Artes florescentes

Acordei rococó. Os artigos de hoje convocam o estilo. Antes de mais, boa disposição: Les Sauvages (Les Indes Galantes, 1735), de Jean-Philippe Rameau, com coreografia de Blanca Li, interpretada por Les Arts Florissants.
No ensino à distância, o diálogo é sui generis. A reação, frequentemente dessincronizada, ou é escrita ou é falada. Mas reduzida. A comunicação não verbal é rara. Imagina-se! Por exemplo, os alunos a dançar.
Jean-Philippe Rameau. Les Sauvages (Les Indes Galantes). 1735. Coreografia de Blanca Li. Bailado : Les Arts Florissants.
A Sagração da Primavera

Sentir-se a afogar é terrível. Só ou em grupo, num barco ou numa instituição. E quando o naufrágio envolve uma superorganização? Afunda hierarquicamente, por etapas, com relatório de autoavaliação, despacho e autorização superior. Pior quando se esbraceja. Como os bailarinos da Sagração da Primavera, de Ígor Stravinsky (coreografia de Nijinsky). A estreia, em 1913, foi um dos maiores insucessos da história da música. Segue um excerto; a dança, propriamente dita, começa no minuto 3:20.
Novas sensações

A técnica dá a mão à estética. Ocorrem-me, por exemplo, as serigrafias de Andy Warhol. As novas tecnologias audiovisuais permitem ver a realidade como ninguém, pelo seus próprios meios, alguma vez viu. É o caso dos movimentos de dança no anúncio Feel Something New, da Royal Opera House, de Londres.
Marca: Royal Opera House. Título: Feel Something New. Agência: Atomic London. Inglaterra, Setembro 2018.
“Atomic’s striking new campaign and visual identity for the revamped Royal Opera House captures ballet and opera stars with a radical new technique to stunning effect. Captured over an intense three day shoot with photographer Giles Revell, we used a revolutionary technique to capture the shape and colour of movement, blurring the lines between the moving and still image.”
Galeria de imagens: Marey & Muybridge
Esta “técnica revolucionária” “com efeito deslumbrante” lembra inventos e obras de há mais de um século. Em primeiro lugar, a cronofotografia de Etienne-Jules Marey (ca. 1882) e de Eadweard Muybridge, inventor do zoopraxiscópio. Ambos pretendiam estudar a “máquina animal” (ver galeria de imagens Marey e Muybridge; pode consultar, também, Fotografar o movimento do corpo). Lembra, em segundo lugar, os artistas futuristas, com a sua obsessão pelo movimento e pela velocidade (ver galeria de imagens; pode consultar, também, Pneus olímpicos / Futurismo).
Galeria: Futuristas
É uma tentação e um dever colocar algumas barbas brancas nas novíssimas tecnologias!
O bailado dos pepinos
Este anúncio da Hungarian Dance Academy é delicioso, com alguma malícia à mistura. Lembra os contos de fadas. Uma bailarina esforça-se para abrir, enquanto dança, um frasco de pepinos. Não consegue. Uma desilusão. Há falta de homens no bailado! Para aceder ao anúncio, carregar na imagem.
Anunciante: Hungarian Dance Academy. Título: Ballet needs boys. Agência: Leo Burnett Budapest. Direcção: Milos Ili, Imre Juhasz. Hungria, 2004.
Sociologia sem palavras 3. Globalização
O bailado do ditador com o globo terrestre, cena famosa do filme O Grande Ditador, de Charles Chaplin, é um desafio ao pensamento. Ocorre-me, por exemplo, que, graças à globalização, alguns, quase nenhuns, têm a capacidade de dar pontapés no planeta e muitos, quase todos, têm o direito de recebê-los.
Sociologia sem palavras. Episódio 3. Globalização.
Bailado em Fafe
Francis Bacon, o pintor, parece que passou por Fafe. Mas não! Nem passou, nem me levou. Uma pena! A Cidade das Artes apresentou “O Tempo Pergunta ao Tempo”, um espectáculo de bailado pela Companhia ACASO, do Brasil, e pela Escola de Bailado de Fafe. Restam as imagens.
- Francis Bacon. Three Studies form the Human Body, 1967
- Fafe. O tempo perguntou ao tempo
- Portrait of Isabel Rawsthorne 1966 by Francis Bacon 1909-1992
- Fafe. O tempo perguntou ao tempo.2
- Francis Bacon – Study for a nude 1951
- Fafe. O tempo perguntou ao tempo.3
Abraço elétrico
A publicidade do Infiniti sempre teve apetência por fluxos e fluídos turbulentos em interação com o automóvel. Assim acontece, por exemplo, com os fluídos líquidos nos anúncios G-spot & FXM (em baixo) e Wave (http://tendimag.com/?s=infiniti), ambos de 2006. Neste novo anúncio, Blue Essence, são as descargas elétricas que adquirem protagonismo. A exuberância da cor mantem-se, tal como o bailado do carro com os fluxos envolventes. No século XIX, falava-se muito no “beijo elétrico”. Neste caso, trata-se mais de um abraço.
Marca: Infiniti. Título: Blue Essence. Agência: TBWA ELSE Passion Paris Productions. No country, Abril 2012.
Marca: Infiniti. Título: G-spot & FXM. EUA, 2006.









