Tag Archive | árvore

Cultivar o futuro

Existem várias formas de cultivar, ou conquistar, mundos, sem que as sementes sejam fatalmente armas. A campanha equatoriana “Almax Mandarín” avança o seguinte provérbio: “O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor momento é agora”. Falta acrescentar que para que as árvores cresçam não basta terra, luz e água; são cada vez mais imprescindíveis bombeiros.

Garnier Ecuador creó para Minutocorp, en el marco del Año Nuevo Chino, la campaña ‘Almax Mandarín’, una propuesta artística que conecta con el sector de empresarios chinos que hoy representan el 77% de las importaciones en Ecuador.

Minutcorp & Almax – Almax Mandarín. Agência Garnier BBDO Ecuador. Equador, 2026

Anúncio português vintage 4. Quanto mais cópias, menos originais

Folha a folha, apaga-se a floresta. O anúncio “Cópias”, do Observatório do Ambiente, não precisa nem mais tempo, nem mais imagens. “Quanto mais cópias, menos originais. Não desperdice papel”. Neste aspeto, bem-vindo o digital. [Carregar na imagem para aceder ao vídeo]

Anunciante: Observatório do Ambiente. Título: Cópias [?]. Agência: McCann Erickson. Portugal, 2001

O papel como destino

Imagem colocada por Almerinda Van Der Giezen, no Facebook, em 26.08.2025

Há imagens que valem mais do que mil palavras.

Consta que Prometeu trouxe o fogo e o progresso. Pois, parecem insinuar-se espectros de árvores em papel precoce.

Uma espécie de memento mori?

Acode-me um artigo publicado há dez anos, no dia 30 de agosto de 2015, O Abismo, que anexo.

Imagem: Jan Cossiers – Prometeo trayendo el fuego, 1636-1638. Museu do Prado

O abismo (30.08.2015)

Incêndio em Caminha. 2015

Em 2012, participei num documentário dedicado a uma árvore de Guimarães. Competia-me cuidar do simbolismo. A árvore é um ser cósmico vivo que acolhe a vida. Agarra-se à terra, bebe água, eleva-se no ar e consume-se no fogo. É uma ponte vertical entre as profundezas da terra e as alturas do céu. Há quem associe a árvore ao sagrado. E ao demoníaco, também. A árvore ergue-se como um marco da memória individual e colectiva. Quando regresso às origens, visito as árvores: a pereira e a tangerineira partiram sem avisar. Menos dois troncos de memória, menos dois anjos da guarda. Valem-me, para compensar, as rotundas e os semáforos. O anúncio Farewell to the forest, da Unilever, sublinha que, no mundo, a cada minuto, é desarborizado o equivalente a 36 estádios de futebol. Um abismo!

O antropólogo George Condominas publicou, em 1957, o livro Nous avons mangé la forêt (Comemos a floresta; Paris, Mercure de France). Estuda os Mnong-Gar dos planaltos do Vietname. Tinham o seguinte costume: num ano, desbastam uma parte da floresta onde semeiam, por exemplo, arroz; no ano seguinte, cortam outra parte da floresta. Ano a ano repetem a proeza. Até que, volvidos vários anos, regressam ao início onde os espera uma floresta recomposta. E recomeçam “a comer a floresta”… É possível explorar a floresta sem a destruir.

Marca: Unilever. Título: Farewell to the forest. Agência: David Buenos Aires/Ogilvy & Matter. Direcção: Nico Perez Veiga. Argentina, Agosto 2015.

O abismo

Incêndio em Caminha. 2015.

Incêndio em Caminha. 2015.

Em 2012, participei num documentário dedicado a uma árvore de Guimarães. Competia-me cuidar do simbolismo. A árvore é um ser cósmico vivo que acolhe a vida. Agarra-se à terra, bebe água, eleva-se no ar e consume-se no fogo. É uma ponte vertical entre as profundezas da terra e as alturas do céu. Há quem associe a árvore ao sagrado. E ao demoníaco, também. A árvore ergue-se como um marco da memória individual e colectiva. Quando regresso às origens, visito as árvores: a pereira e a tangerineira partiram sem avisar. Menos dois troncos de memória, menos dois anjos da guarda. Valem-me, para compensar, as rotundas e os semáforos. O anúncio Farewell to the forest, da Unilever, sublinha que, no mundo, a cada minuto, é desarborizado o equivalente a 36 estádios de futebol. Um abismo!

O antropólogo George Condominas publicou, em 1957, o livro Nous avons mangé la forêt (Comemos a floresta; Paris, Mercure de France). Estuda os Mnong-Gar dos planaltos do Vietname. Tinham o seguinte costume: num ano, desbastam uma parte da floresta onde semeiam, por exemplo, arroz; no ano seguinte, cortam outra parte da floresta. Ano a ano repetem a proeza. Até que, volvidos vários anos, regressam ao início onde os espera uma floresta recomposta. E recomeçam “a comer a floresta”… É possível explorar a floresta sem a destruir.

Marca: Unilever. Título: Farewell to the forest. Agência: David Buenos Aires/Ogilvy & Matter. Direcção: Nico Perez Veiga. Argentina, Agosto 2015.