Tag Archive | conto de fadas

Varinha mágica

iPhone-6s-onions-commercial

“Disse bizarro? ” Um anúncio a parodiar as artes… O mundo às avessas! Uma menina filma a mãe a cortar cebolas, com um iPhone 6s, a chave para o milagre. Se acredita em contos de fadas, a protagonista é a nova Cinderela. O filme trepa as escadas da fama: circula entre vizinhos e conhecidos; brilha na Internet; conquista universidades, galerias, agentes, mediadores e empresas de distribuição. Por último, a consagração: o prémio para o melhor filme, pelas mãos de Neil Patrick Harris, o apresentador do Óscar 2015. As gatas borralheiras e os príncipes sapo estão para durar. São figuras universais. Amanhã, vou à Escola da Primavera em Melgaço. Uma natureza abençoada, com cada vez menos gente. Dava jeito um iPhone 6s.

Marca: iPhone 6s. Título: Onions. Apple. USA, Abril 2016.

Empreendedorismo anal

Medical Journal in German, c. XV century.

Medical Journal in German, c. XV century.

A escatologia ocupa-se dos últimos dias. Mas a escatologia comporta outros sentidos. Por exemplo, “ciência” dos excrementos, também conhecida por coprologia. O anúncio This Unicorn Changed the Way I Poop, da Squatty Potty, usa e abusa da escatologia. Três minutos de excrementos incontinentes. Uma exorbitância grotesca em embalagem feérica. Um unicórnio não para de evacuar sorvetes ostensivamente apetitosos! Em termos de contos de fadas, as botas do gato e os sapatos da Cinderela são substituídos por um suplemento de sanita: o Squatty Potty toilet stool. Conseguem imaginar crianças a lamber sorvetes de excremento de unicórnio e a limpar a boca com papel higiénico? Não? Imaginação curta! Este anúncio é mais um caso de shrekização do mundo. Viral, já ultrapassou, no site da marca, 2 milhões de visualizações.

Marca: Squatty Potty. Título:This Unicorn Changed the Way I Poop. Direcção: Daniel Harmon & Dave Vance. Estados Unidos, Outubro 2015.

Esta arte de bem defecar só tem paralelo nas experiências de Gargântua sobre “o melhor meio de limpar o cú”. Analidade por analidade, segue um excerto do capítulo XIII do livro Gargântua (François Rabelais,1534):

“-Eu, respondeu Gargântua, por longa e curiosa experiência, inventei um meio de me limpar o cu, o mais senhorial, o mais excelente, o mais expediente que jamais foi visto. -Qual? disse Grandgousier. -Vou contar como foi, disse Gargântua. Limpei-me uma vez com uma meia máscara de veludo de uma moça, e achei bom, pois a maciez de sua seda me causou uma voluptuosidade bem grande no traseiro. Uma outra vez com um véu, e foi a mesma coisa. (…) Com um gorro de pajem, bem emplumado à suíça. Depois, andando atrás de uma moita, encontrei uma marta e me limpei com ela, mas as suas unhas me feriram todo o períneo. Logo que me curei, no dia seguinte, limpei-me com as luvas de minha mãe, bem perfumadas de benjoim. Depois me limpei com feno, aneto, manjerona, rosas, folhas de abóbora, de couve, de beterraba, de parreira, de alface e de espinafre. (…) Depois, limpei-me com os lençóis, as cobertas, a cortina, uma almofada, um tapete, um outro tapete verde, uma toalha de mesa, um guardanapo, um lenço e um penhoar. Em tudo achei prazer, mais do que em coçar uma sarna. (…) Limpei-me com feno, palha, crina, lã, papel, mas ‘sempre os culhões arranha, com certeza/ quem com papel do cu faz a limpeza’. (…) Depois, disse Gargântua, eu me limpei com um gorro, um chinelo, uma bolsa, um cesto, mas que limpa-cu desagradável! Depois com um chapéu. Mas vê que os chapéus são uns lisos, outros peludos, outros aveludados, outros de tafetá, outros de cetim. O melhor de todos é o peludo, pois faz boa absorção da matéria fecal. Depois, eu me limpei com uma galinha, um galo, um frango, um couro de boi, uma lebre, um pombo, um alcatraz, uma pasta de advogado, uma touca.

Mas, concluindo, digo e sustento que não há limpa-cu igual a um ganso novinho, bem emplumado, contanto que se mantenha a cabeça dele entre as pernas. E pode acreditar, palavra de honra. Pois a gente sente no olho do cu uma volúpia mirífica, tanto pela maciez das penas como pelo calor temperado do ganso, a qual é facilmente comunicada ao cano de cagação e a outros intestinos, até chegar à região do coração e do cérebro. E não penses que a beatitude dos heróis e semideuses, que estão nos Campos Elísios, esteja no abrótano, na ambrosia ou no néctar, como dizem estas velhas. Está, segundo penso, em limparem o cu com um ganso novo. Esta é a opinião de Mestre Jehan da Escócia.”
(http://puragoiaba.blogspot.pt/2005/08/humor-anal-e-o-melhor-do-carnaval.html0)

Isabela Adormecida

O humor canadiano recomenda-se. Nomeadamente, na especialidade da paródia. Isabela, a princesa, não acorda. Quem a irá salvar? O médico? A bruxa? O príncipe? Nem pensar. O beijo é mecânico: na era da técnica, quem acorda os dorminhocos é o despertador. Excelente filme de animação.

Realizador: Claude Cloutier. Título: Sleeping Betty / Isabelle au Bois Dormant, Produção: National Film Board of Canada. Canadá, 2007.

Aberrações

A nova campanha da Skittles desdobra-se por cinco episódios. Todos começam com uma introdução que alerta para o seu conteúdo insólito e assustador. Convida-nos, também, a interagir colocando um dedo num ponto do ecrã.
Será que o repulsivo atrai? Será que as aberrações são encantadoras? Será que um beijo digital no nosso dedo de batráquio, ou o toque de uma mão de um zombie mutilado ou o esguicho verde ao jeito do Exorcista nos dá vontade de devorar miniaturas doces, coloridas e estaladiças? A publicidade da Skittles há muito que aposta no estilo  “galeria de monstros”. É um sinal de perseverança e eficácia.
Os monstros constituem figuras vazias, abertas e absorventes. Neles nos projetamos, como numa espécie de rorschach da literatura, da arte e da comunicação digital. São figuras ambivalentes em que os contrários se namoram e os extremos se tocam. De qualquer modo, os monstros atraem-nos. E têm uma longevidade espantosa: constam entre os inquilinos mais perenes da nossa memória. Somos uns papa-monstros ruminantes.

Marca: Skittles. Título: Princess. Agência: BBDO Toronto. Canadá, Março 2012.

Marca: Skittles. Título: Zombie Tennis. Agência: BBDO Toronto. Canadá, Março 2012.

Marca: Skittles. Título: Dr. Cyclops. Agência: BBDO Toronto. Canadá, Março 2012.

Moda na publicidade. O estilista e a boneca voadora

A moda e a publicidade de braço dado na encenação da metamorfose de uma boneca por um estilista mais ágil que Geppetto. Uma paródia com uma personagem “real”: a superestrela da alta-costura Jean Paul Gaultier. A publicidade dá-se bem com a moda e, tal como ela, adora estrelas extravagantes, sobretudo quando a paródia da moda também é paródia de contos de fadas. Pelo menos, assim o entende a Coca-cola. E, já agora: a boneca voa!

Marca: Coca-cola. Título: The Serial Designer rocks out. Março, 2012.

Sapinho cremoso

Os contos de fadas continuam a encantar o nosso imaginário. Às vezes, até acrescentam magia à magia. Com o novo edulcorante de extrato de stevia, sem calorias e 200 vezes mais doce que o açúcar, a magia dos iogurtes Taillefine é a dobrar. É mais ou menos como resgatar o príncipe com um beijo tão cremoso como o novo iogurte.

Marca: Taillefine. Título: Stevia. Agência: Young & Rubicam (France). Direção: Olivier Ayache Vidal. França, 2010.