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Enigma diluviano

Neste anúncio tão criativo quanto delirante da Sky TV, por que são elas quem chora e eles os inundados?

Marca: Sky TV. Título: Water. Produção: AKITAFILM. Direção: Xavier Mairesse. 2017

Raiva

“Todos os meus tormentos cingem-se a uma passagem – Do medo à esperança, da esperança à raiva” (Jean Racine, Bérénice, 1670).

Tive a sorte de ter excelentes companheiros nos quartos do Hospital. O último lamentava-se e chorava com frequência. Ao aparar a relva, uma pedra vazou-lhe um olho: – Meu Deus, MeuDeus, o que me foi acontecer. Que vai ser dos meus dois filhinhos? Valha-me Deus! Interrompi-o, com aquele jeito blasfemo: – Deus anda a fumar haxixe! (charutos, diria Serge Gainsbourg). Saiu assim: nu, bruto e abrupto. E as lágrimas cederam ao riso.

Cintila uma raiva daninha no meu olhar embaciado. Brota das entranhas. Manifesta-se de duvidosa utilidade.

Armaggedon. Buzzard. Armaggedon. 1975
Serge Gainsbourg. Dieu est un fumeur de havane. Com Catherine Deneuve. 1980.

Chorar um tsunami

Gosto do anúncio Feel The Power Of Pro, da Playstaion. Diferente, com um desfecho inesperado, mas bem preparado, uma intertextualidade fina, belos efeitos especiais e excelente música. What else?

Marca: Playstation. Título: Feel the power of Pro. Agência: Adam & Eve DDB (London). Direcção: Frédéric Planchon. Internacional, Novembro 2019.

O choro diluviano do homem comovido lembra a canção Cry me a river, na interpretação original de Julie London (1955).

Julie London. Cry me a river. Julie is her name. 1955.

Abismo

Les « fenêtres à vendre », detalhe. Ethiques, politiques et économiques d’Aristote. Séc. XV. Iluminura. Biblioteca Municipal de Rouen, ms 12, fol. 127 v°.

Les « fenêtres à vendre », detalhe. Ethiques, politiques et économiques d’Aristote. Séc. XV. Iluminura. Biblioteca Municipal de Rouen, ms 12, fol. 127 v°.

Tudo que tenha efeito de sentido pode interessar à publicidade. Mesmo o tabu mais disfórico. A publicidade é omnívora. E cada vez mais autónoma. Faz caminho pelo seu próprio pé. Declina, também, confinar-se à trindade do bom, do bem e do belo. Pode, por exemplo, contrapor uma paródia grotesca de um suicídio. Não é bom, nem bem, nem belo, mas tem efeito.

Marca: Immoweb. Título: Ouch. Agência: Witloof Productions. Creativo: Fred De Loof. Bélgica, Dezembro 2014.