single Yes, I Have Ghosts, em 2020. A solo, durante e após os Pink Floyd, Roger Waters assinou seis álbuns de estúdio e David Gilmour, quatro.

Discos de Roger Waters

David Gilmour e Roger Waters são inconfundíveis. São diferentes. Associo-os, no entanto, a um mesmo aspeto da respetiva carreira. Nenhum descola da matriz dos Pink Floyd, nomeadamente da última fase da banda. A ópera Ça Ira (2005), de Roger Waters, é, porventura, a exceção. A meu ver, não recriaram a herança dos Pink Floyd. Ouvi e reouvi os discos, pacientemente, à espera de algum diamante escondido. Repare-se que os Pink Floyd se notabilizaram pela sua renovação regular. Como nenhuma outra banda!

Discos de David Gilmour

Seguem três músicas do Roger Waters. Duas integram o álbum mais recente Is This Life We Really Want? (2017). A primeira, Hello In There, é especial. A segunda, The Gunner’s Dream, é, pelo contrário, um cover dos Pink Floyd (The Final Cut, 1983). A terceira, It’s A Miracle, do álbum Amused To Death (1992), encaro-a como um pequeno diamante.

Roger Waters. Hello In There. Is This Life We Really Want? 2017.
Roger Waters. The Gunner’s Dream. Is This Life We Really Want? 2017.
Roger Waters. It’s A Miracle. Amused To Death. 1992.

David Gilmour e Leonard Cohen

Leonard Cohen.

David Gilmour compôs em 2020 a canção Yes I Have Ghosts (vídeo 1) por ocasião do lançamento do áudio-livro A Theater For Dreams (2020) da esposa Polly Samson. É acompanhado pela filha Romany Gilmour (harpa e voz). Lembra Leonard Cohen. O suficiente para justificar uma pesquisa rápida. Há registo de David Gilmour a interpretar várias canções de Leonard Cohen, tais como So Long, Marianne, Fingerprints, Bird o the Wire, Hey, That’s No Way To Say Goodbye… E If It Be Your Will, cover gravado em família (vídeo 2). Não resisto a acrescentar o original de Leonard Cohen (vídeo 3). Um emigrante melgacense no Canadá ofereceu-me uma cassete de Leonard Cohen com esta canção. As coisas são relações sociais.

David Gilmour, com Romany Gilmour. Yes I Have Ghosts. Single, 2020.
David Gilmour, com Romany Gilmour. If It Be Your Will. Cover de Leonard Cohen. 2020.
Leonard Cohen. If it be your will. Various Positions. 1984. Ao vivo em 1988.