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Memorial

Existem momentos em que é muito importante recordar; nos outros, também! Agradeço à Almerinda Van Der Giezen a partilha deste dois links respeitantes ao espiritual “Wade in the Water”.

Imagem: Peter Lely. Elizabeth Murray (1626–1698)with a Black Servant. C. 1651

“Wade in the Water” é um dos espirituais afro-americanos mais conhecidos e carregados de significado histórico, cultural e religioso. A canção remonta ao século XIX e está profundamente ligada à experiência dos escravizados nos Estados Unidos e ao movimento de libertação por meio da Underground Railroad (Rede de Fuga). (…)
Interpretação religiosa:
• Faz alusão ao episódio bíblico de João 5:4, onde um anjo “agitava as águas” e quem entrasse primeiro seria curado. A ideia é que Deus está presente e ativo, oferecendo livramento e cura.
• O uso da palavra “trouble” (perturbar/agitar) sugere que algo milagroso está prestes a acontecer.
Interpretação codificada:
• Acredita-se que essa música também tinha função prática na fuga de escravizados. “Wade in the water” era um conselho literal: entrar na água para mascarar o rastro e confundir os cães farejadores dos caçadores de escravos.
• Harriet Tubman, uma das principais líderes da Underground Railroad, teria usado canções como essa para comunicar rotas e perigos de forma velada. (…)
Legado
“Wade in the Water” é mais que uma canção: é um símbolo de resistência, fé e inteligência coletiva dos povos escravizados. Faz parte de um legado musical e cultural que influenciou o gospel, o blues, o jazz e o soul, sendo até hoje cantada em contextos religiosos, educacionais e artísticos. (ChatGPT, 29/05/2025)

Wade in the Water (Spiritual) – A Cappella Academy Choir. A Capella Academy. Arranged and directed by Rob Dietz. Soloist: Shakale Davis. Video: Ryan Parma. Posted: 21/09/2016
Harris, K. & Harris, R. (1997). Wade in the Water. On Steal Away: Songs of the Underground Railroad [c.d.]. Morristown, NJ: Brooky Bear Music. (1984)

Cantoria animal na publicidade 3

No anúncio “Rock Me Gently”, a Jeep (Liberty) arrisca uma composição coral dramatizada em crescendo com vozes de uma grande diversidade de animais que se introduzem progressivamente no palco, palco que é o próprio interior da viatura.

Marca: Jeep Liberty. Título: Rock Me Gently. Agência: Cutwater. Direção: Blue Source. USA, 2007

Cantoria animal na publicidade 2

Desta vez, cabe à Jeep inspirar-se com a composição de uma filarmónica bestial para a abertura do Assim Falou Zaratrusta de Richard Strauss. Uma “Odisseia Terrestre” com indiscutível criatividade zoófila!

Marca: Jeep. Título: Earth Odyssey. Agência: Highdive. Direção: Lance Acord. USA, 2021

Cantoria animal na publicidade 1

É raro mas acontece as grandes marcas investirem em anúncios com coros bestiais. Encontrei uma boa mão-cheia. Segue o primeiro com um “cover” dos Queen em que a Honda Ridgeline apostou no Super Bowl 2016.

Marca: Honda Ridgeline. Título: A New Truck to Love. Agência: RPA. USA, 2016

Aveiro épico

No passado domingo, dia 4 de agosto, Aveiro descobriu-se épico: o público do Vagos Metal Fest entoou em coro, mais ou menos afinado, a canção The Bard’s Song: In the Forest, dos Blind Guardian.

Coloco dois vídeos do mesmo evento para mostrar que não se trata de um artifício (fake) produzido com recurso à Inteligência Artificial.

Blind Guardian – The Bard’s Song – In the Forest Live Vagos Metal Fest, Portugal (04-08-2024)
Blind Guardian – The Bard’s Song: In the Forest (Vagos Metal Fest 2024 – Portugal)

Oração e cumplicidade

“Quantas formas diferentes e profundas de rezar. Na “Romaria”, Elis Regina também diz que não sabe rezar. Fui escutar de novo, e num concerto ao vivo, ela toda reza, com a voz e com o corpo, terminando numa inclinação total, não para o chão, como é costume nas liturgias, mas para os céus numa total vulnerabilidade e humildade perante um Ser maior” (Almerinda Van Der Giezen, correspondência).

Uma nova pérola, luminosa, para o rosário mariano. Um pingo peregrino a escorrer do cálice ecuménico da cumplicidade. Esta “Romaria”, da Elis Regina, em Lisboa, é uma coroa de graça! Tanto que não vislumbro arte de retribuir. Aproximo-me, talvez, resgatando um cântico medieval, dedicado à “Rainha dos Polos”, entoado por um coro de anjos.

Fra Angelico, Retábulo de Bosco ai Frati (detalhe). Ca 1450

Elis Regina- Romaria. Elis, 1977. Ao vivo no Teatro Villaret, em Lisboa, em 1978. Produção da RTP, 2002.
Polorum Regina – Llibre Vermell de Montserrat. Cântico Ibérico. Catalunha. Ca. 1399.

Libera

“O mundo pula e avança / Como bola colorida / Entre as mãos de uma criança” (António Gedeão).

Libera. Locus Iste, Visions, 2005
Libera. Always with you. Visions, 2005
Libera. Sing forever. Visions, 2005

Memórias

Bach. A paixão segundo São João.

Quarenta e cinco anos depois, voltei a ver o filme Mirror (O Espelho) de Andrei Tarkovski, estreado em 1975. Vi-o, então, em Paris, na companhia de um amigo, o jesuíta colombiano Marino Troncoso, que estava a fazer a tese de doutoramento com Claude Bremond sobre o escritor Mejía Vallejo. Na REDIB, Red Iberoamericana de innovación y Conocimiento Científico, pode ler-se este apontamento:

Enseñar literatura para Marino Troncoso fue siempre un compromiso con la vida, con el arte y con la expresión de lo “radicalmente humano”; compromiso de enseñar y/o afirmar una mirada sobre el hombre, sobre el mundo, sobre nosotros mismos, sobre nuestras oscuridades y sobre nuestras regiones luminosas (https://redib.org/Record/oai_articulo721388?lng=pt).

Faleceu, entretanto. Um dos principais auditórios da Pontificia Universidad Javeriana, em Bogotá, tem o seu nome. O filme Mirror termina com o coro de abertura Herr, unser Herrscher (Senhor, Senhor nosso), de A Paixão Segundo São João, de Bach. Segue a mesma interpretação do filme, dirigida por Karl Richter. Em memória do Marino Troncoso.

Coro de abertura: Herr, unser Herrscher (Senhor, Senhor nosso), de A Paixão Segundo São João, de Bach (1724). Direção de Karl Richter, com a Orquestra Bach de Munique, em 1971.

Quando só resta o amor

Fernando Botero. Priest extends. 1977.

Viremos o disco. O grupo coral francês Les Prêtres é composto, como o nome o indica, basicamente, por três membros do clero: dois padres, Jean-Michel Bardet e Charles Troesch, e um seminarista, o vietnamita Joseph Dinh Nguyen Nguyen. Foi criado em 2010 com o intuito de apoiar iniciativas católicas e sociais. Por exemplo, a construção de uma igreja no Laos e uma escola em Madagascar. Reinterpretam, sobretudo, canções consagradas. Publicaram três álbuns (Spiritus Dei, em 2010; Gloria, em 2011; e Amen, em 2014), separando-se em 2011. Spiritus Dei ocupa, desde 2010, o segundo lugar dos discos mais vendidos em França. O grupo separou-se em 2014, após o abandono da Igreja por parte de Joseph Dinh Nguyen Nguyen, entretanto casado e pai. A música, ao mesmo tempo, abrangente, tonificante e apaziguadora, recorda, no nome, na composição e no conteúdo, o grupo irlandês The Priests.

Seguem, por ordem, as quatro primeiras faixas do álbum Spiritus Dei:

Les Prêtres. Spiritus Dei (Sarabande). Spiritus Dei. 2010.
Les Prêtres. I Believe. Spiritus Dei. 2010.

Les Prêtres. Il est né, le divin. Spiritus Dei. 2010.

Paródia pornográfica

Figura 1. Pornhub. Baterade. 2019

O anúncio mais recente da Pornhub, uma empresa multinacional de pornografia, é, assumidamente, uma paródia do anúncio Hilltop da Coca-Cola (1971). Digo paródia para não pensar implante de criatividade alheia. Mudam-se as garrafas e acrescenta-se um ou outro rosto com cio. Até a música é a mesma. Ressalve-se o plano final, que transforma um coro numa colina numa espécie de Land Art pornográfica (ver Figura 1 e Galeria de obras de Robert Smithson).

Marca: Pornhub. Título: Baterade. Agência: Officer & Gentleman. Direcção: David Triviño. Espanha, Abril 2019.
Marca: Coca-Cola. Título: Hilltop. Agência: McCann Erickson. Estados Unidos, 1971.

Galeria: Robert Smithson. Obras de Land Art.