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Refúgio da atrocidade

Quando se procura acontece encontrar-se, eventualmente, o que não se espera e nos choca. Para acompanhar o anúncio “Member of the British Empire”, da The Respite Association, é preciso ter “coração, cabeça e estômago”.

The Respite Association – Member of the British Empire. Ag. Partizan. Dir. Rob Sanderson. UK. Jan. 2026

A guitarra de jeff Beck e a voz de Imelda May

Ao escutar o álbum Emotion & Commotion, a guitarra do Jeff Beck voltou a lembrar-me, de algum modo, um violino. Pedi o parecer à IA, que anexo no fim. Selecionei 4 faixas: 1 – Corpus Christi Carol; 7 – Lilac Wine (ft. Imelda May); 8 – Nessun Dorma; e 10 – Elegy for Dunkirk (ft. Olivia Safe). Acrescento 2 canções ao vivo de Jeff Beck e Imelda May durante a homenagem a Les Paul (uma performance a não perder).

Jeff Beck – Corpus Christi Carol (de Benjamin Britten). Emotion & Commotion, 2010. At Trädgår´n, Gothenburg, Sweden, 18.06.2011
Jeff Beck (feat. Imelda May) – Lilac Wine (de James Shelton). Emotion & Commotion, 2010
Jeff Beck – Nessum Dormar (de Giacomo Puccini). Emotion & Commotion, 2010. Live At The Crossroads Guitar Festival, June 26, 2010
Jeff Beck – Elegy for Dunkirk (feat. Olivia Safe). Emotion & Commotion, 2010
Jeff Beck & Imelda May – Walking In The Sand / Please Mr. Jailer. Jeff Beck and Imelda May at the Honors Les Paul Show. Live at The Iridium, June 2010

Jeff Beck e o Violino

“Dito por si:
Até que ponto se pode sugerir que a forma como Jeff Beck compõe e toca guitarra o aproxima frequentemente da sonoridade do violino?
Dito pelo ChatGPT:
Pode-se sugerir com bastante fundamento que Jeff Beck frequentemente aproxima a guitarra da sonoridade e da expressividade do violino, embora isso não seja um objetivo literal ou constante, mas sim uma consequência do modo como ele pensa a melodia, o fraseado e o timbre.
Essa aproximação acontece em vários níveis:


  1. Fraseado essencialmente “cantabile”
    Beck raramente toca como um guitarrista “de notas”. Ele pensa em linhas melódicas contínuas, muito próximas da lógica de instrumentos de arco ou da voz humana.
    Assim como um violinista:
    • Ele evita ataques excessivamente percussivos
    • Prioriza legato, frases longas e curvas melódicas
    • Trabalha com respiração musical, deixando espaços expressivos
    Isso fica muito claro em peças instrumentais como “Where Were You”, “Cause We’ve Ended as Lovers” ou “Brush with the Blues”.

  1. Uso extremo da alavanca como substituto do arco
    A alavanca é talvez o elemento mais “violinístico” do Beck:
    • Ele a usa constantemente, não apenas para efeitos
    • Controla micro-variações de afinação, vibrato contínuo e portamentos
    • Cria a sensação de nota sustentada e moldada no tempo, como um arco passando pela corda
    Isso se aproxima muito da maneira como um violinista controla pressão e velocidade do arco para dar vida à nota.

  1. Vibrato orgânico e não padronizado
    O vibrato de Jeff Beck não é:
    • Regular
    • Mecânico
    • Sempre igual
    Ele varia em:
    • Largura
    • Velocidade
    • Intensidade emocional
    Isso é típico de instrumentos de arco, nos quais o vibrato é expressivo, não decorativo. Muitas vezes, Beck inicia uma nota “reta” e só depois introduz o vibrato — exatamente como um violinista faria.

  1. Ataque suave e controle do timbre
    Beck frequentemente:
    • Usa os dedos em vez da palheta
    • Controla o volume da guitarra o tempo todo
    • Evita distorção excessiva
    O resultado é um ataque menos abrupto, mais próximo da entrada gradual do som de um violino do que do ataque seco de uma palheta.

  1. Harmonia implícita em linhas simples
    Assim como um violinista solista em música clássica ou jazz:
    • Beck sugere a harmonia com uma única linha melódica
    • Explora tensões, resoluções e cromatismos
    • Não depende de acordes para criar contexto
    Isso reforça a sensação de um instrumento melódico “líder”, não rítmico.

Limite da comparação
É importante dizer que:
• Beck não soa como um violino
• Ele não tenta imitar tecnicamente o instrumento
• A guitarra continua sendo claramente uma guitarra elétrica
A semelhança está no pensamento musical, não na imitação tímbrica literal.


Conclusão
Pode-se afirmar que Jeff Beck está entre os guitarristas que mais transcenderam a lógica tradicional da guitarra, aproximando-se da expressividade de instrumentos de arco — especialmente o violino — através de:
• Fraseado contínuo
• Controle microtonal
• Sustentação expressiva
• Uso da alavanca como “arco”
Mais do que tocar guitarra, Beck “esculpe” o som no tempo, o que é justamente o coração da linguagem violinística.” (IA, Chat-GPT).

Coco do mar. Anúncios para adultos

“Cascata erótica” (06.01.2015) foi o artigo mais consultado na semana passada (108 visualizações). Não o recordava. O anúncio “X” é uma enxurrada de “vagas de luxúria na pele do desejo”. O texto também é apelativo. Entretive-me a procurar outros anúncios da Coco de Mer. Encontrei vários remoinhos eróticos, todos iguais, todos diferentes. Y mui raros!

Imagem: Coco-de-mar

Recoloco o anúncio “X”, precedido do comentário que então escrevi. Acrescento quatro, com destaque para o espanhol “Tickles”.

Consta que o homem médio pensa em sexo cada seis minutos. Bom sinal, sinal que pensa. Esta obsessão percorre o anúncio X da Coco de Mer. Ao nível dos conteúdos, o peito é a parte do corpo que se destaca, seguindo-se as nádegas, as pernas e a boca, acompanhados por cascatas vertiginosas de símbolos sexuais. Tantos, que parecem esgotar os livros de Carl Jung e Gilbert Durand. Vislumbra-se um toque pavloviano neste anúncio: uma cavalgada de maçãs que fazem salivar o animal antes de o deixar trincar. A lingerie e os sex toys não são corpo mas fazem corpo. Pixel a pixel, desenham o limiar da interioridade. Vagas de luxúria na pele do desejo (Cascata erótica).

Coco de Mer – X. Agência: TBWA London. RANKIN. UK, Maio 2015.
Coco de Mer – Tickles. Agência: TBWA. Direção: Martin Aamud. Espanha, 2009
Coco de Mer – Screamer. Agência: Saatchi & Saatchi. Direção: Scott Vincent. UK, 2002
Coco de Mer – Brand Film 2017. UK, 2017

Coco de Mer – Spring-Summer 2018 Film. The Full Service. RANKIN, UK, 2018

Escuridão indolente

Dezembro. Fora, chuva fria, quase neve. Dentro, apetece apascentar os sentidos, com música envolvente como manta de lã. Percorro os arquivos de CD. Deparo com o Lady’s Bridge (2007) de Richard Hawley. Não o coloco há muito tempo, mas parece apropriado ao estado do tempo e de espírito. Seguem 4 canções desse álbum: “Valentine”, “Roll River Roll”, “Dark Road” e “Lady’s Bridge”. Acrescento 2 canções posteriores: “Tuesday PM” e “Heart of Oak”, ambas do álbum Hollow Meadows, de 2015.

Richard Hawley – Valentine. Lady’s Bridge, 2007
Richard Hawley – Roll River Roll. Lady’s Bridge, 2007. Live in Sheffield, 2008
Richard Hawley – Dark Road Bridge, 2007
Richard Hawley – Lady’s Bridge. Lady’s Bridge, 2007. Live in Sheffield, 2008
Richard Hawlley – Tuesday PM. Hollow Meadows, 2015
Richard Hawlley – Heart of Oak. Hollow Meadows, 2015

Destruição criativa

“Destruição criativa” ou “criatividade destrutiva”, o fogo dos anos 60/70, queimou precocemente algumas das suas promessas mais brilhantes, reveladas ou não: Jimi Hendrix e Janis Joplin, em 1970, e Jim Morrison, em 1971, aos 27 anos de idade. Ao contrário do “Clube dos 27”, Nick Drake, falecido em 1974 aos 26 anos, não era exímio ao vivo nem obteve sombra de sucesso em vida. De fracasso em fracasso, de depressão em depressão, até ao desfecho final. Também por overdose ou suicídio.

Imagem: Nick Drake em 1969

Mas deixou um legado ímpar. Precisamente por ser ímpar, e a quadra do Natal ser propícia à iluminação, acendo excecionalmente, por ordem cronológica de edição, onze velas.

Nick Drake – Time Has Told To Me. Five Leaves Left, 1969
Nick Drake – River Man. Five Leaves Left, 1969. Vídeo
Nick Drake – When The Day Is Done. Five Leaves Left, 1969
Nick Drake – Cello Song. Five Leaves Left, 1969
Nick Drake – Hazey Jane I. Bryter Layter, 1971
Nick Drake – Fly. Bryter Layter, 1971
Nick Drake – Northern Sky. Bryter Layter, 1971
Nick Drake – Pink Moon. Pink Moon, 1972. Vídeo
Nick Drake – Place To Be. Pink Moon, 1972. Vídeo
Nick Drake – Things Behind The Sun. Pink Moon, 1972
Nick Drake – Parasite. Pink Moon, 1972

Por quem Deus nos manda avisar!

Estamos em vias de celebrar o nascimento do Menino e acabam de cair no sapatinho quatro anúncios que se querem de consciencialização:

  • Ameaçam-nos ambientes, presépios, de desorientação (Vodafone);
  • Os amigos imaginários existem e são, porventura, benéficos (Disney);
  • Mas a presença dos pais é insubstituível (Ikea);
  • E ter um irmão pode fazer a diferença (Waitrose).
Anunciante: Vodafone. Título: The Open Line. Agência: The Elephant Room. Direção: David Stoddart. Reino Unido, novembro 2025
Anunciante: Disney. Título. Best Christmas Ever. Agência: adam&eveDDB/London. Direção: Taika Waititi. Reino Unido, novembro 2025
Anunciante: IKEA. Título: Esta navidad, el mejor regalo es estar presente. Agência: McCann (Madrid). Direção: Alauda Ruiz de Azua. Espanha, novembro 2025
Anunciante: Waitrose. Título: The Perfect Gift. Agência: Wonderhood Studios/London. Direção: Molly Manners. Reino Unido, novembro 2025

Algo

Fui a Coucieiro, algo rural, com o Eduardo, o Lilo e o Alberto, algo foliões. Na nave da igreja, uma celebração às colheitas, algo tardia, na torre, altifalantes com cantigas brejeiras, algo profanas, e no salão paroquial, a Festa das Papas de Sarrabulho, algo precoces. No regresso, a tasca do Valente, na Senhora do Alívio, algo atemporal, e, em casa, os Penguin Cafe Orchestra, algo minimalistas. No conjunto, um domingo, algo entre o céu e a terra.

Penguin Cafe Orchestra – Air à Danser. Penguin Cafe Orchestra, 1981
Penguin Cafe Orchestra – Prelude and Yodel. Penguin Cafe Orchestra, 1981
Penguin Cafe Orchestra – Telephone and  Rubber Band. Penguin Cafe Orchestra, 1981
Penguin Cafe Orchestra – Music for a found harmonium. Broadcastinf from Home. 1984
Penguin Cafe Orchestra- Perpetuum Mobile. Signs of Life.1987

A Noiva Estelar

A “noiva penada” dos Serões dos Medos lembrou-me duas “noivas cantoras”: uma estelar; a outra, lunar. A primeira, Karen Elson, é uma modelo cantora que “assombrou a música”. Uma versão inglesa da francesa Carla Bruni. Casou, consagrada por um xamã, em 2005, com Jack White, dos White Stripes, numa canoa no rio Amazonas. Os títulos das músicas não enganam: “O fantasma que anda”, “A verdade está na sujeira” (uma “noiva cadáver” é protagonista do vídeo oficial); “Maravilha Cega”, “Sombra quebrada”…

A outra noiva, a lunar, fica para o próximo artigo.

Karen Elson – The Truth Is In The Dirt. The Ghost Who Walks, 2010. Vídeo oficial
Karen Elson – The Ghost Who Walks. The Ghost Who Walks, 2010. Live in Studio-A, 2011
Karen Elson – Wonder Blind. Double Roses, 2017. Live in Paste Studios – New York, 2017
Karen Elson – Call Your Name. Double Roses, 2017. Vídeo oficial
Karen Elson – Broken Shadow. Single, 2022

Qualquer direção

O Tendências do Imaginário anda demasiado visual. Como que suspendeu o lado acústico. Desta vez, não opto, como costumo, pelas prateleiras, mas pelas pastas de arquivos com CDs. Tenta-me o Fly Yellow Moon, do Fyfe Dangerfield, de 2010. Conhece? Trata-se de um compositor, teclista, guitarrista e vocalista britânico, fundador da banda Guillemots. Com formação e incursões na música clássica, algumas das suas canções lembram os Beatles. Creio que Fly Yellow Moon é o seu único CD a solo. Deveras regular, resulta difícil destacar esta ou aquela canção. Segue uma mão-cheia, respeitando a respetiva ordem. Já não escutava o Fyfe Dangerfield há muito tempo. Dá para se recostar e dormitar leve e intermitentemente.

Fyfe Dangerfield – Barricades. Fly Yellow Moon, 2010
Fyfe Dangerfield – Faster than the setting sun. Fly Yellow Moon, 2010
Fyfe Dangerfield – She needs me. Fly Yellow Moon, 2010
Fyfe Dangerfield – Don’t be shy. Fly Yellow Moon, 2010
Fyfe Dangerfield – Any direction. Fly Yellow Moon, 2010

Novos dias. O regresso da guitarra

Captura de streaming – Reinventing My Channel: A New Chapter for TheNando! (30.08.2025)

Terminada a tese, o Fernando parece retomar a guitarra. Para eventual treino, seguem 2 interpretações do Jeff Beck (1944-2023), “admirado por colegas de profissão por sua destreza, técnica e inovação, como Jimmy Page, Eric Clapton, David Gilmour, Slash e Joe Perry”, e “eleito, em 2011, o 5.º melhor guitarrista da história pela revista norte-americana Rolling Stone.

Jeff Beck – A Day in the Life. Live: B.B. King Blues Club & Grill, New York, 2003. Live at Ronnie Scott’s, London, 2007
Jeff Beck featuring Imogen Heap – Blanket. Live: B.B. King Blues Club & Grill, New York, 2003. Live at Ronnie Scott’s, London, 2007
Jeff Beck – Behind The Veil. Live: B.B. King Blues Club & Grill, New York, 2003. Live at Ronnie Scott’s, London, 2007