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Adolescência militante

A escassos dias das eleições para a Assembleia Constituinte de 25 de Abril de 1975, tinha 16 anos e pouco siso. Atravessava o meu cúmulo de envolvimento político. Poucos meses depois, desligava-me, para sempre, de qualquer militantismo político. A bipolaridade do costume.
Em pose híbrida, um misto de estudante e ativista, sento-me no “poleiro” do quarto que partilhava com o Álvaro, amigo com bonomia suficiente para suportar extravagâncias. Numa época em que predominavam os posters com modelos femininos e carros de corrida, a decoração é monopolizada por cartazes eleitorais. Nas costas daquele pequeno casaco, gravei, com precioso esmero, o rosto de Karl Marx!
Estudante no Liceu Sá de Miranda, estava interno no Colégio D. Diogo de Sousa, onde beneficiava de um vislumbre de tolerância especial. As autoridades entenderam por bem ignorar esta quase subversão institucional. Mas não permitiram, contudo, que o cartaz da janela estivesse virado, como inicialmente, para o exterior.
O John, outro companheiro de aventuras, enviou-me esta fotografia com um momento expressivo de uma biografia feita de altos e baixos. Naquele tempo, proporcionava-se a criação de grandes amizades. Saudades!

A epifania do soutien

valisere-primeiro-sutia-a-gente-nunca-esquece-marca-reformulacaoVestir pela primeira vez um soutien é uma epifania, a passagem de menina a moça. É este o mote do anúncio “O primeiro Valisère a gente nunca esquece”. O anúncio, antigo, remonta a 1987. A banda sonora revela-se crucial: com o soutien, a música é outra. Uma valsa que a menina, agora moça, dança com o reflexo no espelho! Descobri este anúncio nos trabalhos práticos de Júlia e Vicente, ambos brasileiros, para a disciplina de Sociologia e Semiótica da Arte. O anúncio é uma maravilha! De uma sensibilidade e de uma sensualidade nobres. Obrigado.

Marca: Valisere. Título: O primeiro Valisère a gente nunca esquece. Agência: W/Brasil. Direcção: Washignto Oliveto. Brasil, 1987.